Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • June 2, 2023

7 exercícios para a síndrome do desfiladeiro torácico: alívio em casa

Formigamento no braço, dor no ombro e mão dormente?

Você sente dor no pescoço e no ombro? Formigamento que desce pelo braço até os dedos? A mão fica fria, roxa ou dormente quando você levanta o braço? Esses sinais podem ter relação com a síndrome do desfiladeiro torácico.


Neste artigo, o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, explica de forma simples o que é essa síndrome, quais são os sintomas e quando procurar ajuda. Você também vai aprender 7 exercícios para fazer em casa, cada um com vídeo.

Resumo rápido

  • O que é: aperto de nervos e vasos no espaço entre o pescoço, a clavícula e a primeira costela.
  • O que ajuda: alongar, fortalecer as costas e corrigir a postura, com constância e sem dor forte.
  • Quando se preocupar: dor intensa que não alivia, perda de força, braço inchado ou mão fria e roxa. Procure um médico.

O que é a síndrome do desfiladeiro torácico?

Explicando de forma simples

Imagine um corredor estreito entre o pescoço, a clavícula e a primeira costela. Por ele passam os nervos que dão força e sensibilidade ao braço, além de veias e artérias. Quando esse espaço fica apertado, essas estruturas são comprimidas e os sintomas aparecem. É isso que chamamos de síndrome do desfiladeiro torácico.


A forma mais comum é a neurogênica, em que o nervo é comprimido. Mais raramente, a compressão atinge uma veia ou uma artéria, e isso precisa de avaliação médica mais rápida.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem aparecer em um lado só ou nos dois. Veja os mais comuns:

Dor no pescoço e no ombro

Pode descer pelo braço e dar sensação de peso, principalmente no fim do dia.

Formigamento e dormência

Atinge o braço, a mão e os dedos, muitas vezes o lado do dedo mínimo.

Fraqueza e perda de jeito

Dificuldade para segurar objetos, abotoar a roupa ou escrever.

Braço pesado acima da cabeça

Piora ao pentear o cabelo, lavar a cabeça, estender roupa ou dirigir.

Atenção

Mão fria, pálida ou roxa

Pode indicar compressão de um vaso. Merece avaliação médica.

Atenção

Inchaço no braço

Braço inchado, azulado ou com veias aparentes pede avaliação médica urgente.

Quais são as causas?

Na maioria das vezes não existe uma causa única. O desfiladeiro fica apertado por uma combinação de fatores, e a postura tem um papel importante. Os mais comuns são:

  • Postura: ombros caídos e pescoço projetado para a frente, por causa do celular, do computador ou do volante.
  • Desequilíbrio muscular: músculos do pescoço e do peito encurtados e músculos das costas fracos.
  • Movimentos repetidos: trabalhar com os braços acima da cabeça, como pintores, cabeleireiros, nadadores e atletas de arremesso.
  • Trauma: acidente de carro ou queda sobre o ombro.
  • Diferenças anatômicas: como a costela cervical, uma costela extra no pescoço que algumas pessoas têm desde o nascimento.
  • Peso excessivo nos ombros: bolsas e mochilas pesadas carregadas sempre do mesmo lado.


Os exercícios deste artigo atuam principalmente na postura e nos músculos. Eles não substituem a avaliação médica nem o acompanhamento com um fisioterapeuta.

Antes de começar: 6 dicas de segurança

  1. 1 Converse com seu médico ou fisioterapeuta antes de começar, principalmente se tem dor intensa, dormência constante ou fraqueza.
  2. 2 Faça os movimentos devagar, sem forçar e sem dar solavancos.
  3. 3 Sentir o músculo esticar é normal. Dor forte, choque ou piora do formigamento é sinal para parar.
  4. 4 Respire com calma durante o exercício. Não prenda o ar.
  5. 5 Prefira fazer um pouco todos os dias, em vez de muito de uma vez só.
  6. 6 Aqueça antes, com um banho morno ou movimentos leves dos ombros.

7 exercícios para fazer em casa

Como seguir esta sequência

Os quatro primeiros exercícios alongam e soltam a região do pescoço, do peito e da parte alta das costas. Os três últimos fortalecem as costas para sustentar melhor a postura. Em cada exercício, assista ao vídeo para ver o movimento completo.

Exercício 1: alongamento dos músculos escalenos

Para que serve: os escalenos são músculos dos lados do pescoço, bem ao lado do desfiladeiro. Quando estão tensos, podem apertar os nervos e os vasos que passam por ali.


Como fazer: sentado ou em pé, com os ombros relaxados, incline a cabeça para um lado e conte até 10. Volte ao centro e faça o mesmo para o outro lado. Repita 10 vezes para cada lado.


Dica: mantenha os ombros baixos, longe das orelhas. O alongamento deve ser suave e nunca doer.

Alongamento dos músculos escalenos do pescoço para aliviar a síndrome do desfiladeiro torácico

Assista ao vídeo acima: é a aula 1 do curso do Dr. Thomas no YouTube. Os outros vídeos aparecem nos próximos exercícios.

Exercício 2: extensão torácica

Para que serve: solta a parte alta das costas, que costuma ficar curvada para a frente, e abre espaço na região do peito.


Como fazer: sentado em uma cadeira, coloque as duas mãos na nuca. Leve a cabeça para trás, cerca de 45 graus, e conte até 45. Volte à posição inicial. Repita 3 vezes.


Dica: olhe para cima sem forçar a lombar. Se sentir tontura ou formigamento na mão, volte à posição inicial.

Exercício de extensão torácica para melhora da síndrome do desfiladeiro torácico

Exercício 3: deslizamento do braço na parede

Para que serve: melhora o movimento dos ombros e das escápulas ao levantar os braços e ensina o corpo a manter uma postura mais aberta.


Como fazer: em pé, com os pés paralelos, encoste todas as costas na parede. Erga os braços até o alto e depois abaixe até 90 graus, deslizando na parede. Repita 40 vezes, em ritmo lento.


Dica: se o formigamento aparecer ao levantar os braços, pare, descanse e volte com menos amplitude de movimento.

Deslizamento do braço na parede para melhorar a postura na síndrome do desfiladeiro torácico

Exercício 4: alongamento do peitoral na porta

Para que serve: quando o músculo peitoral está encurtado, ele puxa os ombros para a frente e diminui o espaço do desfiladeiro.


Como fazer: em frente a uma porta, apoie os braços abertos no batente. Jogue o peso do corpo para a frente, com cuidado, até sentir o peito esticar. Mantenha por 45 segundos e repita 3 vezes.


Dica: não deixe a lombar arquear. O alongamento deve ser sentido no peito, não nas costas.

Alongando o peitoral para melhorar a síndrome do desfiladeiro torácico.

Agora, fortalecimento

Com o pescoço e o peito mais soltos, é hora de fortalecer as costas. Isso ajuda o corpo a manter a postura correta durante o dia e a aliviar a pressão sobre o desfiladeiro.

Exercício 5: aproximar as escápulas

Para que serve: fortalece os músculos entre as escápulas, que ajudam a manter os ombros no lugar.


Como fazer: em pé, com a coluna ereta, tente aproximar as escápulas, como se quisesse encostar uma na outra. Mantenha por 30 segundos e depois relaxe. Repita 10 vezes.


Dica: não levante os ombros em direção às orelhas. Pense em levar as escápulas para baixo e para trás.

Alongamento e fortalecimento da musculatura entre as escapulas para melhora do desfiladeiro torácico

Exercício 6: remo com elástico

Para que serve: fortalece as costas e puxa os ombros para trás, o que melhora a postura.


Como fazer: sentado em uma cadeira, segure um elástico com os braços a 90 graus à frente do corpo. Puxe os braços para trás, mantendo o cotovelo a 90 graus, até que fiquem alinhados com o corpo. Faça 3 séries de 30 repetições.


Dica: comece com um elástico leve. O movimento deve sair das costas, e não do pescoço.

Exercício de Remo para alívio da síndrome do desfiladeiro torácico

Exercício 7: fortalecimento do trapézio médio

Para que serve: o trapézio médio ajuda a manter as escápulas bem posicionadas e o tronco ereto.


Como fazer: deitado no chão, com um apoio sob o peito, deixe os braços abertos e com o polegar voltado para o teto. Aproxime as escápulas e levante os braços, abrindo-os para cima. Faça 3 séries de 30 repetições.


Dica: comece sem peso. Só aumente a carga com a orientação do seu fisioterapeuta.

Fortalecimento de trapézio para alívio do desfiladeiro torácico.

Em quanto tempo os exercícios fazem efeito?

Esses exercícios não trazem resultado imediato. O melhor é fazer com constância, por semanas, junto com mudanças de hábito e uma boa reabilitação com fisioterapeuta.


Gostou dos vídeos? Procure o canal do Dr. Thomas Marcolini no YouTube. São 14 aulas ao todo.

6 hábitos para proteger o seu dia a dia

Faça pausas: levante e movimente os ombros a cada 30 a 40 minutos de computador.
Deixe a tela na altura dos olhos e apoie os antebraços na mesa.
Use o celular na altura dos olhos, sem baixar a cabeça.
Divida o peso: mochila nos dois ombros e evite bolsa pesada de um lado só.
Ao dormir, evite deixar o braço acima da cabeça e use um travesseiro que mantenha o pescoço alinhado.
Pratique atividade física com regularidade, incluindo fortalecimento das costas.

Quando procurar um médico

Os exercícios ajudam em muitos casos, mas alguns sinais pedem avaliação profissional sem demora.

Procure um pronto-atendimento

  • Dor no peito ou falta de ar. Esses sintomas nunca devem ser atribuídos apenas ao desfiladeiro torácico.
  • Braço de repente inchado, azulado ou arroxeado, com veias mais aparentes.
  • Mão ou braço frio, pálido e com dor súbita.

Agende uma consulta

  • Perda de força ou dificuldade crescente para usar a mão.
  • Dor intensa que não alivia ou que acorda você à noite.
  • Formigamento constante, que não passa.
  • Sintomas que não melhoram depois de algumas semanas de exercícios.

Perguntas frequentes

A síndrome do desfiladeiro torácico tem cura?
Muitas pessoas melhoram bastante com exercícios, fisioterapia e mudanças de hábito, mas o resultado varia de caso para caso. Quando o tratamento sem cirurgia não resolve, existem outras opções, e a cirurgia pode ser indicada em casos selecionados. Somente uma avaliação médica pode indicar o melhor caminho para você.
Quantas vezes por dia devo fazer os exercícios?
Depende do seu caso. O mais importante é a constância, e não a intensidade. Se você já faz fisioterapia, siga a orientação do seu fisioterapeuta. Se ainda não tem orientação, comece com poucas repetições e aumente aos poucos, sempre respeitando o limite da dor.
Posso fazer os exercícios se estou com muita dor?
Se a dor é forte, o formigamento é constante ou você está perdendo força, procure um médico antes de começar. Alongar não deve doer. Se a dor ou o formigamento piorarem durante o exercício, pare e descanse.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico costuma ser desafiador. Ele começa com uma conversa detalhada e um exame físico cuidadoso. Exames como ressonância, ultrassom com Doppler e eletroneuromiografia podem ajudar a descartar outras causas de dor e formigamento no braço, como hérnia de disco no pescoço, síndrome do túnel do carpo e compressão do nervo ulnar no cotovelo.
Qual médico trata a síndrome do desfiladeiro torácico?
O acompanhamento pode envolver neurologista, ortopedista, cirurgião vascular, fisiatra, fisioterapeuta e neurocirurgião que atua em nervos periféricos, conforme o tipo de compressão (nervo, veia ou artéria). O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos e atende em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta.

Quer uma avaliação com o Dr. Thomas Marcolini?

Se a dor, o formigamento ou a perda de força não melhoram, uma avaliação individual ajuda a entender a causa e a escolher o melhor tratamento. O atendimento é presencial em Curitiba e São Paulo, ou por teleconsulta.

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Dr. Thomas Marcolini Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
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Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Não use estas informações para se automedicar nem para iniciar exercícios ou tratamentos sem orientação profissional. Em caso de urgência, procure um pronto-atendimento.

Fontes

  1. Dengler NF, et al. Thoracic Outlet Syndrome Part I: Systematic Review of the Literature and Consensus on Anatomy, Diagnosis, and Classification of Thoracic Outlet Syndrome by the European Association of Neurosurgical Societies' Section of Peripheral Nerve Surgery. Neurosurgery. 2022;90(6):653-667. doi:10.1227/neu.0000000000001908
  2. Khabyeh-Hasbani N, et al. Current Concepts in the Management of Neurogenic Thoracic Outlet Syndrome: A Review. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2023;11(3):e4829. doi:10.1097/GOX.0000000000004829
  3. Dessureault-Dober I, et al. Diagnostic Accuracy of Clinical Tests for Neurogenic and Vascular Thoracic Outlet Syndrome: A Systematic Review. J Manipulative Physiol Ther. 2018;41(9):789-799. doi:10.1016/j.jmpt.2018.02.007
  4. Illig KA, Gober L. Optimal management of upper extremity deep vein thrombosis: Is venous thoracic outlet syndrome underrecognized? J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2022;10(2):514-526. doi:10.1016/j.jvsv.2021.07.011

Texto de Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atualizado em outubro de 2026.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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