Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • February 5, 2024

Lesão do nervo tibial: sintomas, causas e tratamento

Resumo rápido

  • O nervo tibial leva força e sensibilidade para a panturrilha e para a sola do pé.
  • Os sinais mais comuns são dor, queimação, formigamento, dormência e fraqueza para ficar na ponta dos pés.
  • Muitos casos são tratados sem cirurgia. Quando isso não resolve, a cirurgia para liberar o nervo pode ser indicada.
  • Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco de dano permanente ao nervo.

Para que serve o nervo tibial?

O nervo tibial é um dos dois grandes ramos do nervo ciático, que se divide na parte de trás do joelho. Ele desce pela panturrilha até o pé e funciona como um "cabo" que leva força e sensibilidade para essa região. É graças a ele que você consegue:

  • ficar na ponta dos pés e dar impulso ao caminhar;
  • dobrar os dedos do pé e manter o tornozelo firme;
  • sentir o chão, o calor e a dor na sola do pé.

Quando o nervo tibial é machucado ou apertado, o pé perde força e sensibilidade, e o equilíbrio e a caminhada ficam prejudicados. Por isso, quanto antes o problema for descoberto, melhor.

Principais sinais de lesão no nervo tibial

Ilustração 3D da anatomia do pé, ossos, músculos e nervos, sinais de lesão do nervo tibial

Os sintomas podem aparecer aos poucos ou de uma vez, por exemplo depois de uma pancada, de uma fratura ou de uma cirurgia. Veja os sinais mais comuns:

Dor ou queimação

Começa atrás do tornozelo ou na panturrilha e pode se espalhar até a sola do pé. Costuma piorar ao caminhar.

Formigamento e choques

Sensação de agulhadas, choques ou "pé dormente", principalmente na sola e nos dedos.

Fraqueza na panturrilha

Dificuldade para ficar na ponta dos pés, subir escadas ou dar impulso ao caminhar.

Mudança no jeito de andar

Você passa a apoiar mais o outro pé, por causa da dor ou da falta de força.

Menos sensibilidade

Fica difícil sentir o chão, o calor ou um objeto cortante. Isso aumenta o risco de feridas no pé.

Panturrilha mais fina

Nos casos antigos, sem tratamento, o músculo pode perder volume (atrofia).

Procure atendimento sem demora se...

  • a força do pé ou da perna diminuiu de forma rápida;
  • o pé ficou dormente depois de uma queda, fratura, corte ou cirurgia;
  • você notou uma ferida no pé e não sentiu dor;
  • surgiram vermelhidão, calor, secreção ou febre depois de uma cirurgia.

Esses sinais pedem avaliação médica o quanto antes.

O que pode causar uma lesão no nervo tibial?

O nervo pode ser cortado, esticado ou apertado. Estas são as causas mais frequentes:

Pancadas e acidentes

Impactos fortes, cortes ou esmagamentos na parte de trás da perna, em acidentes ou esportes.

Fraturas e luxações

Quebras e deslocamentos perto do joelho e do tornozelo podem esticar ou apertar o nervo.

Aperto no caminho do nervo

Cistos, varizes, cicatrizes, pé muito plano ou tumores benignos podem pressionar o nervo, como no túnel do tarso.

Esforço repetido

Atividades com muito movimento do pé e do tornozelo, como corrida e saltos, podem irritar o nervo.

Doenças como o diabetes

Diabetes e artrite reumatoide deixam os nervos mais frágeis e sensíveis ao aperto (neuropatia).

Cirurgias e procedimentos

Operações ou injeções na região do joelho, da perna e do tornozelo podem machucar o nervo.

Como é feito o diagnóstico da lesão do nervo tibial?

Descobrir onde e por que o nervo está sofrendo é o que permite escolher o tratamento certo. O diagnóstico costuma ter quatro etapas:

  1. Conversa com o médico. Conte quando os sintomas começaram, onde dói, o que piora e o que melhora. Fale também de acidentes, cirurgias e doenças como o diabetes.
  2. Exame físico. O médico avalia a sensibilidade, a força da panturrilha e do pé, os reflexos e toca o caminho do nervo para ver se o formigamento aparece (sinal de Tinel).
  3. Eletroneuromiografia (ENMG). Exame que mede como o nervo e o músculo funcionam e ajuda a confirmar onde está o problema.
  4. Exames de imagem. Ultrassom ou ressonância magnética mostram o nervo e podem revelar o que o está apertando, como um cisto ou uma cicatriz.

Dica para a consulta

Leve seus exames antigos, a lista dos remédios que você usa e uma anotação de quando os sintomas pioram. Isso ajuda o médico a chegar ao diagnóstico mais rápido.

Compressão do nervo tibial na panturrilha

Ilustração anatômica da perna com seta indicando ponto de compressão do nervo tibial na panturrilha

Em alguns casos, o nervo é apertado na própria panturrilha, por uma faixa de músculo e tecido chamada arco do sóleo. É uma causa menos conhecida e, por isso, pode demorar a ser descoberta. Os sinais mais comuns são:

  • Dor ou desconforto na panturrilha: costuma ser o primeiro sinal e piora ao caminhar, correr ou subir escadas;
  • Fraqueza muscular: dificuldade para ficar na ponta dos pés;
  • Menos sensibilidade na sola do pé: é o sinal que mais preocupa, porque é a sensibilidade que nos protege de pisar em algo cortante sem perceber.

Se você notou esses sinais, procure uma avaliação com um médico experiente em nervos periféricos. O tratamento vai de repouso e medicação até fisioterapia ou cirurgia, conforme a gravidade.

Síndrome do túnel do tarso: dor e formigamento no pé

Ilustração anatômica do tornozelo com nervos em destaque, ponto de compressão da síndrome do túnel do tarso

O túnel do tarso é um espaço estreito na parte de dentro do tornozelo, por onde passam o nervo tibial, vasos e tendões. Quando o nervo é apertado ali, surge a síndrome do túnel do tarso, parecida com a síndrome do túnel do carpo, que acontece no punho. Os sinais mais comuns são:

  • choques, formigamento ou queimação na sola do pé e nos dedos;
  • inchaço ao redor do tornozelo;
  • dor ao caminhar ou ao ficar muito tempo em pé;
  • dor ao usar calçados que apertam o tornozelo.

Ela pode ser confundida com a fascite plantar, que também causa dor no calcanhar. Por isso, o diagnóstico correto é tão importante. Identificar e tratar cedo é a chave para evitar dano permanente no nervo.

Tratamento sem cirurgia: o que fazer nos primeiros dias

Na maioria dos casos, o tratamento começa sem cirurgia. O objetivo é aliviar a dor e tirar a pressão de cima do nervo. Nos primeiros dias, o médico pode orientar:

  • Repouso: evite correr, pular e subir muitas escadas até ser avaliado.
  • Gelo: por 15 minutos, algumas vezes ao dia, para reduzir o inchaço. Coloque sempre um pano fino entre o gelo e a pele.
  • Órtese ou apoio: quando indicados pelo médico, deixam o nervo descansar.
  • Perna elevada: ajuda a diminuir o inchaço sempre que possível.
  • Remédios: use somente com receita médica.
  • Fisioterapia leve: comece só depois da orientação do médico.

Dicas práticas para o dia a dia

O que ajuda

  • Use calçados macios, com bom apoio, que não apertem o tornozelo.
  • Olhe a sola dos pés todos os dias, principalmente se sentir o pé dormente.
  • Mantenha o diabetes e outras doenças sob controle.
  • Faça os alongamentos e exercícios que o fisioterapeuta ensinou.
  • Deixe a perna elevada quando o pé estiver inchado.

O que evitar

  • Andar descalço, principalmente em chão quente ou áspero.
  • Gelo ou bolsa quente direto na pele. Use sempre um pano fino e tenha cuidado em áreas dormentes.
  • Tomar anti-inflamatório ou outros remédios por conta própria.
  • Ficar muito tempo na mesma posição, pressionando o nervo.
  • Insistir em correr ou saltar quando a dor piora.

Fisioterapia e reabilitação do nervo tibial

Fisioterapeuta auxiliando idoso a caminhar em casa, reabilitação da lesão do nervo tibial

A fisioterapia ajuda a recuperar força, equilíbrio e movimento. O fisioterapeuta pode usar alongamentos, exercícios de fortalecimento, técnicas para soltar o nervo e, quando indicado, eletroterapia. Para ter bons resultados:

  • faça as sessões e os exercícios com regularidade, do jeito que foi orientado;
  • fortaleça a panturrilha e os músculos do pé aos poucos, sem forçar além do limite da dor;
  • use calçados confortáveis, que não apertem o tornozelo;
  • evite ficar em posições que pressionem o nervo por muito tempo;
  • controle doenças como o diabetes, que agridem os nervos;
  • conte ao fisioterapeuta qualquer mudança nos sintomas.

Remédios para dor e inflamação: o que o médico pode indicar

Os remédios ajudam a controlar os sintomas, mas não "consertam" o nervo sozinhos. Use somente com receita médica. Os grupos mais usados são:

  • Analgésicos simples, como o paracetamol, para dor leve;
  • Anti-inflamatórios, como ibuprofeno e naproxeno, que reduzem a inflamação e a dor. Podem causar problemas no estômago e nos rins e não devem ser usados sem orientação;
  • Corticoides, em comprimido ou injeção, nos casos de inflamação intensa;
  • Remédios para dor neuropática, como gabapentina e pregabalina, que acalmam a queimação e os choques;
  • Outras opções para dor forte, que só o médico pode indicar, com acompanhamento de perto.

Siga as doses e os horários indicados e avise seu médico sobre qualquer efeito colateral, como sonolência, tontura ou dor de estômago.

Quando a cirurgia no nervo tibial é necessária?

Dr. Thomas Marcolini utilizando microscópio cirúrgico durante procedimento de nervo tibial

A cirurgia é considerada quando o tratamento sem cirurgia não resolve ou quando há risco de dano permanente ao nervo. Ela costuma ser discutida se:

  • a dor continua forte mesmo com o tratamento adequado;
  • há perda importante de força ou de sensibilidade;
  • houve uma lesão grave, como fratura, corte ou esmagamento, que atingiu o nervo;
  • o nervo está apertado há muito tempo, como no túnel do tarso ou na panturrilha, e a liberação cirúrgica (descompressão) é a melhor saída;
  • existe algo apertando o nervo, como um cisto ou um tumor benigno, que só pode ser retirado com cirurgia.

Dependendo do caso, a cirurgia pode liberar o nervo, retirar o tecido de cicatriz ao redor dele ou reparar um trecho lesionado. A decisão é sempre tomada junto com o paciente, conversando sobre riscos, benefícios e o que esperar do resultado.

Cuidados depois da cirurgia

A recuperação é tão importante quanto a cirurgia. Siga as orientações da equipe médica:

  • Repouso: evite apoiar peso ou fazer pressão sobre a área operada, conforme a orientação.
  • Remédios: tome os medicamentos para dor e inflamação nas doses e horários indicados.
  • Fisioterapia: comece as sessões para recuperar movimento e força quando o médico liberar.
  • Curativo: mantenha o corte limpo e seco e siga as instruções da equipe.
  • Sinais de alerta: vermelhidão, inchaço, calor, secreção ou febre devem ser comunicados ao médico na hora.

Lembre-se: os nervos se recuperam devagar e a melhora pode levar meses. Tenha paciência e mantenha o acompanhamento.

Qual o melhor especialista para tratar o nervo tibial?

Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, sentado à mesa do consultório

Lesões de nervos exigem um olhar treinado. Por isso, o profissional mais indicado para investigar e tratar o problema é o neurocirurgião que atua em nervos periféricos, que trabalha junto com o fisioterapeuta, o ortopedista e o neurologista quando necessário.

O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos e atende em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta. Durante a consulta, ele irá:

  • fazer uma avaliação clínica detalhada, com o seu histórico e os seus sintomas;
  • pedir exames, como a eletroneuromiografia, para confirmar o dano ao nervo tibial;
  • explicar as opções de tratamento, que vão de remédios e fisioterapia até cirurgia, conforme a gravidade;
  • indicar outros profissionais, como fisioterapeutas especializados em reabilitação de nervos e músculos, se for necessário.

Já ouviu de algum médico que sua dor é "coisa da sua cabeça" ou que não há o que fazer? Se os sintomas continuam, busque uma nova avaliação especializada.

Perguntas frequentes sobre a lesão do nervo tibial

Como saber se o problema é no nervo tibial?

Dor, queimação, formigamento ou dormência na sola do pé, junto com fraqueza para ficar na ponta dos pés, são sinais de alerta. Só o exame médico, muitas vezes com a eletroneuromiografia, confirma se o problema está no nervo tibial.

A lesão do nervo tibial tem cura?

Depende da causa, do tempo de lesão e do quanto o nervo foi afetado. Muitos pacientes melhoram com o tratamento adequado, mas nenhum resultado pode ser prometido. Quanto antes o tratamento começa, melhores são as chances de recuperação.

Qual a diferença entre síndrome do túnel do tarso e fascite plantar?

As duas podem causar dor no calcanhar e na sola do pé. Na fascite plantar, a dor costuma ser mais forte nos primeiros passos do dia. No túnel do tarso, são comuns o formigamento, os choques e a queimação. O exame médico ajuda a separar uma da outra.

Quanto tempo o nervo leva para se recuperar?

Os nervos se regeneram devagar, em média cerca de 1 milímetro por dia. Por isso, a melhora pode levar meses. O tempo varia conforme a gravidade e o local da lesão.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia é considerada quando o tratamento sem cirurgia não resolve, quando a dor continua forte, quando há perda importante de força ou sensibilidade ou depois de uma lesão grave. A decisão é tomada junto com o paciente, depois de uma avaliação completa.

Posso fazer exercícios com lesão no nervo tibial?

Somente com orientação. Alongamentos e exercícios leves indicados pelo fisioterapeuta ajudam na recuperação. Evite correr, pular ou forçar o pé enquanto a dor estiver forte.

Que médico devo procurar?

O neurocirurgião que atua em nervos periféricos é indicado para investigar e tratar lesões de nervos. O ortopedista do pé e tornozelo, o neurologista e o fisioterapeuta também podem fazer parte do cuidado.

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Consultas particulares, presenciais em Curitiba e em São Paulo, ou por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

  • Curitiba: CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
  • São Paulo: CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003
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Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Não use estas informações para se automedicar nem para decidir sozinho sobre um tratamento. Cada caso é único e precisa de avaliação individual.

Conteúdo revisado por Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos. CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 · CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003.

Fontes consultadas (PubMed)

  • Sha I. Tarsal Tunnel Syndrome: a comprehensive review. Iowa Orthop J. 2024;44(2):32-36. PubMed
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  • van den Hurk L, et al. Exercise induced neuropathic lower leg pain due to a tibial bone exostosis. Phys Sportsmed. 2021;49(3):363-366. DOI
  • Nweke TC. Plantar fasciitis: evidence-based diagnosis and management. Cureus. 2025;17(7):e88745. DOI

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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