

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Operei a coluna e o pé ficou caído: e agora?
A cirurgia foi bem. Te deram alta, você voltou para casa — e no primeiro dia em pé percebeu que alguma coisa estava errada. A ponta do pé não sobe. Você arrasta o pé no chão, tropeça no tapete, precisa levantar muito o joelho para andar. Talvez a lateral da perna e o peito do pé estejam dormentes.
Você voltou ao médico que operou e ouviu que é inchaço, que é normal, que é para esperar.
Pode ser inchaço mesmo. O que precisamos entender é prazo para começar recuperar movimentos.
Este texto explica o que fazer nesse intervalo — sem apontar dedo para ninguém, e sem deixar o relógio correr sozinho.
Já tratei mais de 300 pacientes com dificuldade para levantar o pé, incluindo muitos casos de pé caído após cirurgia de coluna, quadril, joelho ou posicionamento cirúrgico.
Por que isso acontece
Quem levanta a ponta do pé é um grupo de músculos comandado pelo nervo fibular. Ele desce pela perna e faz uma curva bem na lateral do joelho, quase colado no osso, logo abaixo da pele. É um dos pontos mais vulneráveis do corpo humano: ali o nervo não tem quase nada protegendo.
As situações mais comuns
- Cirurgia de coluna (hérnia de disco, estenose): a raiz nervosa que alimenta esse nervo pode já estar comprimida antes, ou sofrer durante o procedimento.
- Prótese de quadril: o nervo ciático, que dá origem ao fibular, passa perto da área operada.
- Cirurgia de joelho: o fibular passa exatamente ali.
- Posição na mesa de cirurgia: em cirurgias longas, mesmo em outra parte do corpo, a perna apoiada de lado pode comprimir o nervo por horas.
- Gesso, tala ou faixa apertada na lateral do joelho.
- Tempo prolongado de UTI ou de internação deitado.
Em nenhum desses casos a causa é necessariamente erro. Lesão de nervo é uma complicação conhecida e descrita, que pode acontecer em cirurgias corretamente realizadas. O que não pode acontecer é ela ficar sem avaliação.
O ponto que muda tudo: quem acompanha isso?
Aqui está o problema mais comum que vemos.
O paciente segue meses acompanhando o pé caído apenas com quem realizou a cirurgia. E não porque esse profissional seja ruim — é que ele é especialista na cirurgia que fez, não em lesão de nervo periférico.
Quem avalia lesão de nervo é o neurocirurgião de nervos periféricos. É a mesma orientação que damos em outra situação parecida, quando o nervo facial é lesado durante um procedimento estético — você encontra em "Lesão do nervo facial em uma cirurgia plástica".
Não é trocar de médico às escondidas nem brigar com ninguém. É acrescentar a avaliação certa, em paralelo, dentro do prazo em que ela ainda muda o resultado.
O prazo que ninguém conta ao paciente
Existem, grosso modo, duas situações — e elas se parecem muito nas primeiras semanas:
- 30 dias — Prazo para os exames: eletroneuromiografia e ressonância do nervo devem ser feitas após 30 dias da lesão — antes disso, o exame ainda não mostra o quadro real.
- Desde o início — Acompanhamento especializado: não é preciso esperar para procurar o especialista — ele orienta exercícios e uso da órtese desde a primeira consulta, em paralelo à observação.
- ~1mm/dia — Velocidade de regeneração do nervo: o nervo, quando reparado, cresce em direção ao músculo na casa de 1 milímetro por dia — por isso, quanto antes for abordado, melhor.
Como funciona a conduta, passo a passo
- Desde o início: encaminhamento ao especialista em nervos periféricos para orientar exercícios, uso de órtese e acompanhamento — não é preciso esperar a lesão "definir" para começar o cuidado.
- Após 30 dias da lesão: momento indicado para realizar eletroneuromiografia e ressonância do nervo, exames que mostram o estado real do nervo.
- Se os exames e a evolução clínica mostram que o nervo não vai melhorar sozinho: essa é a janela para abordar o nervo diretamente — liberar, reconstruir ou transferir. Quanto mais cedo, melhor; mas é preciso esse tempo para ter certeza de que a lesão não vai se recuperar por conta própria.
- Fase tardia: quando o músculo já não responde, a solução deixa de ser o nervo e passa a ser a transferência de tendão, que empresta um tendão que funciona para levantar o pé.
Mesmo quem chega tarde tem tratamento. O que muda é qual. Mas quem chega cedo tem mais opções — e é por isso que vale marcar agora.
O que fazer enquanto sua avaliação não acontece
1. Use a órtese, mesmo que ache feia
A órtese de pé caído (AFO) mantém o pé na posição, evita tropeços e quedas — e impede que o calcanhar retraia. Essa última parte é a mais importante: pé que fica muitos meses caído encurta o tendão de Aquiles, e aí, mesmo que o nervo volte, o pé não sobe. Você estaria trocando um problema por outro.
2. Alongue o calcanhar todos os dias
Peça ao fisioterapeuta para te ensinar o alongamento do tendão de Aquiles e faça todo dia, sem falta. É o cuidado que preserva a sua chance futura.
3. Cuide do pé que não sente
Onde falta sensibilidade não existe aviso. Confira o pé todos os dias procurando bolha, corte ou vermelhidão; teste a água do banho com a mão; nada de bolsa de água quente direto na pele.
4. Não cruze as pernas nem apoie a lateral do joelho
Aquele ponto logo abaixo do joelho, na parte de fora, é onde o nervo está mais exposto. Cruzar as pernas, apoiar no braço do sofá ou dormir de lado com uma perna sobre a outra comprime exatamente ali.
5. Faça o "diário do pé"
Uma vez por semana, no mesmo dia, grave dois vídeos curtos: um sentado, tentando levantar a ponta do pé e girar o pé para fora; outro caminhando descalço, filmado de lado. Anote também até onde vai a dormência.
Esse diário responde à pergunta que decide a sua conduta: está voltando ou está parado? No dia a dia é impossível perceber. Em vídeo, mês a mês, fica claro. Leve todos na consulta.
Casos que já acompanhamos
Caso 1 — Cirurgia de hérnia de disco L5-S1
Paciente operou uma hérnia de disco L5-S1. A cirurgia foi bem-sucedida e a dor melhorou como esperado — mas, ao voltar a andar, percebeu que tinha perdido a força para levantar a ponta do pé. Buscou avaliação especializada em nervos periféricos, seguiu o acompanhamento com exames no prazo certo e está em tratamento, com evolução acompanhada de perto.
Caso 2 — Injeção glútea com lesão do nervo ciático
Paciente fez uma aplicação de injeção intramuscular na região glútea e evoluiu com pé caído por lesão do nervo ciático. Foi encaminhado para avaliação especializada em nervos periféricos, com exames que ajudaram a definir a extensão da lesão e a melhor conduta para o caso.
"Lesão de nervo depois de cirurgia não é sobre culpa — é sobre prazo. Quanto antes o nervo for avaliado por quem trata nervo periférico, mais opções de tratamento existem."
— Dr. Thomas Marcolini
Por que escolher o Dr. Thomas Marcolini
O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião dedicado exclusivamente à cirurgia de nervos periféricos, em Curitiba. É esse o olhar especializado que faz a diferença quando o problema não está na coluna, no joelho ou no quadril que foram operados — está no trajeto do nervo. O acompanhamento é próximo, com explicações claras sobre cada etapa e um cuidado reconhecido por pacientes como um dos mais humanizados do Brasil.
Perguntas que os pacientes mais fazem
Foi erro do médico?
Volta sozinho?
Formigamento e choque são ruins?
Fisioterapia resolve?
Preciso repetir a ressonância da coluna?
Vou voltar a andar normal?
O resumo, em três linhas
- Pé caído depois de cirurgia pode ser lesão de nervo — e nem sempre significa que houve erro.
- Quem avalia nervo é o neurocirurgião de nervos periféricos, e essa avaliação tem prazo.
- Enquanto isso: use a órtese, alongue o calcanhar todo dia e grave o vídeo semanal.
Se o seu pé não levanta e ninguém marcou uma reavaliação, o próximo passo é seu.
Conteúdo revisado pelo Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião dedicado à cirurgia de nervos periféricos, em Curitiba. Este texto é informativo e não substitui a avaliação individual — cada lesão tem um tempo e uma conduta própria.

