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Pé equino: quando o calcanhar não encosta no chão

Depois de um AVC, de um traumatismo craniano ou de outras lesões do cérebro e da medula, a panturrilha pode ficar dura e puxar o pé para baixo. Isso se chama pé equino espástico. Aqui você entende, em linguagem simples, por que isso acontece, o que ajuda no dia a dia e quais tratamentos existem.

  • Depois do AVC
  • Traumatismo craniano
  • Paralisia cerebral
  • Lesão na medula
Dr. Thomas Marcolini examina o tornozelo de um paciente com o pé apontado para baixo, posição típica do pé equino
Atendimento Curitiba, São Paulo e teleconsulta
Entenda o problema

O que é pé equino?

Pé equino é quando o pé fica apontado para baixo e a pessoa não consegue apoiar o calcanhar no chão.

O nome vem do cavalo (equino), que pisa apenas com a ponta do casco. A pessoa passa a andar na ponta do pé, perde o equilíbrio com mais facilidade e cansa mais rápido.

Na espasticidade, isso acontece porque os músculos da panturrilha (a “batata da perna”) ficam contraídos o tempo todo e puxam o tendão de Aquiles para cima. Com o tempo, se nada for feito, o músculo e o tendão encurtam de verdade e o pé fica preso nessa posição.

Muitas vezes o pé também vira para dentro ao pisar. Os médicos chamam isso de pé equinovaro.

Por que acontece

O que é espasticidade e por que ela causa o pé equino?

Espasticidade é a rigidez dos músculos causada por uma lesão no cérebro ou na medula. O músculo não está “fraco”: ele está tenso demais e não relaxa quando deveria.

Na perna, os músculos mais fortes são os da panturrilha. Por isso, quando a espasticidade aparece, eles vencem a disputa e puxam o pé para baixo.

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Um jeito simples de entender

Pense no cérebro como o freio dos músculos. Quando uma lesão atinge as áreas que controlam o movimento, esse freio falha e o músculo fica acelerado : duro e contraído, mesmo em repouso.

Causas mais comuns

AVC (derrame)

A causa mais frequente em adultos. O pé equino pode surgir semanas ou meses depois.

Traumatismo craniano

Após acidentes de carro, moto, quedas ou agressões com lesão no cérebro.

Paralisia cerebral

Lesão do cérebro na gestação, no parto ou nos primeiros anos de vida.

Lesão na medula

Por trauma na coluna, compressões ou doenças da medula espinhal.

Esclerose múltipla

E outras doenças que afetam o sistema nervoso central.

Falta de oxigênio no cérebro

Por exemplo, após parada cardíaca ou afogamento.

Não confunda

Pé equino é diferente de pé caído

Os dois deixam o pé “para baixo”, mas por motivos opostos. Saber a diferença muda o tratamento.

Pé equino espástico

A panturrilha puxa demais

  • O que acontece O músculo da batata da perna fica tenso e puxa o pé para baixo.
  • Como fica o pé Duro, difícil de levantar até com ajuda das mãos.
  • Origem Lesão no cérebro ou na medula (AVC, trauma, paralisia cerebral).
Pé caído

A frente da perna não tem força

  • O que acontece Os músculos que levantam o pé ficam fracos ou paralisados.
  • Como fica o pé Mole: cai e arrasta ao andar, mas sobe fácil com ajuda.
  • Origem Em geral, lesão de nervo (como o nervo fibular) ou da coluna.

Em algumas pessoas os dois problemas aparecem juntos. Quer saber mais sobre o outro lado? Veja a página sobre pé caído.

Vídeos

Entenda em menos de 3 minutos

Vídeos curtos do Dr. Thomas Marcolini explicando o pé equino e os cuidados mais importantes.

Cirurgia da espasticidade: tratamento do pé equino

Como a cirurgia ajuda o calcanhar a voltar a encostar no chão depois de um AVC.

Pé caído e pé equino: o que nunca fazer

O erro mais comum no dia a dia e por que fortalecer a panturrilha pode piorar.

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Tratamento

Como tratar o pé equino: do mais simples ao cirúrgico

O tratamento costuma seguir uma escada. Começa pelo mais simples e sobe de degrau quando o anterior não basta. Muitas vezes, os passos são combinados.

  1. Base de tudo

    Fisioterapia e alongamento

    Mantém o comprimento do músculo, treina o equilíbrio e ensina a pisar com mais segurança. Deve continuar mesmo quando outros tratamentos são feitos.

  2. Proteção do pé

    Órtese e bom posicionamento

    A órtese (tipo “bota” de plástico, chamada AFO) segura o pé em ângulo reto ao andar ou durante a noite. Ajuda a evitar que o tendão encurte ainda mais.

  3. Relaxa o músculo

    Toxina botulínica (Botox)

    Aplicada com agulha nos músculos da panturrilha, diminui a rigidez por alguns meses. Funciona melhor quando o tendão ainda não encurtou de vez e sempre junto com a fisioterapia.

  4. Quando os outros passos não bastam

    Cirurgia para pé equino

    É indicada quando o pé continua preso para baixo, o efeito da toxina dura pouco ou a órtese já não consegue manter o pé no lugar. A cirurgia é feita na perna, sem mexer no cérebro. As técnicas mais usadas são:

    Neurotomia seletiva do nervo tibial

    Reduz parte dos ramos do nervo que levam o “excesso de comando” à panturrilha. A rigidez diminui e a força útil costuma ser preservada.

    Alongamento do tendão de Aquiles

    Quando o tendão já encurtou e o pé não chega ao ângulo reto nem com ajuda.

    Transferência de tendão

    Quando o pé também vira para dentro, um tendão muda de lugar para equilibrar a pisada.

    A escolha depende do exame de cada pessoa. A cirurgia não trata a lesão do cérebro, mas pode melhorar o apoio do pé, a marcha, o uso da órtese, a higiene e a dor. Os resultados variam de pessoa para pessoa.

    Dr. Thomas Marcolini opera com lupas cirúrgicas, ao lado da instrumentadora, em cirurgia de nervos periféricos
Na prática

Dicas úteis para o dia a dia

Pequenos cuidados em casa ajudam o tratamento a funcionar melhor e evitam quedas. Combine sempre com as orientações do seu fisioterapeuta.

Dica 1

Alongue a panturrilha todos os dias

De pé, com as mãos na parede, deixe a perna afetada atrás com o calcanhar no chão e o joelho esticado. Segure de 30 a 60 segundos, sem dor forte. Repita algumas vezes ao dia.

Dica 2

Use a órtese do jeito certo

Sempre com meia e bem ajustada. Ao tirar, olhe a pele: vermelhidão que não some em cerca de 30 minutos é sinal de que a órtese precisa de ajuste.

Dica 3

Escolha um sapato firme e fechado

Prefira calçado com o calcanhar firme, sola antiderrapante e espaço para a órtese. Evite chinelos, sandálias soltas e saltos.

Dica 4

Deixe a casa sem tropeços

Retire tapetes soltos e fios do caminho, deixe uma luz acesa à noite até o banheiro e instale barras de apoio no box e perto do vaso.

Dica 5

Aqueça antes de alongar

Um banho morno ou uma compressa morna na panturrilha ajuda o músculo a relaxar antes dos exercícios. Se a sensibilidade estiver alterada, teste a temperatura com a outra mão.

Dica 6

Cuide da posição na cama e na cadeira

Não deixe o pé pendurado para fora da cama nem apoiado só na ponta. Sentado, apoie o pé inteiro no chão ou em um apoio firme.

Atenção

Não force a “batata da perna”

Exercícios para fortalecer a panturrilha, como ficar na ponta dos pés, costumam aumentar a rigidez e piorar o pé equino. Treino de força só com orientação profissional.

Atenção

Não espere o pé travar

Quanto antes o tratamento começa, menor o risco de o tendão encurtar de vez. Mas, mesmo anos depois do AVC, ainda existem opções.

Hora de agir

Quando procurar uma avaliação?

  • O calcanhar não encosta no chão, mesmo com a órtese
  • O efeito da toxina botulínica dura pouco ou já não funciona
  • Surgiram dor, calos ou feridas no pé
  • As quedas ou tropeços estão mais frequentes
  • Está difícil calçar o sapato ou fazer a higiene do pé
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Prepare-se

O que levar na consulta

  1. Exames e laudos que você já tem (ressonância, tomografia, eletroneuromiografia)
  2. A lista de remédios em uso e as datas das aplicações de toxina
  3. A órtese e o sapato que você usa no dia a dia
  4. Um relatório da fisioterapia, se tiver

Dica de ouro: grave com o celular um vídeo curto de 20 a 30 segundos da pessoa andando, de frente e de lado. Ajuda muito na avaliação, principalmente na teleconsulta.

Dúvidas frequentes

Perguntas e respostas sobre pé equino

Toque em cada pergunta para ver a resposta.

Pé equino tem cura?

Depende da causa e de há quanto tempo o problema existe. A lesão no cérebro ou na medula não desaparece, mas é possível melhorar bastante o apoio do pé, a marcha e o conforto com o tratamento certo. Não existe garantia de resultado: o objetivo é ganhar função e qualidade de vida.

Qual a diferença entre pé equino e pé caído?

No pé equino, a panturrilha está tensa demais e puxa o pé para baixo; o pé fica duro. No pé caído, os músculos que levantam o pé estão fracos; o pé fica mole e arrasta. As causas e os tratamentos são diferentes.

A toxina botulínica (Botox) resolve o pé equino?

Ajuda muito quando o problema principal é a rigidez do músculo, e o efeito dura alguns meses. Se o tendão já encurtou, a toxina sozinha não consegue esticá-lo. Nesses casos, a cirurgia pode ser considerada.

Já faz anos do AVC. Ainda dá para tratar?

Sim. Muitas pessoas são avaliadas anos depois do AVC ou do trauma. O exame mostra quanto o pé ainda se movimenta e qual tratamento faz sentido para cada caso.

A cirurgia para pé equino é feita no cérebro?

Não. A cirurgia é feita na perna, nos nervos e tendões que controlam o pé. Depois, o pé fica protegido por algumas semanas e a fisioterapia é parte essencial da recuperação. O tempo exato depende da técnica e é explicado na consulta.

Preciso continuar a fisioterapia depois do tratamento?

Sim. Toxina e cirurgia abrem uma “janela” de melhora, mas é a fisioterapia que transforma essa melhora em marcha mais segura no dia a dia.

Onde o Dr. Thomas Marcolini atende?

As consultas são particulares, presenciais em Curitiba e em São Paulo. Quem mora em outra cidade ou no exterior pode começar pela teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, sorrindo de jaleco branco no consultório
Quem cuida do seu caso

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

  • Fellowship em cirurgia de nervos periféricos pela Universidade de Buenos Aires
  • Tratamento cirúrgico das sequelas de AVC e da espasticidade nos membros
  • Atendimento em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta (português, inglês e espanhol)
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003
Agendar avaliação

Aviso: conteúdo educativo. Não substitui a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Referências: Deltombe T et al. Assessment and treatment of spastic equinovarus foot after stroke: guidance from the Mont-Godinne interdisciplinary group. J Rehabil Med. 2017 ( PubMed). Simpson DM et al. Practice guideline update summary: botulinum neurotoxin for the treatment of blepharospasm, cervical dystonia, adult spasticity, and headache. Neurology. 2016 ( PubMed).