

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Caroço que dá choque? Pode ser um tumor de nervo (schwannoma ou neurofibroma)

Você encontrou um caroço debaixo da pele e, ao apertar ou bater nele sem querer, sentiu um choque que correu pelo braço ou pela perna? Esse sinal é uma pista importante: o caroço pode estar preso a um nervo. Na maioria das vezes, trata-se de um tumor benigno da bainha do nervo, como o schwannoma ou o neurofibroma.
Neste artigo, explico de forma simples o que são esses tumores, como diferenciá-los de outros caroços, quais exames ajudam no diagnóstico e quando a cirurgia é indicada.

O que é um tumor de nervo periférico?
Os nervos periféricos funcionam como fios elétricos: levam os comandos do cérebro para os músculos e trazem as sensações da pele de volta. Cada nervo é envolvido por uma capa protetora, chamada bainha.
Os tumores da bainha do nervo nascem dessa capa. Os dois tipos mais comuns são:
- Schwannoma: nasce das células de Schwann, que formam a capa do nervo. Costuma crescer ao lado das fibras, empurrando-as.
- Neurofibroma: cresce mais misturado às fibras do nervo. Pode aparecer isolado ou em pessoas com neurofibromatose tipo 1 (NF1).
A boa notícia: a grande maioria desses tumores é benigna. Ou seja, não é câncer, cresce devagar e não se espalha para outras partes do corpo.
Schwannoma
- De onde nasce
- Das células de Schwann, que formam a capa do nervo.
- Relação com o nervo
- Cresce ao lado das fibras e costuma empurrá-las.
- Como costuma aparecer
- Caroço único, liso, que dá choque ao ser apertado.
- Cirurgia
- Na maioria das vezes, é possível retirar o tumor preservando o nervo.
Neurofibroma
- De onde nasce
- De várias células da bainha do nervo.
- Relação com o nervo
- Cresce mais misturado às fibras.
- Como costuma aparecer
- Isolado ou em vários pontos do corpo, principalmente na neurofibromatose tipo 1 (NF1).
- Cirurgia
- Exige planejamento mais cuidadoso para proteger as fibras que funcionam.
Os dois costumam ser benignos. O que define o tratamento são os sintomas, o tamanho, o crescimento e o que a ressonância mostra.

Por que o caroço dá choque?
Como o tumor está grudado no nervo, quando você aperta, bate ou apoia o local, o nervo é estimulado e “dispara” um choque que desce em direção aos dedos da mão ou do pé. Os médicos chamam isso de sinal de Tinel.
Outros sintomas que podem aparecer:
- Formigamento ou dormência na área que aquele nervo atende;
- Dor em queimação ou em choque, às vezes pior à noite;
- Caroço que se move para os lados, mas não para cima e para baixo (porque está preso ao trajeto do nervo);
- Em casos mais avançados, fraqueza na mão, no braço, no pé ou na perna.
Algumas pessoas não sentem nada além do caroço. Outras convivem anos com choques que atrapalham o sono, o trabalho e o dia a dia.

Caroço que dá choque é sempre tumor de nervo?
Nem todo caroço é tumor de nervo. Ínguas (linfonodos inflamados), cistos sinoviais e lipomas (bolinhas de gordura) são bem mais comuns. A diferença principal é que eles normalmente não dão choque irradiado quando apertados.
Para confirmar o diagnóstico, os recursos mais úteis são:
- Exame físico feito por um médico que conheça bem os nervos periféricos;
- Ultrassom de nervo: mostra se o caroço está ligado a um nervo;
- Ressonância magnética com contraste: o principal exame para entender o tumor e planejar o tratamento;
- Eletroneuromiografia, em alguns casos, para avaliar como o nervo está funcionando.
Cuidado com a biópsia
Mesmo quando o tumor é benigno, as fibras que movem os músculos e dão sensibilidade à pele passam ao redor dele. Uma biópsia ou punção feita sem planejamento pode lesionar o nervo e piorar a dor. Por isso, o ideal é passar por uma avaliação especializada antes de qualquer procedimento.
Dicas úteis se você tem um caroço que dá choque
Enquanto aguarda a avaliação, estas atitudes simples ajudam no diagnóstico e evitam piorar os sintomas.
Não fique apertando para testar
Cada vez que você aperta o caroço, irrita o nervo. Isso pode aumentar a dor e o formigamento.
Anote seus sintomas
Para onde o choque irradia, desde quando existe, se o caroço cresceu e se há dormência ou fraqueza.
Meça e fotografe
Uma foto com uma régua ao lado, a cada poucos meses, ajuda o médico a saber se o caroço está crescendo.
Evite biópsia sem planejamento
Punção ou biópsia feita sem avaliação especializada pode lesionar o nervo. Converse antes com um cirurgião de nervo.
Faça a ressonância com contraste
É o exame mais completo para estudar o tumor. Leve também ultrassons e exames anteriores na consulta.
Procure avaliação logo se...
O caroço crescer rápido, ficar endurecido, doer mesmo em repouso ou surgir fraqueza ou perda de sensibilidade.

Foi a pancada que causou o caroço?
É muito comum o paciente associar o aparecimento do caroço a uma queda ou batida. Mas schwannomas e neurofibromas crescem devagar, ao longo de meses ou anos. O que geralmente acontece é que, depois do trauma, a pessoa passa a examinar a região e só então percebe um caroço que já estava ali.
Ou seja: a pancada não “criou” o tumor. Ela apenas chamou a atenção para ele.

Quando é preciso operar um tumor de nervo?
Nem todo tumor de nervo precisa de cirurgia imediata. Tumores pequenos e sem sintomas podem ser acompanhados com consultas e exames de imagem periódicos. A cirurgia costuma ser indicada quando há:
- Dor em choque, formigamento ou queimação intensa que não melhora com o tratamento clínico;
- Perda de força no braço, na mão, na perna ou no pé;
- Perda de sensibilidade na região atendida pelo nervo;
- Crescimento rápido, dor constante mesmo em repouso ou alterações na ressonância que levantem suspeita de lesão agressiva.
Como é a cirurgia
Como as fibras do nervo passam ao redor do tumor, a cirurgia é delicada. Ela é feita com técnica microcirúrgica e, sempre que possível, com monitorização neurofisiológica, que ajuda a identificar e proteger as fibras que funcionam.
No schwannoma, em geral, é possível retirar o tumor preservando o nervo. No neurofibroma, o planejamento costuma ser mais cuidadoso, porque as fibras ficam mais misturadas ao tumor. O objetivo é sempre aliviar os sintomas e preservar a função do membro. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Saiba mais sobre o tratamento de tumores de nervos periféricos →
Vídeo do Dr. Thomas
Assista: caroço que dá choque? Como identificar um tumor de nervo
Em menos de 2 minutos, o Dr. Thomas Marcolini explica por que alguns caroços dão choque e quais sinais indicam que ele pode ser um tumor de nervo periférico.
Perguntas frequentes sobre tumor de nervo
Schwannoma é câncer?
Não. Na grande maioria dos casos, o schwannoma é um tumor benigno: cresce devagar e não se espalha pelo corpo. Tumores malignos da bainha do nervo existem, mas são raros e mais frequentes em pessoas com neurofibromatose tipo 1.
Caroço que dá choque pode sumir sozinho?
Em geral, não. Esses tumores costumam ficar estáveis ou crescer lentamente. Quando não há sintomas importantes, é possível apenas acompanhar com consultas e exames periódicos.
Qual exame devo fazer?
A ressonância magnética com contraste da região é o exame mais completo. O ultrassom ajuda a mostrar se o caroço está ligado a um nervo. Em alguns casos, a eletroneuromiografia avalia a função do nervo.
Posso fazer biópsia ou punção do caroço?
Só depois de uma avaliação especializada. Como as fibras do nervo passam ao redor do tumor, uma biópsia sem planejamento pode lesionar o nervo e aumentar a dor.
A cirurgia pode deixar sequelas?
Toda cirurgia tem riscos, e eles devem ser conversados na consulta. Com técnica microcirúrgica e monitorização neurofisiológica, o objetivo é retirar o tumor preservando as fibras que funcionam. No schwannoma, isso costuma ser possível na maioria dos casos.
O tumor pode voltar depois de operado?
Quando o schwannoma é retirado por completo, voltar é incomum. No neurofibroma e em pessoas com neurofibromatose, podem surgir novos tumores ao longo da vida, por isso o acompanhamento é importante.
Qual médico devo procurar?
Procure um cirurgião que atue em nervos periféricos, como um neurocirurgião com experiência nessa área. Ele vai avaliar os sintomas, os exames e indicar se é melhor acompanhar ou operar.
Sobre o autor
Dr. Thomas Ribeiro Marcolini
Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende em Curitiba e São Paulo e também por teleconsulta, em português, inglês e espanhol. Recebe pacientes de todo o Brasil e do exterior.
Aviso importante
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Responsável técnico: Dr. Thomas Ribeiro Marcolini — CRM/PR 33811 | RQE/PR 26510 — CRM/SP 241641 | RQE/SP 113003.
Fontes
- Kim DH, Murovic JA, Tiel RL, Moes G, Kline DG. A series of 397 peripheral neural sheath tumors: 30-year experience at Louisiana State University Health Sciences Center. J Neurosurg. 2005;102(2):246-255.
- National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS). Neurofibromatosis.

