Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Dr. Thomas Marcolini • August 4, 2023

Lesão de Nervo facial em uma Cirurgia plástica: O que devo fazer?

Paciente realizando procedimento estético facial com risco de lesão do nervo facial

Lesão do nervo facial após cirurgia plástica: o que fazer?

Você fez uma cirurgia estética, o inchaço começou a baixar e, ao se olhar no espelho, percebeu que o rosto não se move como antes. Um lado do sorriso não acompanha, o olho não fecha direito ou a testa não franze. Respire fundo: isso assusta, mas existe caminho de avaliação e de tratamento, e quanto antes você entender o que está acontecendo, melhor.

Neste guia, explicamos em linguagem simples o que é a lesão do nervo facial, quais procedimentos estão mais associados a ela, como reconhecer os sinais, o que fazer nos primeiros dias e quando procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos.

Resumo rápido

  • A lesão do nervo facial pode acontecer em cirurgias e procedimentos no rosto, mesmo quando feitos com técnica correta.
  • Muitos casos são temporários (inchaço, estiramento ou efeito da anestesia) e melhoram com o tempo.
  • Se o olho não fecha, procure atendimento logo: ele precisa de proteção.
  • Se o rosto não melhora, ou se há suspeita de corte do nervo, a avaliação precoce com um especialista faz diferença.

O que é a lesão do nervo facial?

O nervo facial é o nervo que faz os músculos do rosto se mexerem. É ele que permite sorrir, piscar, fechar os olhos, franzir a testa e mexer a boca ao falar. Ele sai perto da orelha e se divide em vários ramos finos, que passam por baixo da pele da testa, da bochecha e da mandíbula.

Como esses ramos ficam perto da pele, eles podem ser esticados, comprimidos, queimados pelo bisturi elétrico ou cortados durante uma cirurgia no rosto. Isso é uma complicação conhecida, pouco frequente, mas que pode acontecer mesmo quando a técnica é correta.

Nem toda lesão é igual. Às vezes o nervo está apenas "adormecido" por causa do inchaço ou do estiramento e volta a funcionar sozinho. Em outros casos ele foi realmente cortado, e a avaliação precisa ser mais rápida. Por isso, entender o tipo de lesão é o primeiro passo.

Quais procedimentos estão mais associados à paralisia facial?

A lesão do nervo facial pode aparecer após qualquer procedimento feito perto dos ramos do nervo. Veja os mais citados:

Lifting facial

Os ramos do nervo perto da orelha, da têmpora e da mandíbula ficam próximos da área onde a pele é descolada.

Bichectomia

A retirada da gordura da bochecha fica perto dos ramos do nervo e do ducto da glândula parótida. A paresia facial é uma complicação rara, mas já descrita em estudos.

Preenchimentos, fios e outros materiais

Aplicações profundas ou mal posicionadas podem, raramente, comprimir ou ferir ramos do nervo facial.

Retirada de pintas e lesões de pele

Na face, ramos finos do nervo podem estar logo abaixo da pele, e uma cirurgia mais profunda pode atingi-los.

Cirurgias de testa, sobrancelha e pálpebras

O ramo que move a testa e a sobrancelha é superficial na região da têmpora e pode ser afetado.

Mandíbula, papada e procedimentos odontológicos

O ramo que move o canto da boca e o lábio inferior passa perto da mandíbula.

Importante: isso não quer dizer que esses procedimentos sejam perigosos. A lesão é uma complicação pouco frequente. O risco depende da técnica, da anatomia de cada pessoa e do tipo de procedimento.
Rosto de homem em close, ilustrando lesão do nervo facial após cirurgia estética

Por que a lesão acontece?

Existem várias explicações possíveis. Entender a causa ajuda a definir o tratamento:

  • Estiramento ou tração: o nervo é esticado quando a pele é descolada, como no lifting facial. Costuma ser temporário.
  • Inchaço e hematoma: o líquido acumulado pressiona os ramos do nervo. Melhora conforme o inchaço baixa.
  • Anestesia local: pode deixar o rosto "dormente" por algumas horas. Se passar do tempo previsto, avise a equipe.
  • Calor do bisturi elétrico: pode machucar o nervo que está por perto.
  • Corte do nervo: é a causa menos comum, porém a mais séria, porque costuma exigir reparo cirúrgico.

O desenho dos nervos do rosto muda de pessoa para pessoa. Por isso o risco existe mesmo em cirurgias bem feitas. Se você tem dúvidas sobre o que aconteceu, peça uma cópia do prontuário e do relatório cirúrgico.

Sintomas: como perceber que algo está errado

Muitas vezes, a pessoa só nota a diferença quando o inchaço começa a baixar, nos primeiros dias ou semanas depois da cirurgia. Fique atento aos sinais abaixo, principalmente se eles aparecem de um lado só do rosto:

Dificuldade de fechar o olho

O olho fica aberto ou não fecha por completo ao piscar ou dormir.

Dificuldade de sorrir

O sorriso sai torto e fica difícil mostrar os dentes de um lado.

Boca desviada

A boca é puxada para o lado que não foi operado.

Testa parada

Dificuldade de franzir a testa ou de levantar a sobrancelha.

Movimentos "errados"

Mexidas estranhas do rosto ao falar, comer ou beber.

Formigamento ou dormência

Alteração da sensibilidade perto da região operada. Pode envolver outros nervos do rosto.

Atenção ao olho

Se o olho não fecha por completo, a córnea (a "janela" do olho) fica exposta e pode ressecar ou sofrer lesões. Procure atendimento rápido e use lágrima artificial conforme a orientação médica.

Nas lesões mais graves, quando grande parte do nervo é afetada, todo um lado do rosto pode ficar sem movimento e o desvio fica bem visível.

Ponto de interrogação vermelho em destaque entre pontos de interrogação cinza, dúvidas sobre gravidade da lesão do nervo facial

O que fazer se você suspeita de lesão no nervo facial?

Se o rosto mudou depois de um procedimento, agir cedo faz diferença. Estas dicas ajudam a proteger você e a facilitar o diagnóstico:

  • 1

    Avise o seu cirurgião logo

    Não espere "passar". Conte o que mudou e peça um retorno rápido.

  • 2

    Proteja o olho

    Se o olho não fecha, use lágrima artificial durante o dia e siga a orientação do oftalmologista para a noite (pomada ou oclusão).

  • 3

    Registre a evolução

    Tire fotos e faça vídeos curtos com o rosto parado, sorrindo, piscando e franzindo a testa. Repita toda semana, com a mesma luz.

  • 4

    Guarde seus documentos

    Peça cópia do relatório cirúrgico e do prontuário. Guarde receitas e exames.

  • 5

    Evite tratamentos sem orientação

    Massagens fortes, aparelhos de estímulo elétrico e exercícios da internet, sem acompanhamento, podem atrapalhar. Faça reabilitação apenas com profissional treinado.

  • 6

    Não faça novos procedimentos no rosto

    Espere a avaliação e a recuperação antes de qualquer nova cirurgia, preenchimento ou toxina.

  • 7

    Busque avaliação especializada

    Se o olho não fecha, se há suspeita de corte do nervo ou se não há melhora nas primeiras semanas, consulte um neurocirurgião que atua em nervos periféricos.

Veja orientações sobre exercícios para paralisia facial

Tratamento: o que pode ser feito

O tratamento depende do tipo de lesão e de quanto tempo já se passou. As opções mais usadas são:

  • Observação e acompanhamento: quando o nervo está apenas "machucado", muitas pessoas melhoram em semanas ou meses.
  • Reabilitação facial: fisioterapia ou fonoaudiologia com profissional treinado em paralisia facial.
  • Medicamentos: em alguns casos, a critério médico, como o uso de corticoide.
  • Toxina botulínica: ajuda a equilibrar o rosto e a reduzir movimentos involuntários que podem surgir durante a recuperação.
  • Cirurgia do nervo: indicada quando há corte do nervo ou quando não há melhora. Pode ser reparo direto, enxerto de nervo ou transferência de nervo.

Estudos mostram que reparos feitos mais cedo tendem a ter melhores resultados. Também mostram que a melhora pode levar um ano ou mais e que o movimento nem sempre volta a ser 100% normal, mas a maioria dos pacientes ganha simetria e movimento.

Linha do tempo: o que esperar

  • Primeiros dias

    Avise o cirurgião, proteja o olho e comece a registrar fotos e vídeos.

  • Primeiras semanas

    O inchaço baixa e o quadro fica mais claro. Se há paralisia completa ou suspeita de corte do nervo, não espere: procure avaliação especializada.

  • De 1 a 3 meses sem melhora

    Hora de uma avaliação com exames, para saber se o nervo está se recuperando ou se existe indicação de cirurgia.

  • Meses até mais de 1 ano

    O nervo se recupera devagar. Acompanhamento, reabilitação e, quando indicado, cirurgias para devolver o movimento.

Quando procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos?

Acompanhar a recuperação com o cirurgião que operou é importante, mas busque também a avaliação de um neurocirurgião que atua em nervos periféricos nestas situações:

  • o olho não fecha ou um lado do rosto ficou sem movimento;
  • existe suspeita de que o nervo foi cortado;
  • não há nenhum sinal de melhora nas primeiras semanas;
  • a melhora parou ou surgiram movimentos involuntários no rosto.

Na consulta, conversamos sobre a cirurgia, examinamos o movimento do rosto, revisamos o relatório cirúrgico e, quando necessário, pedimos exames como a eletroneuromiografia e exames de imagem. Com isso, é possível definir se o caso é de observar, reabilitar ou operar. O atendimento é presencial, em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta.

Conheça o atendimento para paralisia facial e agende sua avaliação

Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, sentado em seu consultório

Conclusão

A lesão do nervo facial depois de uma cirurgia plástica é uma complicação possível, mas pouco frequente. Em muitos casos ela é temporária e melhora com o tempo e o acompanhamento correto. Em outros, é preciso agir cedo para aumentar as chances de recuperação.

Se você notou que o rosto não se mexe como antes, não espere "passar" sem entender o que está acontecendo: avise seu cirurgião, proteja o olho, registre a evolução com fotos e procure uma avaliação especializada. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções de tratamento existem.

Perguntas frequentes sobre a lesão do nervo facial

É possível evitar a lesão do nervo facial?

Não dá para zerar o risco, mas dá para reduzir. Escolha um médico com formação e experiência no procedimento, converse sobre os riscos e peça que tudo seja explicado antes da cirurgia.

Os sintomas sempre desaparecem?

Nem sempre. Quando o nervo só foi esticado ou comprimido, muitos casos melhoram sozinhos. Quando houve lesão maior ou corte, pode ser preciso tratamento, inclusive cirurgia. Apenas a avaliação mostra em qual situação você está.

Quanto tempo leva a recuperação?

Varia de semanas a mais de um ano. Os nervos se regeneram devagar, em média cerca de 1 milímetro por dia, por isso o acompanhamento costuma ser longo.

Existe tratamento para a lesão do nervo facial?

Sim. Dependendo do caso, o tratamento inclui acompanhamento, reabilitação facial, medicamentos, toxina botulínica e cirurgia do nervo (reparo, enxerto ou transferência de nervo).

Posso fazer outra cirurgia plástica depois da lesão?

Cada caso é único. O ideal é esperar a recuperação e conversar com um especialista antes de qualquer novo procedimento no rosto.

Devo procurar um neurocirurgião mesmo que meu cirurgião diga que vai melhorar?

Você tem direito a uma segunda opinião. Se o olho não fecha, se um lado do rosto está sem movimento ou se não há melhora nas primeiras semanas, a avaliação com um neurocirurgião que atua em nervos periféricos ajuda a não perder tempo.

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Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510

CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso é único, e apenas a avaliação de um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento adequados. Não há garantia de resultado.

Fontes consultadas (PubMed)

  1. Condie D, Tolkachjov SN. Facial Nerve Injury and Repair: A Practical Review for Cutaneous Surgery. Dermatol Surg. 2019;45(3):340-357. DOI
  2. Sanchez A, Pannu J, Fuller JC. Facial paralysis: timing of repair and management of the nonflaccidly paralyzed face. Curr Opin Otolaryngol Head Neck Surg. 2021;29(4):265-270. DOI
  3. Franco A, Frants A, von Sneidern M, Eytan DF. Transient facial paresis as a complication of buccal fat removal. JPRAS Open. 2024;42:244-249. DOI
Dr. Thomas Marcolini e equipe cirúrgica em centro cirúrgico durante cirurgia de nervos periféricos

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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