Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • October 26, 2026

Operei a coluna e o pé ficou caído: e agora?

A cirurgia foi bem. Te deram alta, você voltou para casa — e no primeiro dia em pé percebeu que alguma coisa estava errada. A ponta do pé não sobe. Você arrasta o pé no chão, tropeça no tapete, precisa levantar muito o joelho para andar. Talvez a lateral da perna e o peito do pé estejam dormentes.

Você voltou ao médico que operou e ouviu que é inchaço, que é normal, que é para esperar.

Pode ser inchaço mesmo. O que precisamos entender é prazo para começar recuperar movimentos.

Este texto explica o que fazer nesse intervalo — sem apontar dedo para ninguém, e sem deixar o relógio correr sozinho.
Já tratei mais de 300 pacientes com dificuldade para levantar o pé, incluindo muitos casos de pé caído após cirurgia de coluna, quadril, joelho ou posicionamento cirúrgico.

Paciente com pé caído após cirurgia, quadro avaliado pelo Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

Por que isso acontece

Quem levanta a ponta do pé é um grupo de músculos comandado pelo nervo fibular. Ele desce pela perna e faz uma curva bem na lateral do joelho, quase colado no osso, logo abaixo da pele. É um dos pontos mais vulneráveis do corpo humano: ali o nervo não tem quase nada protegendo.

As situações mais comuns

  • Cirurgia de coluna (hérnia de disco, estenose): a raiz nervosa que alimenta esse nervo pode já estar comprimida antes, ou sofrer durante o procedimento.
  • Prótese de quadril: o nervo ciático, que dá origem ao fibular, passa perto da área operada.
  • Cirurgia de joelho: o fibular passa exatamente ali.
  • Posição na mesa de cirurgia: em cirurgias longas, mesmo em outra parte do corpo, a perna apoiada de lado pode comprimir o nervo por horas.
  • Gesso, tala ou faixa apertada na lateral do joelho.
  • Tempo prolongado de UTI ou de internação deitado.

Em nenhum desses casos a causa é necessariamente erro. Lesão de nervo é uma complicação conhecida e descrita, que pode acontecer em cirurgias corretamente realizadas. O que não pode acontecer é ela ficar sem avaliação.

Mulher caindo na rua após tropeçar, situação de risco comum em quem tem pé caído não tratado

O ponto que muda tudo: quem acompanha isso?

Aqui está o problema mais comum que vemos.

O paciente segue meses acompanhando o pé caído apenas com quem realizou a cirurgia. E não porque esse profissional seja ruim — é que ele é especialista na cirurgia que fez, não em lesão de nervo periférico.

Quem avalia lesão de nervo é o neurocirurgião de nervos periféricos. É a mesma orientação que damos em outra situação parecida, quando o nervo facial é lesado durante um procedimento estético — você encontra em "Lesão do nervo facial em uma cirurgia plástica".

Não é trocar de médico às escondidas nem brigar com ninguém. É acrescentar a avaliação certa, em paralelo, dentro do prazo em que ela ainda muda o resultado.

O prazo que ninguém conta ao paciente

Existem, grosso modo, duas situações — e elas se parecem muito nas primeiras semanas:

  • 30 dias — Prazo para os exames: eletroneuromiografia e ressonância do nervo devem ser feitas após 30 dias da lesão — antes disso, o exame ainda não mostra o quadro real.
  • Desde o início — Acompanhamento especializado: não é preciso esperar para procurar o especialista — ele orienta exercícios e uso da órtese desde a primeira consulta, em paralelo à observação.
  • ~1mm/dia — Velocidade de regeneração do nervo: o nervo, quando reparado, cresce em direção ao músculo na casa de 1 milímetro por dia — por isso, quanto antes for abordado, melhor.

Como funciona a conduta, passo a passo

  1. Desde o início: encaminhamento ao especialista em nervos periféricos para orientar exercícios, uso de órtese e acompanhamento — não é preciso esperar a lesão "definir" para começar o cuidado.
  2. Após 30 dias da lesão: momento indicado para realizar eletroneuromiografia e ressonância do nervo, exames que mostram o estado real do nervo.
  3. Se os exames e a evolução clínica mostram que o nervo não vai melhorar sozinho: essa é a janela para abordar o nervo diretamente — liberar, reconstruir ou transferir. Quanto mais cedo, melhor; mas é preciso esse tempo para ter certeza de que a lesão não vai se recuperar por conta própria.
  4. Fase tardia: quando o músculo já não responde, a solução deixa de ser o nervo e passa a ser a transferência de tendão, que empresta um tendão que funciona para levantar o pé.

Mesmo quem chega tarde tem tratamento. O que muda é qual. Mas quem chega cedo tem mais opções — e é por isso que vale marcar agora.

O que fazer enquanto sua avaliação não acontece

1. Use a órtese, mesmo que ache feia

A órtese de pé caído (AFO) mantém o pé na posição, evita tropeços e quedas — e impede que o calcanhar retraia. Essa última parte é a mais importante: pé que fica muitos meses caído encurta o tendão de Aquiles, e aí, mesmo que o nervo volte, o pé não sobe. Você estaria trocando um problema por outro.

2. Alongue o calcanhar todos os dias

Peça ao fisioterapeuta para te ensinar o alongamento do tendão de Aquiles e faça todo dia, sem falta. É o cuidado que preserva a sua chance futura.

3. Cuide do pé que não sente

Onde falta sensibilidade não existe aviso. Confira o pé todos os dias procurando bolha, corte ou vermelhidão; teste a água do banho com a mão; nada de bolsa de água quente direto na pele.

4. Não cruze as pernas nem apoie a lateral do joelho

Aquele ponto logo abaixo do joelho, na parte de fora, é onde o nervo está mais exposto. Cruzar as pernas, apoiar no braço do sofá ou dormir de lado com uma perna sobre a outra comprime exatamente ali.

5. Faça o "diário do pé"

Uma vez por semana, no mesmo dia, grave dois vídeos curtos: um sentado, tentando levantar a ponta do pé e girar o pé para fora; outro caminhando descalço, filmado de lado. Anote também até onde vai a dormência.

Esse diário responde à pergunta que decide a sua conduta: está voltando ou está parado? No dia a dia é impossível perceber. Em vídeo, mês a mês, fica claro. Leve todos na consulta.

Casos que já acompanhamos

Caso 1 — Cirurgia de hérnia de disco L5-S1

Paciente operou uma hérnia de disco L5-S1. A cirurgia foi bem-sucedida e a dor melhorou como esperado — mas, ao voltar a andar, percebeu que tinha perdido a força para levantar a ponta do pé. Buscou avaliação especializada em nervos periféricos, seguiu o acompanhamento com exames no prazo certo e está em tratamento, com evolução acompanhada de perto.

Caso 2 — Injeção glútea com lesão do nervo ciático

Paciente fez uma aplicação de injeção intramuscular na região glútea e evoluiu com pé caído por lesão do nervo ciático. Foi encaminhado para avaliação especializada em nervos periféricos, com exames que ajudaram a definir a extensão da lesão e a melhor conduta para o caso.

"Lesão de nervo depois de cirurgia não é sobre culpa — é sobre prazo. Quanto antes o nervo for avaliado por quem trata nervo periférico, mais opções de tratamento existem."

— Dr. Thomas Marcolini

Comparação entre entrada no hospital com dor de garganta e saída com pé caído e muletas após injeção no nervo ciático

Por que escolher o Dr. Thomas Marcolini

O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião dedicado exclusivamente à cirurgia de nervos periféricos, em Curitiba. É esse o olhar especializado que faz a diferença quando o problema não está na coluna, no joelho ou no quadril que foram operados — está no trajeto do nervo. O acompanhamento é próximo, com explicações claras sobre cada etapa e um cuidado reconhecido por pacientes como um dos mais humanizados do Brasil.

Quero agendar minha avaliação Prefiro fazer uma teleconsulta
Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião especialista em nervos periféricos, durante cirurgia de reparo nervoso

Perguntas que os pacientes mais fazem

Foi erro do médico?
Nem sempre — e essa não é a pergunta que te ajuda agora. Lesão de nervo é uma complicação conhecida, que ocorre inclusive em cirurgias bem conduzidas, às vezes só pela posição na mesa. A pergunta útil neste momento é outra: o nervo está se recuperando ou não? É isso que define o tratamento e o prazo.
Volta sozinho?
Boa parte dos casos volta, principalmente quando foi compressão. O que indica boa evolução é melhora gradual — um movimento novo, um formigamento onde não havia nada. Quadro idêntico por semanas seguidas é o que precisa ser reavaliado.
Formigamento e choque são ruins?
Costumam ser bom sinal: mostram que existe atividade no nervo. Anote onde aparecem e conte na consulta.
Fisioterapia resolve?
A fisioterapia é indispensável, porque mantém a articulação livre e o músculo preparado. Mas ela não religa um nervo rompido. As duas coisas caminham juntas.
Preciso repetir a ressonância da coluna?
Nem sempre a resposta está na coluna. Muitas vezes o problema está no trajeto do nervo na perna, e o exame precisa olhar para lá. Quem define isso é o especialista em nervos periféricos.
Vou voltar a andar normal?
A meta é andar melhor, com segurança e sem tropeçar — e para muitos pacientes isso significa voltar a andar sem que ninguém perceba. O quanto se recupera depende da gravidade e do tempo até o tratamento.

O resumo, em três linhas

  1. Pé caído depois de cirurgia pode ser lesão de nervo — e nem sempre significa que houve erro.
  2. Quem avalia nervo é o neurocirurgião de nervos periféricos, e essa avaliação tem prazo.
  3. Enquanto isso: use a órtese, alongue o calcanhar todo dia e grave o vídeo semanal.

Se o seu pé não levanta e ninguém marcou uma reavaliação, o próximo passo é seu.

Quero agendar minha avaliação Prefiro fazer uma teleconsulta

Conteúdo revisado pelo Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião dedicado à cirurgia de nervos periféricos, em Curitiba. Este texto é informativo e não substitui a avaliação individual — cada lesão tem um tempo e uma conduta própria.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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