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Espasticidade: tratamento e cirurgia para o músculo duro após o AVC

Depois de um AVC, de um traumatismo craniano ou de outras lesões do cérebro e da medula, alguns músculos ficam duros e puxando o tempo todo. O braço dobra, a mão fecha, o pé aponta para baixo. Isso se chama espasticidade. Aqui você entende, em linguagem simples, por que isso acontece, o que ajuda em casa e quando a cirurgia pode ser uma opção.

Depois do AVC Traumatismo craniano Paralisia cerebral Lesão na medula

Entenda o problema

O que é espasticidade?

Pense no cérebro e na medula como o freio dos músculos. Eles mandam o músculo contrair na hora certa e relaxar logo depois.

Quando essa área sofre uma lesão, como um AVC (derrame) ou uma pancada forte na cabeça, o freio falha. O músculo passa a receber comando demais e fica contraído, duro e puxando o braço ou a perna para uma posição fixa.

Por isso a espasticidade costuma piorar com movimentos rápidos, frio, dor, cansaço e nervosismo, e melhora um pouco com calma e calor.

Importante: nem toda espasticidade precisa ser eliminada. Às vezes, uma perna um pouco dura ajuda a pessoa a ficar de pé. O objetivo do tratamento é melhorar o que atrapalha de verdade: dor, higiene, vestir a roupa, andar e usar a mão.

Como reconhecer

Onde a espasticidade aparece

Cada pessoa tem um padrão, mas alguns são muito comuns. Veja se você reconhece algum deles:

No braço e na mão

  • Ombro colado ao corpo
  • Cotovelo dobrado, difícil de esticar
  • Antebraço virado com a palma para baixo
  • Punho dobrado e dedos fechados
  • Polegar preso dentro da palma
Guia da mão fechada após AVC →

Na perna e no pé

  • Coxas fechando, pernas “em tesoura”
  • Joelho duro, muito esticado ou dobrado
  • Pé apontado para baixo e virado para dentro
  • Calcanhar que não encosta no chão
  • Dedos do pé encolhidos “em garra”
Guia do pé equino →

Sinais que costumam vir junto:

Dor Espasmos e trancos Feridas na palma ou nas dobras Dificuldade para lavar e vestir Tropeços e quedas

Não confunda

Músculo duro ou músculo encurtado?

As duas coisas deixam o braço ou o pé “travado”, mas o tratamento é diferente. Essa diferença é uma das primeiras coisas avaliadas na consulta.

Espasticidade

O músculo está duro, mas ainda estica

Com calma e alongamento lento, a articulação ainda abre. A rigidez muda ao longo do dia e piora com frio, dor ou nervosismo.

Costuma ajudar: fisioterapia, órteses, Botox e neurotomia seletiva.
Encurtamento

O músculo e o tendão ficaram curtos

Com o tempo, sem tratamento, o músculo encolhe de verdade. Mesmo com calma, a mão não abre ou o calcanhar não desce.

Costuma ajudar: alongamento ou transferência de tendão por cirurgia.

O tempo conta. Tratar cedo evita que a espasticidade vire encurtamento. Mas casos antigos, de muitos anos, também podem melhorar com cirurgia.

Tratamento

Como tratar a espasticidade: do mais simples ao cirúrgico

O tratamento funciona como uma escada. Começa pelo mais simples e sobe de degrau quando o anterior não basta. Muitas vezes, os passos são combinados.

1
Base de tudo

Fisioterapia e terapia ocupacional

Alongamento diário, treino dos movimentos e orientação para casa. Deve continuar mesmo quando outros tratamentos são feitos.

2
Posicionamento

Órteses (talas) e boa postura

Mantêm a mão aberta ou o pé em ângulo reto por algumas horas, geralmente à noite, e ajudam a evitar que o tendão encurte.

3
Remédios

Relaxantes musculares por via oral

Agem no corpo todo. Podem dar sono e fraqueza, por isso só devem ser usados com receita e acompanhamento médico.

4
Relaxa o músculo

Toxina botulínica (Botox)

Aplicada só nos músculos mais duros. Começa a agir em 3 a 7 dias e dura cerca de 3 a 4 meses. Entenda o Botox para espasticidade →

Quando o efeito não dura ou o músculo já encurtou
5
Cirurgia nos nervos

Neurotomia seletiva

O cirurgião reduz parte dos ramos do nervo que levam o “excesso de comando” ao músculo. A rigidez diminui de forma duradoura e a força útil costuma ser preservada.

6
Cirurgia nos tendões

Alongamento e transferência de tendão

Quando o músculo já encurtou, o tendão é alongado ou reposicionado para o braço esticar, a mão abrir ou o pé apoiar no chão. Saiba mais sobre transferência de tendão →

Quando pensar em cirurgia?

  • O Botox funciona, mas o efeito passa rápido
  • O músculo já encurtou e não estica mais
  • Há dor, feridas ou dificuldade de higiene
  • É difícil calçar o sapato, apoiar o pé ou andar

O que esperar da cirurgia?

A cirurgia é feita no braço ou na perna, sem mexer no cérebro. Ela não trata a lesão do AVC, mas pode diminuir a rigidez e a dor e facilitar a higiene, o vestir e o andar.

A técnica depende do exame de cada pessoa, e os resultados variam de caso para caso.

Vídeos

Assista e entenda melhor

Vídeos curtos do Dr. Thomas Marcolini sobre espasticidade e sequelas de AVC na perna e no pé.

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Erros comuns do dia a dia que pioram o problema.

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Na prática

Dicas úteis para o dia a dia

Pequenos cuidados em casa fazem o tratamento funcionar melhor e evitam que a rigidez aumente.

1

Alongue todos os dias, devagar

Movimentos lentos, segurando de 30 a 60 segundos, sem trancos. Puxões rápidos fazem o músculo endurecer mais.

2

Use a órtese no horário combinado

Geralmente à noite. Ao tirar, olhe a pele: marcas vermelhas que não somem em 30 minutos indicam que precisa de ajuste.

3

Posicione bem na cama e na cadeira

Braço apoiado em um travesseiro, um pouco afastado do corpo. Pé apoiado em ângulo reto, sem ficar caído.

4

Calor morno antes de alongar

Banho ou compressa morna ajudam a soltar. Se a sensibilidade estiver diminuída, teste a temperatura antes para não queimar.

5

Cuide do que piora a rigidez

Infecção urinária, intestino preso, feridas, unha encravada, roupa apertada e dor deixam o músculo mais duro.

6

Higiene da mão fechada

Abra a mão devagar, lave e seque bem a palma e entre os dedos. Isso evita feridas, fungos e mau cheiro.

7

Previna quedas

Calçado fechado e firme, tapetes presos, boa iluminação e corrimão. O pé equino aumenta os tropeços.

8

Aproveite a janela do Botox

Capriche na fisioterapia nas semanas seguintes à aplicação. É quando o músculo está mais solto.

Para quem cuida: nunca force a articulação. Se doer ou travar, pare, respire e tente de novo mais devagar. Na dúvida, peça orientação ao fisioterapeuta.

Hora de agir

Quando procurar uma avaliação?

  • O braço, a mão ou o pé estão cada vez mais fechados
  • Dor ou espasmos atrapalham o sono e o dia a dia
  • Está difícil lavar a mão, vestir a roupa ou calçar o sapato
  • O Botox funciona, mas o efeito passa rápido
  • O calcanhar não encosta no chão ou você tropeça muito
  • Já faz anos do AVC e disseram que não há mais o que fazer

Piorou de repente?

Se a rigidez aumentou de uma hora para outra, procure um médico. Muitas vezes há uma causa escondida, como infecção urinária, ferida ou dor.

Nova fraqueza, fala enrolada ou boca torta? Vá ao pronto-socorro na hora: pode ser um novo AVC.

Uma avaliação mostra o que ainda pode melhorar no seu caso, mesmo depois de muito tempo.

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Dúvidas frequentes

Perguntas e respostas sobre espasticidade

Toque em cada pergunta para ver a resposta.

Espasticidade tem cura?

A lesão do cérebro não volta atrás, mas a espasticidade pode ser bem controlada. Com o tratamento certo, muitas pessoas ficam com menos rigidez, menos dor e mais facilidade no dia a dia.

Já faz anos do AVC. Ainda dá para tratar?

Sim. Mesmo em casos antigos, é possível diminuir a rigidez e corrigir encurtamentos com cirurgia. A avaliação mostra o que ainda pode melhorar.

A cirurgia para espasticidade é feita no cérebro?

Não. A cirurgia é feita no braço ou na perna, nos nervos e tendões que controlam os músculos endurecidos.

O Botox resolve sozinho?

O Botox relaxa o músculo por cerca de 3 a 4 meses e funciona melhor junto com fisioterapia e órteses. Quando o efeito dura pouco ou o músculo já encurtou, a cirurgia pode ser uma opção mais duradoura.

A cirurgia tira a força do braço ou da perna?

A neurotomia seletiva reduz só parte dos ramos do nervo, justamente para diminuir a rigidez e preservar a força útil. A técnica é escolhida caso a caso.

Só quem teve AVC tem espasticidade?

Não. Ela também aparece depois de traumatismo craniano, paralisia cerebral, lesão na medula, esclerose múltipla e falta de oxigênio no cérebro.

Onde o Dr. Thomas Marcolini atende?

Em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos e no tratamento cirúrgico da espasticidade

Quem cuida do seu caso

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

  • Fellowship em cirurgia de nervos periféricos pela Universidade de Buenos Aires
  • Tratamento cirúrgico das sequelas de AVC e da espasticidade nos braços e nas pernas
  • Atendimento em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta (português, inglês e espanhol)
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003
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Aviso: conteúdo educativo. Não substitui a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual, e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Referências:

  1. Thibaut A, et al. Spasticity after stroke: physiology, assessment and treatment. Brain Inj. 2013;27(10):1093-105. PubMed
  2. Winstein CJ, et al. Guidelines for Adult Stroke Rehabilitation and Recovery (AHA/ASA). Stroke. 2016;47(6):e98-e169. PubMed
  3. Simpson DM, et al. Practice guideline update summary: botulinum neurotoxin for adult spasticity. Neurology. 2016;86(19):1818-26. PubMed
  4. Bollens B, et al. Effects of selective tibial nerve neurotomy as a treatment for adults presenting with spastic equinovarus foot: a systematic review. J Rehabil Med. 2011;43(4):277-82. PubMed