Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Dr. Thomas Marcolini • March 19, 2023

Síndrome do Desfiladeiro Torácico: Como Aliviar a Dor e Prevenir os Sintomas

Ilustração do ombro com músculos e nervos destacados, mostrando dor da síndrome do desfiladeiro torácico

Dor no pescoço que desce para o ombro, formigamento nas mãos que piora à noite, fraqueza para segurar objetos. Se você já passou por vários médicos e fisioterapias e continua com dor, pode ser a síndrome do desfiladeiro torácico.

Ela é pouco conhecida e costuma demorar a ser diagnosticada, porque os sintomas lembram outras doenças. Neste texto, em linguagem simples, você vai entender o que é, como reconhecer, como é feito o diagnóstico, o que ajuda no dia a dia e quando a cirurgia entra na conversa.

Resumo rápido

  • É a compressão de nervos e, mais raramente, de vasos que passam entre o pescoço, a clavícula e a primeira costela.
  • O tipo mais frequente é o neurogênico(nervos): dor, formigamento e fraqueza no braço e na mão.
  • O diagnóstico é feito principalmente pela conversa e pelo exame físico. Os exames ajudam a confirmar e a descartar outras causas.
  • Muitos casos são tratados sem cirurgia, com fisioterapia específica e ajustes no dia a dia.
  • Braço inchado, roxo ou frio é sinal de alerta: procure atendimento rápido.

O que é a síndrome do desfiladeiro torácico?

Entre o pescoço e o ombro existe um "corredor" estreito. Por ele passam os nervos que vão para o braço (o plexo braquial), a artéria e a veia que levam sangue para a mão. Esse corredor fica entre a clavícula, a primeira costela e os músculos do pescoço, chamados de escalenos.

Quando algo deixa esse espaço mais apertado, essas estruturas ficam comprimidas. Isso pode acontecer por uma costela extra (a costela cervical), por uma banda fibrosa, por músculos tensos ou encurtados, por uma lesão antiga no pescoço ou no ombro, ou por muitas horas na mesma postura.

Neurogênica

Compressão dos nervos. É o tipo mais frequente e causa dor, formigamento e fraqueza no braço e na mão.

Venosa

Compressão da veia. Pode causar inchaço, peso e cor arroxeada no braço.

Arterial

Compressão da artéria. É menos comum e pode causar mão fria, pálida e dor ao usar o braço.

A literatura médica descreve a forma bem comprovada da doença como rara, com 1 a 3 casos a cada 100 mil pessoas. Mesmo assim, muita gente tem sintomas parecidos, e por isso o diagnóstico costuma demorar.

Ilustração dos músculos do pescoço e ombro em vermelho na síndrome do desfiladeiro torácico

Quais são os sintomas da síndrome do desfiladeiro torácico?

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e, na forma neurogênica, aparecem no pescoço, no ombro, no braço e na mão. Veja os sinais mais comuns:

Dor no pescoço, ombro e costas

Piora quando você fica muito tempo na mesma posição, com os braços à frente (trabalhando sentado), ou à noite, ao dormir de lado.

Formigamento e dormência

As mãos formigam ao acordar ou quando os braços ficam acima dos ombros. Muitas vezes o formigamento aparece do lado do dedo mínimo.

Fraqueza e mão desajeitada

Você derruba objetos com frequência ou tem dificuldade para segurar uma caneta, uma panela ou o celular? Pode ser perda de força por compressão dos nervos.

Choques, queimação e alfinetadas

É a dor neuropática no braço e na mão. Costuma piorar à noite e com certas posições do braço.

Braço pesado e cansado

Fica difícil pentear o cabelo, pendurar roupa ou dirigir por muito tempo, porque o braço cansa rápido quando fica elevado.

Dor que sobe para a cabeça

Em alguns casos a dor chega à nuca, à cabeça, à mandíbula, ao peito ou à região da escápula, o que confunde o diagnóstico.

Se você se reconheceu em vários desses sintomas, vale uma avaliação com médico experiente em nervos periféricos. Não se trata de um único sintoma isolado, e sim do conjunto e do que piora ou melhora a dor.

Sinais de alerta: procure atendimento rápido

Vá a um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU) se aparecer:

  • braço ou mão inchados, arroxeados, muito pálidos ou frios;
  • dor forte e repentina no braço;
  • perda rápida de força ou de sensibilidade na mão;
  • falta de ar ou dor no peito junto com os sintomas no braço.

Esses sinais podem indicar problema nos vasos sanguíneos e não devem esperar uma consulta de rotina.

Braço com antebraço destacado em vermelho, mostrando dor e formigamento da síndrome do desfiladeiro torácico

O que causa a síndrome do desfiladeiro torácico?

Na maioria das vezes não existe uma causa única. O que costuma acontecer é a soma de um espaço naturalmente mais estreito com hábitos ou lesões que aumentam a pressão sobre os nervos. A condição é mais frequente em adultos jovens e em mulheres.

Causas do corpo

  • Costela cervical (uma costela extra acima da primeira costela).
  • Bandas fibrosas que prendem o nervo.
  • Músculos escalenos mais curtos, tensos ou volumosos.
  • Alterações depois de fratura da clavícula ou da primeira costela.

Causas do dia a dia

  • Trauma no pescoço ou no ombro, como acidente de carro (efeito "chicote").
  • Movimentos repetidos com os braços acima da cabeça.
  • Postura com ombros e cabeça projetados para frente, no computador ou no celular.
  • Carregar bolsa ou mochila pesada por muito tempo.

Entender a causa é importante, porque ela muda o tratamento. Uma costela extra, por exemplo, é tratada de forma diferente de uma postura ruim.

Homem trabalhando curvado no computador, postura errada que agrava a síndrome do desfiladeiro torácico

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único exame que "prove" a síndrome do desfiladeiro torácico. O diagnóstico começa na conversa e no exame físico, feitos por um médico com experiência em nervos periféricos. Os exames servem para confirmar a suspeita e para descartar outras doenças parecidas, como hérnia de disco no pescoço, síndrome do túnel do carpo, compressão do nervo ulnar no cotovelo e problemas no ombro.

1

Conversa e exame físico

O médico avalia sua história, a postura, a força, a sensibilidade e faz testes com os braços em diferentes posições. Essa é a parte mais importante.

2

Ressonância do plexo braquial

Mostra os nervos e ajuda a ver se há compressão, bandas ou outras causas na região do pescoço e do ombro.

3

Raio-x ou tomografia

Permitem ver se existe costela cervical ou outra alteração nos ossos.

4

Doppler ou angiotomografia

São pedidos quando há suspeita de problema nos vasos, como a veia ou a artéria comprimidas.

5

Eletroneuromiografia

Ajuda a avaliar os nervos e a descartar outras doenças. Pode vir normal mesmo quando há a síndrome.

Lembre-se: um exame normal não descarta a doença, e um exame alterado não explica sozinho os sintomas. O exame físico feito por quem conhece o assunto é o que mais pesa.

Como tratar a síndrome do desfiladeiro torácico sem cirurgia?

Em muitos casos o tratamento começa sem cirurgia. O plano é feito para a sua causa e pode combinar mais de uma opção:

Fisioterapia específica

Alongamento dos músculos do pescoço e do peito, fortalecimento dos músculos que estabilizam a escápula e treino de postura e respiração. Exercício mal escolhido pode piorar os sintomas, por isso vale ter orientação de quem conhece a doença.

Remédios

Anti-inflamatórios e analgésicos aliviam a dor por um tempo. Para dor neuropática, o médico pode indicar medicamentos específicos. Nunca se automedique.

Toxina botulínica nos escalenos

Pode ser considerada em casos selecionados, para relaxar o músculo que aperta o nervo. Os estudos mostram resultado variado: ajudou no formigamento, mas não foi superior ao placebo para a dor. A decisão é individual.

Mudança de hábitos

Duas horas de fisioterapia por semana não vencem muitas horas por dia em má postura. O ajuste da rotina de trabalho, do sono e do esforço físico faz parte do tratamento.

Quando a cirurgia do desfiladeiro torácico é indicada?

A cirurgia não é o primeiro passo para todo mundo. Ela costuma ser considerada quando:

  • a compressão está bem identificada (por exemplo, costela cervical ou banda fibrosa);
  • os sintomas atrapalham o trabalho, o sono e a vida diária;
  • o tratamento sem cirurgia, bem feito e por tempo adequado, não resolveu;
  • há perda de força que aumenta com o tempo ou comprometimento dos vasos.

O objetivo é abrir espaço para os nervos e os vasos. Cada caso é avaliado de forma individual, e o resultado depende do tipo da doença, da causa e do tempo de sintomas.

Quais são as técnicas mais usadas?

Descompressão do plexo braquial

Libera o nervo de bandas e tecidos que o apertam (neurólise).

Escalenotomia ou escalenectomia

Corte ou retirada parcial dos músculos escalenos que comprimem a região.

Ressecção da primeira costela

Retirada da primeira costela, e da costela cervical quando ela existe, para ampliar o espaço.

A cirurgia pode ser feita por acima da clavícula (via supraclavicular) ou pela axila (via transaxilar). A técnica é escolhida conforme o seu caso.

Riscos e anestesia da cirurgia

Toda cirurgia tem riscos, e eles devem ser explicados com clareza antes de qualquer decisão.

Possíveis riscos

  • Infecção e sangramento.
  • Lesão de nervos ou de vasos próximos, que é rara, mas séria.
  • Pneumotórax (ar entre o pulmão e a parede do tórax) ou acúmulo de sangue ou líquido ao redor do pulmão.
  • Volta dos sintomas depois da cirurgia (recidiva).

Anestesia

O procedimento pode ser demorado e exige área operatória bem relaxada e imóvel. Por isso, em geral, usa-se anestesia geral, que traz mais conforto e segurança. A equipe de anestesia avalia você antes da cirurgia.

Converse com o médico sobre os benefícios esperados e os riscos no seu caso. Pergunte tudo o que quiser antes de decidir.

Como é a recuperação depois da cirurgia?

O tempo de recuperação muda conforme a técnica usada e o seu caso. Em linhas gerais:

1

Primeiros dias

Controle da dor, cuidado com o curativo e repouso relativo. O médico explica o que você pode ou não fazer com o braço.

2

Primeiras semanas

Começam movimentos suaves do ombro, guiados por fisioterapia, para não perder mobilidade.

3

A partir de cerca de 8 semanas

Em geral, os exercícios de fortalecimento com resistência podem começar, se a equipe liberar.

A volta ao trabalho e à direção depende do tipo de atividade e da sua evolução. O formigamento e a força podem melhorar aos poucos, ao longo de semanas ou meses, e por isso o acompanhamento é importante.

Dicas práticas para aliviar a dor e prevenir os sintomas

Estas dicas ajudam a diminuir a pressão sobre os nervos no dia a dia. Elas não substituem o tratamento, mas fazem diferença ao longo da semana.

1

Ajuste a tela do computador

O topo do monitor deve ficar na altura dos olhos. No notebook, use um suporte e um teclado separado.

2

Apoie os braços

Mantenha os cotovelos próximos de 90 graus, os antebraços apoiados e os ombros relaxados, sem encolher.

3

Faça pausas

A cada 30 a 45 minutos, levante, gire os ombros para trás e mude de posição por 1 ou 2 minutos.

4

Cuide da bolsa e da mochila

Evite carregar peso de um lado só. Prefira mochila com alças largas, bem ajustada nos dois ombros.

5

Observe como você dorme

Evite dormir com o braço acima da cabeça ou deitado sobre o ombro que dói. Use um travesseiro que mantenha o pescoço alinhado.

6

Levante o celular

Leve o aparelho até a altura dos olhos em vez de baixar a cabeça e projetar os ombros para frente.

7

Respire com a barriga

Os escalenos ajudam a respirar. Respirar pelo diafragma, devagar, reduz o esforço desses músculos.

8

Alongue com cuidado

Faça alongamentos suaves e sem forçar. Se o formigamento ou a dor aumentarem, pare e fale com seu médico ou fisioterapeuta.

Lembre-se: a doença não depende só do que você faz na fisioterapia, e sim do que você faz em todos os seus dias. Pequenos ajustes repetidos pesam mais do que um grande esforço de vez em quando.

Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, durante cirurgia do desfiladeiro torácico

Atendimento com o Dr. Thomas Marcolini

O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Ele avalia dores, formigamentos e perda de força causados por compressão ou lesão de nervos, incluindo a síndrome do desfiladeiro torácico e as lesões do plexo braquial.

Avaliação individual

Cada caso é único. O tratamento é pensado para a sua causa, seus sintomas e sua rotina, sem receita pronta.

Onde atende

Consultas presenciais em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol. O atendimento é particular.

Cuidado com o diagnóstico

Muitos pacientes chegam depois de vários exames e tratamentos. A consulta organiza o que já foi feito e define os próximos passos.

Quer conhecer melhor o nosso trabalho? Veja a página de neurocirurgia de nervos periféricos.

Dr. Thomas Marcolini e equipe cirúrgica durante cirurgia de síndrome do desfiladeiro torácico

Gostaria de ver qual a incisão da Cirurgia do Desfiladeiro Torácico? Veja no vídeo abaixo!

Ilustração comparando posturas erradas e correta ao usar o computador para prevenir a síndrome do desfiladeiro torácico

Perguntas frequentes sobre a síndrome do desfiladeiro torácico

A síndrome do desfiladeiro torácico tem cura?

Muitas pessoas melhoram bastante com o tratamento certo, mas o resultado depende do tipo da doença, da causa e do tempo de sintomas. Por isso não é possível prometer cura. O médico explica o que esperar no seu caso.

Que médico trata a síndrome do desfiladeiro torácico?

O diagnóstico costuma envolver um médico com experiência em nervos periféricos, como o neurocirurgião que atua nessa área. Quando há suspeita de problema na veia ou na artéria, entra também o cirurgião vascular. O fisioterapeuta experiente faz parte da equipe.

A fisioterapia resolve?

Ajuda muito em parte dos casos, desde que seja específica para a doença. Exercícios mal escolhidos podem piorar os sintomas. Se a fisioterapia bem feita não melhorar, vale reavaliar o diagnóstico.

Todo caso precisa de cirurgia?

Não. A cirurgia é indicada em casos selecionados, quando a compressão está bem identificada e o tratamento sem cirurgia não resolveu, ou quando há perda de força progressiva ou comprometimento dos vasos.

Como saber se é síndrome do desfiladeiro, hérnia de disco ou túnel do carpo?

Os sintomas se parecem, e só uma avaliação médica diferencia. A localização do formigamento, os testes no exame físico e os exames de imagem ajudam a separar uma doença da outra. Mais de uma pode existir ao mesmo tempo.

Posso fazer a consulta por teleconsulta?

Sim. A teleconsulta permite avaliar a sua história, os seus exames e orientar os próximos passos para quem não mora em Curitiba ou em São Paulo. Se for preciso, o exame físico é feito depois, de forma presencial.

Em resumo

A síndrome do desfiladeiro torácico acontece quando nervos e, mais raramente, vasos são comprimidos entre o pescoço, a clavícula e a primeira costela. Ela causa dor, formigamento e fraqueza no braço e na mão. Com avaliação cuidadosa, tratamento bem escolhido e ajustes no dia a dia, muitas pessoas conseguem controlar os sintomas.

Quer uma avaliação do seu caso?

Fale com a equipe do Dr. Thomas Marcolini pelo WhatsApp e tire suas dúvidas sobre a consulta presencial ou a teleconsulta.

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Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Não faça diagnóstico nem inicie tratamento por conta própria. Em caso de sinais de alerta, procure um pronto-socorro.

Fontes consultadas

  1. Panther EJ, et al. Thoracic outlet syndrome: a review. J Shoulder Elbow Surg. 2022;31(11):e545-e561. doi:10.1016/j.jse.2022.06.026
  2. Jones MR, et al. Thoracic outlet syndrome: a comprehensive review of pathophysiology, diagnosis, and treatment. Pain Ther. 2019;8(1):5-18. doi:10.1007/s40122-019-0124-2
  3. Povlsen B, Hansson T, Povlsen SD. Treatment for thoracic outlet syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(11):CD007218. doi:10.1002/14651858.CD007218.pub3

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510

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Conteúdo revisado em outubro de 2026.

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