Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • May 16, 2022

Nervo da costela inflamado: entenda a neuralgia intercostal

Ilustração do tórax com o nervo intercostal em destaque: neuralgia intercostal é causada por problema no nervo das costelas

Dor em faixa que começa nas costas e corre pela lateral do corpo até o peito ou a barriga, com queimação, choques ou formigamento? Esse é o retrato clássico da neuralgia intercostal, a famosa "inflamação do nervo da costela".


Neste guia, explico em linguagem simples o que é esse problema, por que ele acontece, como reconhecer os sintomas e quais tratamentos existem, do remédio à cirurgia. No fim, você encontra dicas práticas para aliviar a dor no dia a dia e as respostas às dúvidas mais comuns do consultório.

Assista: nervo da costela inflamado, como tratar

Neste vídeo do meu canal, explico como reconhecer a neuralgia intercostal e quais são os caminhos de tratamento.

O que é a neuralgia intercostal?


Entre cada par de costelas passa um nervo chamado nervo intercostal. Ele leva a sensibilidade da pele do tórax e da parte de cima da barriga e ajuda a controlar os músculos da respiração. São 12 pares, um para cada espaço entre as costelas.


Quando um desses nervos é comprimido, irritado ou lesionado, ele passa a enviar sinais de dor sem motivo aparente. Chamamos isso de neuralgia intercostal (ou neurite intercostal, quando há inflamação). É um tipo de dor neuropática: a dor que nasce no próprio nervo, e não no músculo ou no osso. Por isso ela tem um comportamento diferente da dor comum e costuma responder mal aos analgésicos do dia a dia.

Desenho do tronco mostrando a dor da neuralgia intercostal em faixa, das costas em direção ao peito, seguindo a costela

Principais causas da neuralgia intercostal


A neuralgia intercostal não surge do nada. As causas mais comuns são:


  • Herpes-zóster (cobreiro): o vírus ataca o nervo e pode deixar dor por meses depois que as bolhas somem (neuralgia pós-herpética).
  • Cirurgias no tórax ou na mama: cirurgia cardíaca, de pulmão, mastectomia, drenos e até cirurgias por vídeo podem lesar o nervo ou prendê-lo na cicatriz.
  • Traumas: fratura de costela, pancadas fortes e quedas.
  • Compressão mecânica: por músculos tensos, por uma hérnia de disco na coluna torácica ou por alterações das vértebras. Na parede da barriga, um ramo do nervo pode ficar preso ao atravessar o músculo (a chamada síndrome de encarceramento do nervo cutâneo anterior, ou ACNES).
  • Gravidez: a expansão do tórax e a mudança de postura podem irritar o nervo.
  • Mais raramente: infecções, diabetes e tumores que comprimem o nervo.


Em alguns pacientes não se encontra uma causa clara. Mesmo assim, a dor é real e tem tratamento.

Esquema: como o nervo fica comprimido entre as costelas

Os desenhos abaixo mostram, de forma simplificada, por onde passa o nervo intercostal e o que acontece quando ele fica preso no caminho.

1. O trajeto do nervo

Vista lateral do tórax: o nervo intercostal sai da coluna, corre logo abaixo da costela até o peito e está comprimido no meio do trajeto, causando dor em faixa COSTAS PEITO 1 2 3 4
  1. 1 Nervo intercostal: sai da coluna e corre logo abaixo da costela, das costas até o peito.
  2. 2 Ponto de compressão: cicatriz, músculo tenso, fratura ou inflamação prendem o nervo.
  3. 3 Dor em faixa: o nervo irritado dói em todo o trajeto, de um lado só.
  4. 4 Ramos para a pele: explicam a queimação, o formigamento e a sensibilidade ao toque.

2. Zoom entre duas costelas

Corte entre duas costelas: veia, artéria e nervo intercostal passam no sulco abaixo da costela; o nervo aparece achatado por uma cicatriz e envia sinais de dor 1 2 3 4
  1. 1 Costelas: o nervo fica protegido num sulco logo abaixo de cada uma.
  2. 2 Músculos intercostais: quando tensos ou com cicatriz, podem apertar o nervo.
  3. 3 Veia, artéria e nervo correm juntos, nessa ordem, de cima para baixo.
  4. 4 Nervo comprimido: achatado pela cicatriz, ele passa a enviar choques e queimação.

Esquema simplificado, sem escala, para fins educativos. Na prática, a compressão pode estar perto da coluna, na lateral do tórax ou na parede da barriga, e o ponto exato é definido na consulta.

Cartão com os três sintomas que o paciente com neuralgia intercostal sente: queimação, choque e coceira na costela

Sintomas: como reconhecer a neuralgia intercostal


A dor da neuralgia intercostal tem um "jeito" próprio. Ela costuma ser de um lado só, acompanha o trajeto de uma ou mais costelas e vem com sensações estranhas na pele. Repare se você sente algum destes sinais:

Dor em faixa

Segue o trajeto da costela, das costas para a frente, quase sempre de um lado só.

Queimação

Sensação de ardor ou de pele queimando, mesmo sem nada na pele.

Choques

Pontadas elétricas, curtas e intensas, que surgem do nada.

Formigamento ou dormência

Pele "adormecida" ou com agulhadas na região da costela.

Coceira que não passa

Coceira sem alergia e sem manchas, que não melhora com creme, porque vem do nervo.

Pele sensível ao toque

A roupa, o lençol ou o cinto incomodam ou doem (o nome disso é alodinia).

Dica para a consulta: passe o dedo sobre a pele e marque exatamente por onde a dor "caminha". Se ela desenha uma linha de trás para a frente, seguindo uma costela, a chance de ser o nervo intercostal é grande.

O que piora a dor do nervo da costela?


A dor costuma piorar com tudo o que estica ou movimenta o tórax: tossir, espirrar, rir, respirar fundo, girar o tronco, levantar os braços, deitar sobre o lado dolorido e usar roupas apertadas, cintos ou sutiã com aro. Também é comum piorar à noite, no frio e em períodos de estresse e sono ruim.


Atenção: dor no peito pode ser outra coisa


Dor no peito que vem com falta de ar, suor frio, enjoo, sensação de aperto ou que se espalha para o braço ou para o queixo exige atendimento de emergência imediato, porque pode ser um problema do coração. Só depois de descartar coração, pulmão, estômago e vesícula é que se pensa no nervo intercostal.

Cartão mostrando quando a dor da neuralgia intercostal piora: ao movimentar o corpo, espirrar e tossir

Como é feito o diagnóstico?


O diagnóstico é, antes de tudo, clínico: a história da dor e o exame físico já dizem muito. No consultório, procuro o ponto exato onde o nervo dói, testo a sensibilidade da pele e confiro se a dor segue o trajeto da costela.


Exames de imagem (radiografia, tomografia ou ressonância) servem principalmente para descartar outras causas, como fratura, hérnia de disco torácica ou problemas no pulmão. Em casos selecionados, um bloqueio anestésico do nervo intercostal funciona como teste: se a dor some por algumas horas, confirmamos que o problema está naquele nervo.


Muitos pacientes chegam ao consultório depois de passar por vários médicos, com exames "normais" e sem diagnóstico. Isso é comum na dor neuropática. Exame normal não quer dizer que a dor não existe; quer dizer que a origem ainda não foi encontrada.

Tratamento: do remédio à cirurgia


O tratamento da neuralgia intercostal segue uma escada. Começamos pelo mais simples e avançamos conforme a resposta de cada paciente:


  • Medicamentos para dor neuropática: analgésicos e anti-inflamatórios comuns costumam ajudar pouco. Usamos remédios específicos para dor de nervo (alguns anticonvulsivantes e antidepressivos em dose baixa), além de adesivos e cremes aplicados sobre a pele. Sempre com prescrição e acompanhamento.
  • Fisioterapia e alongamentos: soltam a musculatura entre as costelas, corrigem a postura e reduzem a tensão sobre o nervo.
  • Bloqueio do nervo intercostal: injeção de anestésico (às vezes com corticoide) guiada por ultrassom. Alivia a dor e ajuda a confirmar o diagnóstico.
  • Radiofrequência ou crioablação: técnicas que "adormecem" o nervo por alguns meses, indicadas quando a dor volta após o bloqueio.
  • Cirurgia (descompressão ou neurólise): quando a dor é intensa, persistente e os tratamentos anteriores falharam, podemos liberar o nervo do ponto de compressão ou da cicatriz que o prende, ou tratar diretamente o trecho lesado. É um procedimento de pequeno porte, mas exige avaliação cuidadosa para ter certeza de que aquele nervo é mesmo a origem da dor.


Não existe um único tratamento para todos. A escolha depende da causa, do tempo de dor e do que já foi tentado. O objetivo é sempre o mesmo: devolver qualidade de vida, com o menor risco possível.

Vídeos curtos: quando o remédio não resolve

Dois vídeos rápidos do meu canal sobre os próximos passos quando a dor do nervo da costela não melhora com o tratamento inicial.

Como descomprimimos o nervo intercostal?
Neurite intercostal: o que fazer quando nada funciona?

Dicas úteis para aliviar a dor no dia a dia

Essas medidas não substituem o tratamento, mas ajudam a passar melhor pelos dias de dor e a chegar à consulta com mais informações.

1

Use calor local

Compressa morna por 15 a 20 minutos relaxa a musculatura entre as costelas. Evite se a pele estiver com bolhas de herpes-zóster.

2

Prefira roupas soltas

Troque cintos apertados, sutiã com aro e tecidos ásperos por peças leves que não encostem na área dolorida.

3

Respire com calma

Algumas respirações lentas e profundas, poucas vezes ao dia, evitam que o tórax "trave" e ajudam a reduzir a ansiedade que a dor provoca.

4

Alongue o tronco sem forçar

Inclinações laterais suaves e abertura do peito, devagar. Se a dor aumentar, pare e converse com seu fisioterapeuta.

5

Cuide da posição para dormir

Deite sobre o lado sem dor, abraçando um travesseiro. Isso reduz a pressão sobre a costela e melhora o sono.

6

Anote a sua dor

Registre quando piora, o que melhora e a intensidade de 0 a 10. Esse diário encurta muito o caminho até o diagnóstico.

7

Vacine-se contra o herpes-zóster

A vacina reduz o risco do cobreiro e da neuralgia pós-herpética. Converse com seu médico, principalmente a partir dos 50 anos.

8

Não insista em remédio por conta própria

Anti-inflamatório por semanas sem orientação traz riscos ao estômago e aos rins e costuma ajudar pouco na dor de nervo.

Quando procurar um neurocirurgião?


Procure avaliação se a dor dura mais de 4 a 6 semanas, se você já fez tratamento com remédios e fisioterapia sem melhora, se a dor começou depois de uma cirurgia ou de um herpes-zóster, ou se ela está atrapalhando o sono, o trabalho e a sua vida.


Como neurocirurgião que atua em nervos periféricos, avalio se existe um ponto de compressão ou lesão que possa ser tratado e indico o próximo passo, que nem sempre é cirurgia. Atendo presencialmente em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, em português, inglês e espanhol.

Perguntas frequentes sobre neuralgia intercostal

Clique em cada pergunta para ver a resposta.

Neuralgia intercostal tem cura?

Depende da causa. Quando existe uma compressão ou uma cicatriz que prende o nervo e isso é tratado, a dor pode melhorar muito ou desaparecer. Em outros casos, o objetivo é controlar a dor para que ela não limite a sua vida. O passo mais importante é descobrir a origem.

Quanto tempo dura a dor do nervo da costela inflamado?

Dores por tensão muscular ou trauma leve costumam melhorar em dias a poucas semanas. Quando o nervo foi lesado, como após cirurgia ou herpes-zóster, a dor pode durar meses. Quanto antes o tratamento começa, melhor costuma ser a resposta.

Neuralgia intercostal causa falta de ar?

A dor pode fazer você respirar mais curto por medo de doer, mas a neuralgia em si não causa falta de ar. Falta de ar de verdade, principalmente com dor no peito, precisa de avaliação imediata em um pronto-socorro.

Pode ser confundida com infarto, pedra na vesícula ou gastrite?

Sim, e com frequência. Por isso a avaliação começa descartando essas causas. Depois, as características da dor (em faixa, queimação, choques, pele sensível ao toque) apontam para o nervo.

Alongamento e fisioterapia resolvem?

Ajudam bastante quando a causa é muscular ou postural. Quando o nervo está preso em uma cicatriz ou comprimido, o efeito costuma ser limitado. Nesses casos entram o bloqueio, a radiofrequência ou a cirurgia.

Como é a cirurgia para neuralgia intercostal?

Dependendo do caso, o nervo é liberado do ponto onde está comprimido (descompressão ou neurólise) ou o trecho lesado é tratado diretamente. É uma cirurgia de pequeno porte, em geral com alta rápida, indicada apenas depois de avaliação criteriosa e falha do tratamento clínico.

Posso começar por teleconsulta?

Sim. A teleconsulta é um bom primeiro passo para analisar a sua história e os seus exames e orientar os próximos passos. O exame físico e os procedimentos são presenciais, em Curitiba ou em São Paulo.

Dor na costela que não passa?

Se a dor em faixa, a queimação ou os choques estão atrapalhando a sua vida, agende uma avaliação. Atendimento presencial em Curitiba e em São Paulo, ou por teleconsulta.

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Dr. Thomas Ribeiro Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta, em português, inglês e espanhol.

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510  |  CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Em caso de dor no peito com falta de ar, suor frio ou mal-estar, procure um pronto-socorro.

Fontes


  • Williams EH, Dellon AL et al. Neurectomy for treatment of intercostal neuralgia. Annals of Thoracic Surgery, 2008.
  • Finnerup NB et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. The Lancet Neurology, 2015.
  • Dworkin RH et al. Recommendations for the management of herpes zoster. Clinical Infectious Diseases, 2007.
  • Boelens OB et al. Randomized clinical trial of trigger point infiltration with lidocaine to diagnose anterior cutaneous nerve entrapment syndrome. British Journal of Surgery, 2013.
  • Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). Dor neuropática: orientações ao paciente.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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