Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • May 14, 2024

Qual Especialista Trata Neuralgia do Pudendo: Tudo o que Você Precisa Saber



Homem sentado em banco de praça com dor na região inguinal em destaque, sintoma de neuralgia do pudendo

A neuralgia do pudendo é uma dor causada por irritação ou compressão de um nervo da região íntima. Ela aparece no períneo (entre os genitais e o ânus), nos genitais ou perto do ânus, e quase sempre piora ao sentar.


Como é uma condição pouco conhecida, muita gente passa por vários médicos até descobrir o que tem, e ainda ouve que “é emocional” ou que “vai passar”. Se esse é o seu caso, saiba que a sua dor é real e que existe caminho de cuidado.


Neste guia, em linguagem simples, você vai entender os sintomas, as causas, como é feito o diagnóstico, quais são os tratamentos, o que fazer no dia a dia e qual médico procurar.

Resumo rápido

  • O que é: dor de origem nervosa na região do períneo, dos genitais e do ânus.
  • Sinal mais típico: a dor piora ao sentar e costuma aliviar em pé, deitado ou sentado no vaso sanitário.
  • Diagnóstico: é principalmente clínico. Os exames servem para descartar outras causas.
  • Tratamento: começa sem cirurgia e sobe de degrau só quando necessário: cuidados, remédios, bloqueios, neuromodulação e cirurgia.
  • Quem ajuda: uma equipe, que pode incluir neurocirurgião que atua em nervos periféricos, urologista, ginecologista, neurologista e fisioterapeuta pélvico.

No vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica como é a dor da neuralgia do pudendo e as opções de tratamento.

O que é a neuralgia do pudendo?

O nervo pudendo nasce na parte de baixo da coluna, passa pela pelve e leva sensibilidade para o períneo, os genitais e o ânus. Ele também ajuda no controle da bexiga, do intestino e da função sexual.


Quando esse nervo é comprimido, esticado ou irritado, ele passa a mandar sinais de dor mesmo sem nenhuma ferida visível. Por isso o exame físico costuma parecer “normal” e a dor acaba sendo minimizada. Esse tipo de dor se chama dor neuropática: dói porque o próprio nervo está sofrendo, e não porque há uma lesão na pele ou no músculo.


Você pode encontrar a doença com outros nomes, como neuralgia pudenda, compressão (ou encarceramento) do nervo pudendo e síndrome do canal de Alcock.

Causas e fatores de risco

Nem sempre existe uma causa única. Em muitos casos, vários fatores se somam ao longo do tempo. Estes são os mais comuns:

Pressão prolongada

Ficar muito tempo sentado e atividades como ciclismo, moto e equitação comprimem o nervo.

Parto

O nervo pode ser esticado ou machucado em partos difíceis.

Cirurgias e traumas

Quedas sentado, fraturas da pelve e cirurgias na região do quadril, das nádegas ou da pelve.

Compressão no trajeto do nervo

Ligamentos, músculos tensos ou cicatrizes podem apertar o nervo. É o que se chama de compressão ou encarceramento.

Doenças e infecções

Diabetes, herpes (inclusive a genital) e alguns tratamentos, como a quimioterapia, podem lesar o nervo.

Tensão nos músculos da pelve

Músculos do assoalho pélvico e das nádegas muito tensos podem irritar o nervo e prolongar a dor.

Em muitos casos a causa não é encontrada, e isso não significa que a dor não seja real.

Sintomas: como é a dor do nervo pudendo?

Mulher sentada em banco de praça com dor pélvica em destaque, sintoma de neuralgia do pudendo

A dor tem um jeito característico. Muitas pessoas descrevem como queimação, choque, fisgada ou agulhadas, e ela pode atingir um lado só ou os dois. Veja abaixo os sinais mais comuns:

Dor ao sentar

É o sinal mais típico. A dor piora ao longo do dia e alivia em pé, deitado ou sentado no vaso sanitário.

Queimação, choque ou fisgada

A dor aparece no períneo, nos genitais ou no ânus, em um lado só ou nos dois.

Formigamento ou dormência

A região fica “adormecida” ou com sensação de agulhadas, de forma constante ou em crises.

Sensação de corpo estranho

Algumas pessoas sentem como se estivessem sentadas sobre uma bola ou como se houvesse algo no ânus ou na vagina.

Mudanças ao urinar e evacuar

Vontade frequente de urinar e desconforto ao urinar ou ao evacuar.

Dor na vida sexual

Dor durante ou depois da relação sexual e, em alguns casos, dificuldade de ereção ou de orgasmo.

Quando procurar atendimento rápido

  • ! Perda de controle da urina ou das fezes
  • ! Dificuldade súbita para urinar
  • ! Dor muito forte acompanhada de febre
  • ! Fraqueza ou dormência nas pernas
  • ! Dor que começou logo depois de um trauma ou de uma cirurgia

Nesses casos, vá a um pronto atendimento. Se a dor dura semanas e não melhora, marque uma consulta com um médico.

Diagnóstico: como descobrir a neuralgia do pudendo?

Não existe um exame único que “prove” a neuralgia do pudendo. O diagnóstico é, principalmente, clínico: o médico conversa com você, examina e usa os exames para descartar outras doenças.


Para isso, os especialistas costumam seguir os critérios de Nantes, um conjunto de cinco pontos usado no mundo todo. Veja a seguir, junto com os exames que podem ser pedidos.

Critérios de Nantes

Os 5 pontos que o médico procura

  • 1 A dor fica na região do nervo pudendo: do ânus aos genitais, passando pelo períneo.
  • 2 A dor piora ao sentar.
  • 3 A dor não acorda você à noite.
  • 4 O exame físico não mostra perda importante de sensibilidade.
  • 5 A dor melhora com o bloqueio anestésico do nervo pudendo.

Exames que podem ser pedidos

Servem para descartar outras causas

  • Ressonância magnética da pelve. Ajuda a descartar tumores, cistos e outras causas de compressão do nervo.
  • Bloqueio anestésico do nervo. Se a dor melhora depois da injeção, o diagnóstico fica mais provável.
  • Eletroneuromiografia. Pode ser pedida em alguns casos, mas não é necessária para todos.
  • Avaliação de outros especialistas. Urologista, ginecologista ou coloproctologista ajudam a descartar hemorroidas, prostatite, endometriose e outras causas.

Os critérios ajudam o médico, mas só ele pode confirmar o diagnóstico.

Tratamento: quais são as opções?

O tratamento é feito em degraus, do mais simples ao mais avançado. Muitas pessoas melhoram já nas primeiras etapas; as seguintes ficam para quem continua com dor forte.


A escolha depende da causa, da intensidade da dor e da sua rotina, e deve ser sempre decidida junto com o seu médico.

  1. 1

    Cuidados do dia a dia e fisioterapia

    Evitar o que piora a dor, usar uma almofada adequada e fazer pausas ao longo do dia. A fisioterapia pélvica, com profissional experiente, ajuda a relaxar a musculatura e a reduzir a pressão sobre o nervo.

  2. 2

    Remédios para dor nervosa

    Medicamentos próprios para dor neuropática, como amitriptilina, duloxetina, gabapentina e pregabalina, prescritos pelo médico. Analgésicos comuns costumam ajudar pouco nesse tipo de dor.

  3. 3

    Bloqueios do nervo

    Injeção de anestésico (às vezes com corticoide) perto do nervo, guiada por imagem. Ajuda a confirmar o diagnóstico e pode dar alívio por um tempo.

  4. 4

    Radiofrequência pulsada e neuroestimulação

    Para a dor que não melhora com as etapas anteriores. A radiofrequência pulsada age sobre o nervo sem destruí-lo. O neuroestimulador é um pequeno aparelho implantado que envia pulsos elétricos suaves e ajuda a modular os sinais de dor.

  5. 5

    Cirurgia de descompressão

    Em casos bem selecionados, com compressão do nervo e sem melhora nas etapas anteriores, a cirurgia pode liberar o nervo. Os resultados variam e a técnica depende de cada caso.

A ordem e o tempo de cada etapa variam. O seu médico define o plano junto com você.

Quer entender qual “degrau” faz sentido para o seu caso? Veja como funciona a teleconsulta com o Dr. Thomas.

Dicas simples para aliviar a dor no dia a dia

Estes cuidados não substituem o tratamento, mas ajudam a ter mais conforto enquanto você é avaliado.

Levante e se movimente

A cada 30 a 40 minutos, levante, ande um pouco e alongue. Ficar muito tempo sentado costuma piorar a dor.

Teste almofadas com abertura

Almofadas com abertura atrás ou em formato de U tiram a pressão do períneo. Cada pessoa responde de um jeito, então vale testar.

Evite o que piora

Se bicicleta, moto, cavalo ou agachamentos fundos aumentam a dor, faça uma pausa nessas atividades até conversar com o médico.

Use roupas folgadas

Calças, cintos e roupas íntimas muito apertados aumentam o incômodo na região.

Cuide do intestino

Beba água e coma fibras para evitar esforço ao evacuar. Um pequeno banco para apoiar os pés ajuda.

Experimente calor suave

Um banho morno pode relaxar a musculatura da região. Evite calor forte e não aplique gelo direto na pele.

Faça um diário da dor

Anote o horário, a posição e a atividade em que a dor piora. Leve para a consulta: isso ajuda muito no diagnóstico.

Cuide do sono e do estresse

Respiração lenta, alongamentos leves e uma boa rotina de sono ajudam o corpo a lidar melhor com a dor crônica.

Não tome remédios por conta própria. Converse sempre com o seu médico antes de começar ou mudar um tratamento.

Qual médico trata a neuralgia do pudendo?

Dr. Thomas Marcolini e equipe cirúrgica em centro cirúrgico realizando cirurgia de nervos periféricos

Não existe um único especialista. Como a dor pode ser confundida com problemas urinários, ginecológicos ou do intestino, o cuidado costuma ser feito em equipe. Podem ajudar:


  • urologista, ginecologista e coloproctologista, para descartar outras causas;
  • neurologista e médico da dor, para o tratamento com remédios e bloqueios;
  • fisioterapeuta pélvico, para o alívio da tensão muscular;
  • neurocirurgião que atua em nervos periféricos, quando a dor é neuropática e difícil de controlar.


O neurocirurgião que atua em nervos periféricos avalia o nervo com mais detalhe e indica, conforme o caso, bloqueios, neuromodulação ou outros procedimentos.


O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Nos casos de neuralgia do pudendo que não melhoram com o tratamento inicial, ele avalia se o neuroestimulador, um aparelho que ajuda a controlar a dor, é indicado para você.

O que esperar do tratamento?

Cada pessoa responde de um jeito. Algumas sentem melhora importante, outras só parcial. O objetivo é devolver qualidade de vida: sentar com mais conforto, trabalhar, dormir melhor e voltar às atividades do dia a dia.


É importante saber que:


  • o alívio pode levar semanas ou meses;
  • às vezes é preciso combinar mais de um tratamento;
  • nenhum médico pode garantir resultado. As revisões científicas mostram que as respostas variam e que ainda faltam estudos comparando os tratamentos entre si.

Perguntas frequentes sobre neuralgia do pudendo

Neuralgia do pudendo tem cura?

Depende da causa. Em alguns casos, como quando existe uma compressão que pode ser tratada, a dor melhora muito ou até desaparece. Em outros, o objetivo é controlar a dor e devolver qualidade de vida. Só a avaliação médica mostra qual é o seu caso.

A dor piora ao sentar. Isso é sinal de neuralgia do pudendo?

Pode ser. A dor que piora sentado e alivia em pé, deitado ou sentado no vaso sanitário é um sinal típico. Mas outras doenças também causam dor ao sentar, como hemorroidas, problemas na próstata ou nos músculos da pelve. Por isso é importante ser avaliado por um médico.

Qual exame detecta a neuralgia do pudendo?

Não existe um exame único. O diagnóstico é principalmente clínico. A ressonância magnética da pelve ajuda a descartar tumores e outras causas, e o bloqueio anestésico do nervo ajuda a confirmar o diagnóstico.

Neuralgia do pudendo é grave?

Ela não coloca a vida em risco, mas pode atrapalhar muito o sono, o trabalho e a vida sexual. Procure atendimento rápido se houver perda de controle da urina ou das fezes, dificuldade súbita para urinar, febre com dor intensa ou fraqueza nas pernas.

Todo paciente precisa operar?

Não. A maioria dos casos é tratada primeiro com cuidados do dia a dia, fisioterapia, remédios e bloqueios. A neuroestimulação ou a cirurgia ficam para os casos em que a dor continua forte apesar dessas medidas.

Posso fazer a consulta por teleconsulta?

Sim. A teleconsulta serve para uma primeira avaliação, para tirar dúvidas e para definir os próximos passos. Se for necessário examinar ou fazer algum procedimento, a avaliação presencial é combinada com você.

Qual médico devo procurar primeiro?

Você pode começar pelo médico que já acompanha você (clínico, urologista, ginecologista ou coloproctologista) para descartar outras causas. Se a dor for neuropática, intensa ou não melhorar, vale procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos ou um médico da dor.

A teleconsulta permite conversar com um neurocirurgião que atua em nervos periféricos sem sair de casa. Ela é útil para uma primeira avaliação, para tirar dúvidas e para decidir os próximos passos. Se for preciso examinar ou fazer algum procedimento, a avaliação presencial é combinada com você. Saiba como funciona.

Sobre o Dr. Thomas Marcolini

Dr. Thomas Marcolini palestrando em congresso internacional de neurocirurgia em Miami

O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos e no tratamento da dor neuropática. Atende presencialmente em Curitiba (PR) e em São Paulo (SP) e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.


Na consulta, ele escuta a sua história, examina com calma e explica cada opção de tratamento em linguagem clara, para que você possa decidir com segurança.

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Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Não use este texto para se diagnosticar nem para começar ou parar tratamentos. Cada caso precisa ser avaliado por um médico.

Fontes consultadas

  1. Ahmed M, et al. The Diagnosis and Management of Pudendal Neuralgia. Pain Ther. 2025;15(1):97-129. doi.org/10.1007/s40122-025-00803-w
  2. Andiman SE, et al. Impact of Treatment of Pudendal Neuralgia on Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis. Int Urogynecol J. 2025;36(1):35-58. doi.org/10.1007/s00192-024-06004-x
  3. Mylle T, et al. Surgical approaches for pudendal nerve entrapment: insights from a systematic review and meta-analysis. Surg Endosc. 2024;38(8):4160-4170. doi.org/10.1007/s00464-024-10990-w
  4. Bautrant E. Névralgies pudendales. Rev Prat. 2025;75(4):392-396. PubMed 40546147
  5. NHS. Pudendal neuralgia. nhs.uk/conditions/pudendal-neuralgia

Conteúdo revisado em outubro de 2026.

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
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