

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Biópsia de nervo sural: quando é indicada, como é feita e como é a recuperação
O que é a biópsia de nervo?
A biópsia de nervo é um exame em que o médico retira um pedacinho bem pequeno de um nervo para analisar no microscópio. Ela serve para descobrir a causa de uma neuropatia, quando formigamento, dormência, queimação, dor ou fraqueza nos braços e nas pernas continuam sem explicação, mesmo depois de exames de sangue, de imagem e da eletroneuromiografia.
O nervo mais usado é o nervo sural. Ele passa pela lateral do tornozelo e leva apenas sensibilidade, ou seja, não move nenhum músculo. Por isso, retirar um pequeno trecho dele costuma deixar só uma pequena área de dormência na borda do pé.
Quando a biópsia de nervo é indicada?

Nem toda neuropatia precisa de biópsia. Na maioria dos casos, a conversa com o médico, o exame neurológico, os exames de sangue e a eletroneuromiografia já ajudam a chegar ao diagnóstico.
A biópsia entra em cena quando esses exames não explicam o problema e a resposta pode mudar o tratamento. O estudo do nervo no laboratório pode mostrar, por exemplo, inflamação nos vasos do nervo (vasculite), neuropatias de origem imunológica, depósito de substâncias como na amiloidose, infecções como a hanseníase e algumas doenças hereditárias.
Dica: leve para a consulta todos os exames que você já fez. Eles evitam repetições e ajudam o médico a decidir se a biópsia realmente é necessária.
Sintomas sem causa definida
Formigamento, dormência, dor ou fraqueza que continuam sem explicação depois dos exames.
Suspeita de inflamação ou doença autoimune
Como a vasculite do nervo e outras neuropatias de origem imunológica.
Suspeita de amiloidose ou infecção
Como a amiloidose e a hanseníase, em que o estudo do nervo ajuda a confirmar o diagnóstico.
Quando o resultado muda o tratamento
A biópsia é considerada quando a resposta ajuda a escolher o melhor caminho de cuidado.
Como é feita a biópsia de nervo sural?
A cirurgia é pequena e acontece na lateral do tornozelo, atrás do osso que fica saliente (maléolo lateral). Na maioria das vezes usa-se anestesia local, e a pessoa volta para casa no mesmo dia.
O médico faz um corte curto na pele, encontra o nervo sural, retira um trecho pequeno e fecha com pontos. O fragmento segue para o laboratório de patologia, onde passa por um preparo especial antes de ser analisado ao microscópio.
Veja abaixo o passo a passo:
- 1
Consulta e exames
O médico revisa seus sintomas e os exames anteriores e confirma se a biópsia é necessária.
- 2
Anestesia
Na maioria das vezes é local, na lateral do tornozelo.
- 3
Pequeno corte
O médico encontra o nervo sural e retira um trecho pequeno.
- 4
Curativo e alta
A pele é fechada com pontos e, em geral, você vai para casa no mesmo dia.
- 5
Laboratório e resultado
O nervo é analisado ao microscópio e o médico explica o laudo na consulta de retorno.
Como se preparar e o que perguntar na consulta

Antes de marcar a biópsia, converse com calma com o médico. Esse é o momento de entender por que o exame foi pedido e o que ele pode mudar no seu tratamento.
Informe todos os remédios que você usa, principalmente anticoagulantes, antiagregantes e corticoides, além de alergias e doenças como diabetes. Não suspenda nenhum remédio por conta própria: o médico vai dizer o que deve ser ajustado antes do procedimento.
Leve para a consulta
- Exames que você já fez: eletroneuromiografia, exames de sangue e de imagem.
- Lista de todos os remédios que você usa e das suas alergias.
- Um resumo dos sintomas: quando começaram, onde aparecem e o que piora ou melhora.
Perguntas para fazer ao médico
- Por que a biópsia foi indicada e o que o resultado pode mudar no meu tratamento?
- Existe alguma alternativa a esse procedimento?
- Quais são os riscos no meu caso?
- Como serão a anestesia e a recuperação?
- Quando sai o resultado e como ele será explicado?
Riscos e possíveis complicações
Como toda cirurgia, a biópsia de nervo tem riscos. As complicações são pouco frequentes quando o exame é bem indicado e feito por quem tem experiência em cirurgia de nervos. Os pontos de atenção são:
- Dormência na lateral do pé: é esperada, porque o nervo sural leva a sensibilidade dessa área. Em geral, incomoda pouco no dia a dia.
- Infecção no local: possível, mas incomum. Por isso o curativo precisa ficar limpo e seco.
- Sangramento ou hematoma: raro, e mais comum em quem usa remédios que afinam o sangue.
- Demora na cicatrização: pode acontecer em quem tem diabetes, má circulação ou usa corticoide.
- Dor ou sensibilidade na cicatriz: costuma ser passageira. Se continuar, converse com o médico.
Cuidados depois da biópsia
Na maioria dos casos a pessoa consegue caminhar no mesmo dia, mas os primeiros dias pedem cuidado. Seguir as orientações ajuda a cicatrizar bem e a evitar problemas.
Dicas para uma boa recuperação
- Mantenha o curativo limpo e seco até o médico liberar.
- Ao sentar ou deitar, deixe a perna elevada para reduzir o inchaço.
- Evite caminhadas longas e esforço nos primeiros dias.
- Use apenas os remédios indicados pelo médico.
- Vá à consulta de retorno para retirar os pontos e receber o resultado.
Procure atendimento se houver
- Febre.
- Vermelhidão que aumenta ou secreção no local.
- Inchaço ou dor que pioram em vez de melhorar.
- Sangramento que molha o curativo.
Nesses casos, fale com o médico ou procure um pronto atendimento.
Como escolher o médico para a biópsia de nervo

A biópsia de nervo é uma cirurgia pequena, mas delicada. Por isso, vale escolher um médico com experiência em nervos periféricos. Algumas dicas ajudam nessa decisão:
- Confira o CRM e o RQE do médico no site do Conselho Regional de Medicina.
- Pergunte quantas biópsias e cirurgias de nervo ele realiza.
- Veja se ele explica com clareza por que o exame é necessário e quais são as alternativas.
O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Ele atende em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta. Na consulta, o objetivo é avaliar com calma se a biópsia é mesmo necessária no seu caso.
Quer avaliar o seu caso?
Se você tem formigamento, dormência, dor ou fraqueza sem diagnóstico, a consulta é o primeiro passo para saber se a biópsia de nervo é mesmo necessária. Atendimento particular, presencial em Curitiba e em São Paulo ou por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.
Agendar consulta pelo WhatsAppPerguntas frequentes sobre biópsia de nervo
Qual nervo é usado na biópsia de nervo?
O nervo mais usado é o nervo sural, que fica na lateral do tornozelo e do pé.
Por que o nervo sural é o mais usado?
Porque ele leva apenas a sensibilidade da lateral do pé e não move nenhum músculo da perna. Ele também fica logo abaixo da pele, o que facilita o acesso.
O que eu perco de sensibilidade depois da biópsia?
Uma pequena área na lateral do pé e do tornozelo costuma ficar dormente. Essa região é menos importante no dia a dia do que a sola do pé, e muitas pessoas se adaptam bem.
O nervo sural faz algum movimento?
Não. Ele é um nervo só sensitivo. Por isso, a biópsia não tira força nem atrapalha o movimento da perna e do pé.
A biópsia de nervo dói?
Com anestesia local, você não sente dor durante o procedimento. Depois, pode haver um desconforto leve no local, que costuma ser controlado com o analgésico indicado pelo médico.
Preciso ficar internado?
Na maioria das vezes não. A biópsia costuma ser feita sem internação, e você vai para casa no mesmo dia. O médico confirma isso de acordo com o seu caso.
Quanto tempo demora o resultado?
Pode levar algumas semanas, porque o nervo passa por um preparo especial no laboratório de patologia. O médico informa o prazo e explica o laudo na consulta de retorno.
A biópsia de nervo é sempre necessária?
Não. Muitas neuropatias são diagnosticadas com a história clínica, exames de sangue e eletroneuromiografia. A biópsia fica para os casos em que o diagnóstico continua incerto e o resultado pode mudar o tratamento.
Qual médico faz a biópsia de nervo sural?
É uma cirurgia feita por médicos com treinamento em cirurgia de nervos, como o neurocirurgião que atua em nervos periféricos. O Dr. Thomas Marcolini atende em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta.
Fontes consultadas (PubMed)
- King R, Ginsberg L. The nerve biopsy: indications, technical aspects, and contribution. Handb Clin Neurol. 2013;115:155-170. doi.org/10.1016/B978-0-444-52902-2.00009-6
- Hart MG, Santarius T, Trivedi RA. Muscle and nerve biopsy for the neurosurgical trainee. Br J Neurosurg. 2013;27(6):727-734. doi.org/10.3109/02688697.2013.793288
- Thornton JF, Wang J, Riley CJ. Medial sural cutaneous nerve biopsy. J Clin Neuromuscul Dis. 2006;7(3):164-170. doi.org/10.1097/01.cnd.0000211402.02069.d6
Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Não use este texto para se diagnosticar ou iniciar qualquer tratamento por conta própria. Se tiver dúvidas ou sintomas novos, procure um médico.
Dr. Thomas Marcolini
Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

