

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Paralisia Facial: Sintomas, Causas e Tratamento (Guia Completo)
Acordar, olhar no espelho e ver que um lado do rosto não se mexe assusta qualquer pessoa. Isso é a paralisia facial: o nervo facial, que dá o comando para os músculos do rosto, deixa de funcionar direito. Ela pode atingir um lado do rosto ou, mais raramente, os dois.
Neste guia, em linguagem simples, você vai entender os sinais de alerta, as causas, como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos, incluindo as cirurgias. No final, há dicas práticas e respostas para as dúvidas mais comuns.
Em resumo
- Paralisia facial é a perda de força nos músculos do rosto por um problema no nervo facial.
- A causa mais comum é a paralisia de Bell, que costuma melhorar com o tempo e o tratamento.
- Rosto caído com fraqueza no braço ou fala enrolada pode ser AVC: ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro.
- Proteger o olho desde o primeiro dia evita lesões na córnea.
- Quanto antes o caso for avaliado, mais opções de tratamento existem.
Neste guia:
O que é a paralisia facial?
O nervo facial sai do cérebro, passa por um pequeno canal no osso perto do ouvido e se espalha pelo rosto. É ele que manda o comando para você sorrir, piscar, levantar a sobrancelha e fechar a boca ao mastigar. Ele também leva o paladar e ajuda a controlar as lágrimas e a saliva.
Quando esse nervo fica inflamado, comprimido, machucado ou cortado, o comando não chega aos músculos. O resultado é fraqueza ou perda de movimento em um lado do rosto, às vezes nos dois. Isso muda a aparência e atrapalha coisas simples, como piscar, falar e comer.
Dois tipos de paralisia
Periférica: o problema está no próprio nervo facial. Em geral, atinge a metade do rosto, inclusive a testa.
Central: o problema está no cérebro, como no AVC. Costuma poupar a testa, mas só o médico consegue fazer essa diferença com segurança.
Sinais e sintomas: o que você pode sentir
Os sinais variam de pessoa para pessoa. Muitos pacientes lembram exatamente como tudo começou: uma dor atrás da orelha, o espelho pela manhã, a água que escorreu ao beber ou um familiar que notou algo diferente no rosto.
Rosto sem expressão
Dificuldade para sorrir, franzir a testa, levantar a sobrancelha ou fechar o olho. O rosto pode ficar “puxado” para o lado que se mexe normalmente.
Dor ou pressão
Dor, formigamento ou sensação de pressão no rosto ou atrás da orelha, muitas vezes antes de a fraqueza aparecer.
Olho seco ou lacrimejando
O olho pode não fechar direito, ficar vermelho, seco ou lacrimejar. Não é detalhe: sem proteção, a córnea pode se ferir e a visão pode ser prejudicada.
Fala e mastigação
Dificuldade para falar certas letras, morder a bochecha, comida que fica acumulada entre a bochecha e os dentes e saliva ou água que escapam pelo canto da boca.
Sons mais altos
Sensibilidade aumentada a sons em um dos ouvidos (hiperacusia) ou sensação de som abafado.
Mudança no paladar
Alteração ou perda do paladar em uma parte da língua, em geral do lado do rosto afetado.
Quando procurar ajuda urgente
Ligue 192 (SAMU) ou vá ao pronto-socorro agora se, junto com a fraqueza no rosto, houver fraqueza ou formigamento no braço ou na perna, fala enrolada, confusão, dor de cabeça muito forte ou perda de visão. Pode ser um AVC, e cada minuto conta.
Mesmo sem esses sinais, procure um médico no mesmo dia ou nas primeiras 72 horas. Na paralisia de Bell, começar o tratamento cedo faz diferença.
Principais causas da paralisia facial
Descobrir a causa é o primeiro passo, porque o tratamento depende dela. Estas são as mais comuns:
Paralisia de Bell
É a causa mais comum. O nervo facial inflama e incha dentro do canal do osso, e o comando não chega ao rosto. A causa exata não é conhecida, mas pode ter relação com vírus, como o do herpes. Costuma aparecer de repente, em até 2 ou 3 dias, e a maioria das pessoas melhora com o tempo e o tratamento.
Infecções
Infecção no ouvido médio, meningite, doença de Lyme e herpes-zóster no ouvido (síndrome de Ramsay Hunt, com bolhas perto da orelha) podem atingir o nervo facial.
Trauma
Pancadas na cabeça, fraturas do osso perto do ouvido, cortes no rosto ou complicações de cirurgias na região podem machucar o nervo.
Doenças neurológicas
Esclerose múltipla e síndrome de Guillain-Barré, por exemplo, podem causar fraqueza no rosto.
AVC (derrame)
Um AVC afeta a área do cérebro que comanda o rosto. Em geral, vem junto com outros sinais, como fraqueza no braço ou na perna e dificuldade para falar.
Tumores
Tumores perto do nervo, no ouvido, na glândula parótida ou no cérebro podem causar paralisia facial. Veja mais abaixo.
Veja no vídeo: o que é a paralisia de Bell
Tumores que podem causar paralisia facial
Mais raramente, um tumor perto do nervo facial pode ser o motivo da paralisia. Por isso, quando a fraqueza vai piorando aos poucos, não melhora ou volta a aparecer, o médico costuma pedir exames de imagem.
Neurinoma do acústico (schwannoma vestibular)
É um tumor benigno do nervo da audição e do equilíbrio. Como fica ao lado do nervo facial, pode afetá-lo, principalmente durante a cirurgia para retirá-lo. É mais comum em quem tem neurofibromatose tipo 2. Se o nervo facial for lesado, existem cirurgias para reconstruir a função.
Tumor de parótida
A parótida é a maior glândula de saliva, perto do ouvido e do maxilar, e o nervo facial passa por dentro dela. A maioria dos tumores é benigna, mas alguns são malignos. O nervo pode ser pressionado pelo tumor ou lesado na cirurgia. Nesses casos, pode ser necessária uma cirurgia para recuperar o movimento do rosto.
Tumores cerebrais
São crescimentos anormais de células no cérebro, benignos ou malignos. Podem pressionar áreas que comandam o rosto. A conduta é definida por uma equipe médica, caso a caso, e nem sempre a cirurgia é a melhor opção.
Schwannoma do nervo facial
É um tumor raro, geralmente benigno, que nasce nas células que revestem o próprio nervo facial. A cirurgia para retirá-lo pode ser difícil, pois há risco de lesar o nervo. Por isso, a decisão é individual.
Não sabe se o seu caso tem relação com algum tumor? Só o médico, com o exame do rosto e a ressonância magnética, pode dizer.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa na conversa e no exame físico. O médico pergunta como e quando começou, se houve dor, infecção ou trauma, e pede que você faça movimentos com o rosto. Dependendo do caso, ele pode pedir alguns exames:
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Eletroneuromiografia (EMG) de face
Exame feito com pequenos eletrodos e choques leves. Ele mostra o quanto o nervo foi lesado e se já há sinais de recuperação. É um exame desconfortável e, às vezes, tem custo alto. Mesmo assim, nos casos graves, ajuda muito a indicar ou não uma cirurgia, porque mostra o que não dá para ver só olhando o rosto.
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Ressonância magnética ou tomografia do crânio
Mostram se existe tumor, inflamação, fratura ou outro problema que explique a paralisia.
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Testes de audição
Avaliam se o ouvido e o nervo da audição também foram afetados.
Vale a pena fazer a eletroneuromiografia?
Nos casos graves, na maioria das vezes sim. O resultado ajuda a decidir o melhor momento e o melhor tipo de tratamento.

Como é o tratamento da paralisia facial?
O tratamento depende da causa e da gravidade. Muitas vezes ele junta remédios, fisioterapia, cuidados com o olho e, em casos selecionados, cirurgia.
O mais importante é começar cedo. Na paralisia de Bell, por exemplo, o corticoide funciona melhor quando é iniciado nos primeiros dias. Por isso, procure um médico logo que notar o problema.

Veja no vídeo: opções de tratamento
Medicamentos
Dependendo da causa, o médico pode indicar corticoide para reduzir a inflamação, antivirais em casos selecionados e outros remédios. A vitamina B é muito usada, mas não há estudos sólidos mostrando que ela melhore a recuperação. Não tome remédios por conta própria.
Fisioterapia facial
O acompanhamento com um fisioterapeuta que conhece paralisia facial costuma ajudar a recuperar a força, melhorar a simetria e evitar a sincinesia, que são movimentos involuntários, como a boca repuxar ao piscar.
Cuidados com o olho
Lágrima artificial durante o dia, pomada à noite, óculos escuros e proteção ao dormir evitam feridas na córnea. Se o olho ficar vermelho, doer ou embaçar, procure um oftalmologista.
Toxina botulínica (Botox)
É usada principalmente nas sequelas, para relaxar músculos que ficaram contraídos e melhorar a simetria do rosto. Deve ser aplicada por médico habilitado.
Cirurgia
Indicada nos casos graves ou quando o nervo não se recupera. Veja os tipos de cirurgia mais abaixo, na seção Quando a cirurgia é necessária.
Veja no vídeo: cuidados com os olhos na paralisia facial
Quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia é pensada nos casos mais graves ou quando o nervo não se recupera sozinho. Ela pode ser indicada, por exemplo, quando o exame mostra que o nervo foi muito lesado, ou quando um tumor ou uma fratura pressiona o nervo.
O momento certo faz toda a diferença. Com o passar dos meses, os músculos do rosto perdem a capacidade de responder, e algumas cirurgias deixam de ser possíveis. Por isso, procure avaliação cedo, mesmo que ainda tenha esperança de melhorar sozinho.

Descompressão do nervo facial
Indicada quando algo comprime o nervo, como um trauma ou um tumor. A cirurgia retira o que está pressionando e dá espaço para o nervo se recuperar.
Reparo ou enxerto de nervo
Usado quando o nervo foi cortado ou tem uma lesão sem chance de melhora. Um pedaço de nervo saudável, tirado de outra parte do corpo, reconecta o nervo facial. A técnica chamada cross-face é um exemplo.
Transferência de músculo
Pode ser indicada na paralisia antiga, quando os músculos do rosto já não respondem. Um músculo de outra região do corpo é levado ao rosto para ajudar a devolver o movimento do sorriso.
Nenhuma cirurgia garante a volta completa do movimento. A melhor opção depende do seu caso, e só uma avaliação individual, com exame e história clínica, pode indicá-la.
Dicas práticas para o dia a dia
Aceitar um rosto diferente do que você está acostumado é difícil. Mas pequenas atitudes ajudam na recuperação e protegem você de complicações.
Cuide do olho todos os dias
Use lágrima artificial durante o dia, pomada à noite, óculos escuros na rua e tampão para dormir, se o médico indicar. Olho vermelho, dor ou visão embaçada: procure um oftalmologista.
Coma com calma
Mastigue devagar, dos dois lados, e prefira comidas macias no começo. Escove os dentes depois de comer, porque restos de comida podem ficar entre a bochecha e a gengiva.
Exercícios só com orientação
Exercícios leves e massagens suaves ajudam, mas o ideal é aprender com um fisioterapeuta. Exagerar pode piorar movimentos involuntários. Veja exercícios para fazer em casa.
Beba com cuidado
Se o líquido escorrer pelo canto da boca, beba em pequenos goles ou use canudo. Fale mais devagar, principalmente nas primeiras semanas.
Peça apoio
Converse com a família e os amigos. Se você se sentir muito triste ou começar a evitar sair de casa, considere conversar com um psicólogo.
Evite estes erros
Não espere melhorar sozinho sem consultar um médico. Não tome corticoide ou outros remédios por conta própria. Não faça massagens fortes nem puxe o rosto. Não pare a fisioterapia sem avisar.
Veja no vídeo: o que não fazer na paralisia facial
Perguntas frequentes sobre paralisia facial

A paralisia facial é permanente?
Nem sempre. Em muitos casos ela é temporária e melhora com o tempo e o tratamento. Em outros, pode ficar permanente ou deixar sequelas, como fraqueza leve, rosto assimétrico ou movimentos involuntários.
A paralisia facial é contagiosa?
Não. A paralisia em si não passa de uma pessoa para outra. Mas a causa, como uma infecção por vírus, pode ser contagiosa.
Quanto tempo leva para melhorar?
Depende da causa e da gravidade. Na paralisia de Bell, os primeiros sinais de melhora costumam aparecer nas primeiras semanas, mas a recuperação completa pode levar meses. Se não houver nenhuma melhora depois de algum tempo, vale rever o caso com um médico que trate lesões do nervo facial.
O estresse pode causar paralisia facial?
O estresse sozinho não causa. Mas ele pode enfraquecer as defesas do corpo e favorecer infecções por vírus, que estão ligadas à paralisia de Bell.
A paralisia facial afeta a audição?
Ela não costuma tirar a audição, mas pode causar sensação de som abafado ou sensibilidade a sons altos (hiperacusia), porque um pequeno músculo do ouvido também depende do nervo facial. Se você perceber que ouve menos, avise o médico, pois a causa pode estar no ouvido.
A paralisia facial atrapalha a fala e o ato de engolir?
Sim. Os músculos do rosto ajudam a falar e a manter a comida e a saliva dentro da boca. Pode haver dificuldade para pronunciar algumas letras, e a saliva ou a água podem escapar pelo canto da boca. A fonoaudiologia ajuda nesses casos.
É possível prever como será a recuperação?
Não com exatidão. Depende da causa, da gravidade e de quanto tempo o tratamento demorou a começar. Alguns exames, como a eletroneuromiografia, ajudam o médico a estimar o que esperar.
A toxina botulínica (Botox) pode ser usada?
Sim, em casos selecionados. Ela é usada principalmente nas sequelas, para relaxar músculos que ficaram contraídos, diminuir movimentos involuntários (sincinesia) e melhorar a simetria do rosto. A aplicação deve ser feita por médico habilitado. Saiba mais sobre o Botox na paralisia facial.
O tratamento é igual para todo mundo?
Não. O tratamento muda conforme a causa, o tempo desde o início e a gravidade. Por isso cada caso precisa ser avaliado de forma individual.
Qual médico devo procurar?
O primeiro passo costuma ser um clínico geral, neurologista, otorrinolaringologista ou o pronto-socorro, principalmente se o quadro começou de repente. Nos casos graves, ou quando não há melhora, vale a avaliação de um cirurgião que trate lesões de nervos periféricos.
Veja no vídeo: o tratamento é igual para todo mundo?
Conheça o Dr. Thomas Marcolini
O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião e atua em nervos periféricos. Ele atende pessoas com lesões do nervo facial e de outros nervos do corpo.
Cada paralisia facial é diferente. Na consulta, ele ouve a sua história, examina o rosto, analisa os seus exames e explica com calma as opções de tratamento, inclusive quando a cirurgia não é necessária.
As consultas são particulares, presenciais em Curitiba e São Paulo, ou por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

Avaliação individual
Seu histórico, seus exames e o que você espera do tratamento são levados em conta em cada decisão.
Explicação clara
Você entende o que está acontecendo no seu rosto e quais são os caminhos possíveis, sem pressa.
Acompanhamento próximo
A recuperação é acompanhada de perto e as dúvidas são esclarecidas durante o tratamento.
Veja também no vídeo
Aviso importante
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Não use este texto para se diagnosticar ou se tratar por conta própria. Em caso de urgência, ligue 192 (SAMU) ou procure um pronto-socorro.
Dr. Thomas Marcolini · Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003
Fontes consultadas
- Gilden DH. Bell's palsy. N Engl J Med. 2004;351(13):1323-1331. PubMed
- Baugh RF, Basura GJ, Ishii LE, et al. Clinical practice guideline: Bell's palsy. Otolaryngol Head Neck Surg. 2013;149(3 Suppl):S1-S27. PubMed
- Madhok VB, Gagyor I, Daly F, et al. Corticosteroids for Bell's palsy (idiopathic facial paralysis). Cochrane Database Syst Rev. 2016;7:CD001942. PubMed
- Gagyor I, Madhok VB, Daly F, Sullivan F. Antiviral treatment for Bell's palsy (idiopathic facial paralysis). Cochrane Database Syst Rev. 2019;9:CD001869. PubMed

