

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Pé caído após longa internação na UTI: por que acontece e como tratar
Depois de dias ou semanas na UTI, muitos pacientes saem do hospital mais fracos. Com o tempo, a força dos braços e das pernas costuma voltar. Mas, em alguns casos, um ou os dois pés continuam caídos: a pessoa arrasta a ponta do pé, tropeça e tem medo de cair.
Neste artigo, o neurocirurgião Dr. Thomas Marcolini explica, em linguagem simples, por que isso acontece, quais sinais merecem atenção e quais tratamentos podem ajudar, inclusive quando a cirurgia do nervo fibular é indicada.

Por que quem fica muito tempo na UTI pode ter pé caído?
Existem duas causas principais, que muitas vezes aparecem juntas:
1. Fraqueza adquirida na UTI
É uma lesão difusa dos nervos (polineuropatia do doente crítico) e/ou dos músculos (miopatia do doente crítico). Ela aparece em pacientes graves, principalmente com infecção generalizada (sepse), ventilação mecânica prolongada e muitos dias sem se movimentar. Causa fraqueza nos braços e nas pernas e, às vezes, perda de sensibilidade.
2. Compressão do nervo fibular no joelho
O nervo fibular passa logo abaixo da pele, na parte de fora do joelho, junto a um osso chamado cabeça da fíbula. É ele que levanta o pé e os dedos. Com a perda de peso e de massa muscular, o longo tempo deitado, a posição de lado e os apoios na cama, esse nervo fica desprotegido e pode ser comprimido. O resultado é o pé caído.
Quem tem mais risco?
O pé caído após a UTI é mais comum em quem passou por:
Ventilação mecânica prolongada
Muitos dias intubado e sedado, sem movimentar as pernas.
Infecção grave (sepse)
A inflamação intensa pode lesar nervos e músculos.
Muito tempo deitado
Pressão contínua na parte de fora do joelho, onde passa o nervo fibular.
Grande perda de peso
Menos gordura e músculo para proteger o nervo.
Diabetes ou glicose alta
Nervos ficam mais sensíveis à compressão.
Alguns medicamentos da UTI
Como corticoides e bloqueadores neuromusculares em uso prolongado.

Depois da alta: por que o pé não melhora junto com o resto?
Após a alta, a força das mãos e das pernas costuma melhorar aos poucos, e os formigamentos diminuem. Isso acontece porque a fraqueza adquirida na UTI tende a se recuperar com o tempo e com a fisioterapia.
Quando o pé continua caído mesmo com o restante do corpo melhorando, é um sinal importante: o nervo fibular pode estar comprimido no joelho. Nesse caso, a fisioterapia sozinha pode não ser suficiente, e vale investigar.
Sinais de alerta do pé caído após a UTI
Fique atento se, depois da alta, você ou seu familiar:
- Arrasta a ponta do pé ou tropeça ao caminhar;
- Precisa levantar muito o joelho para o pé não bater no chão (marcha “escarvante”);
- Não consegue levantar o pé, os dedos ou o dedão;
- Tem dificuldade de virar o pé para fora;
- Sente dormência, formigamento ou choques no peito do pé e na parte de fora da perna;
- Já consegue pisar com força (empurrar o pé para baixo), mas não consegue levantá-lo;
- Tem o problema em um pé só ou nos dois.
Quando procurar avaliação: se o pé continua caído semanas depois da alta, ou se a melhora parou, procure um médico que trate nervos periféricos. Quanto antes o diagnóstico, maiores as chances de recuperação.

Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa na consulta, com a história da internação e o exame físico: o médico testa a força de cada movimento do pé e a sensibilidade da perna. Um sinal típico da compressão do nervo fibular é a força de pisar estar boa, enquanto a força de levantar o pé continua fraca.
Os exames complementares mais usados são:
- Eletroneuromiografia: mostra se o problema está no nervo ou no músculo, onde está a lesão e qual a gravidade;
- Ultrassom de nervo: mostra o nervo fibular na região do joelho e se ele está comprimido ou inchado;
- Ressonância magnética com neurografia: avalia o nervo e os músculos da perna com detalhes;
- Ressonância da coluna lombar: ajuda a descartar uma causa na coluna, como hérnia de disco.
Tratamento: o que pode ser feito
O tratamento depende da causa e do tempo de lesão. Em geral, inclui:
- Fisioterapia para manter o movimento do tornozelo e fortalecer a perna;
- Órtese tornozelo-pé (AFO), que segura o pé levantado e reduz tropeços e quedas;
- Proteger o nervo: não cruzar as pernas e evitar meias, talas ou gessos apertados perto do joelho;
- Cirurgia de descompressão do nervo fibular, quando há compressão no joelho.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia de descompressão é considerada quando o restante do corpo melhorou, mas o pé continua caído. É uma cirurgia pequena, feita na região do joelho, que libera o nervo. Os melhores resultados costumam acontecer quando ela é feita cedo, de preferência antes de 6 meses de lesão.
Os possíveis benefícios incluem recuperação mais rápida da força para levantar o pé, melhor aproveitamento da fisioterapia, melhora da sensibilidade e alívio da dor neuropática, quando presentes. O resultado varia de pessoa para pessoa e depende de uma boa avaliação.
E quando o nervo não se recupera?
Nos casos mais antigos, em que o músculo já não responde, existe a transferência de tendão, que usa um tendão saudável para devolver o movimento de levantar o pé.
Dicas práticas para o dia a dia
Enquanto o nervo se recupera, alguns cuidados simples ajudam a evitar quedas e a proteger o pé:
Não cruze as pernas
Cruzar as pernas aperta o nervo fibular na parte de fora do joelho.
Use a órtese indicada
A órtese segura o pé levantado e deixa a caminhada mais segura.
Deixe a casa mais segura
Retire tapetes soltos, deixe uma luz acesa à noite e use corrimão.
Prefira calçado firme e fechado
Evite chinelos e sapatos soltos, que facilitam tropeços.
Alongue a panturrilha todo dia
Ajuda a evitar que o tornozelo endureça na posição de pé caído.
Olhe a pele do pé
Se houver dormência, confira todos os dias se há bolhas ou feridas.
Na cama, proteja o joelho
Evite apoiar por muito tempo a parte de fora do joelho; use um travesseiro entre as pernas.
Não espere demais
Se o pé não melhora junto com o resto do corpo, procure avaliação cedo.
Perguntas frequentes
O pé caído depois da UTI tem cura?
Muitos pacientes melhoram, principalmente quando a causa é identificada e tratada cedo. A recuperação depende do tipo e da gravidade da lesão do nervo e do tempo até o tratamento. Só a avaliação individual pode dizer o que esperar em cada caso.
Quanto tempo devo esperar o pé voltar sozinho?
Se, depois da alta, o restante do corpo melhora e o pé não, não vale esperar muitos meses. A cirurgia de descompressão costuma ter melhores resultados quando feita cedo, de preferência antes de 6 meses de lesão.
A fisioterapia resolve sozinha?
A fisioterapia é essencial para manter o movimento e a força, mas não libera um nervo comprimido. Quando existe compressão do nervo fibular, a cirurgia pode ser necessária para o nervo voltar a funcionar.
Qual exame confirma o diagnóstico?
A eletroneuromiografia é o exame principal. O ultrassom e a ressonância do nervo ajudam a ver o local exato da compressão. O exame físico na consulta continua sendo fundamental.
A cirurgia do nervo fibular é grande?
Não. A descompressão do nervo fibular é uma cirurgia pequena, feita por um corte na região do joelho. Os detalhes, riscos e cuidados de recuperação são explicados na consulta.
Isso também aconteceu com pacientes de COVID-19?
Sim. Muitos pacientes graves de COVID-19 tiveram pé caído pelo mesmo motivo: longa internação na UTI. Hoje o problema aparece em pacientes de UTI por qualquer causa, como infecções graves, grandes cirurgias e traumas.
Posso fazer a primeira avaliação a distância?
Sim. O Dr. Thomas Marcolini atende presencialmente em Curitiba e em São Paulo e também por teleconsulta, que é uma boa forma de entender o caso e os próximos passos.
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Ainda com o pé caído depois da UTI?
Agende uma avaliação com o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atendimento presencial em Curitiba e São Paulo e por teleconsulta.
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Agendar avaliação pelo WhatsAppAviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual para definir o melhor tratamento.
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