Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • April 28, 2022

Quanto tempo demora para o nervo melhorar?


Entenda os prazos reais da recuperação de um nervo lesionado ou operado — e o que você pode fazer, no dia a dia, para ajudar o seu corpo nesse processo.

Homem pensativo olhando para cima com a pergunta: em quanto tempo meu nervo vai melhorar? Dr. Thomas Marcolini

Se você teve uma lesão do nervo fibular, do nervo facial, do plexo braquial ou de qualquer outro nervo do corpo, esta é provavelmente a pergunta que mais passa pela sua cabeça. A resposta honesta é: depende. Depende do tipo de lesão, do tratamento feito e, principalmente, da distância que o nervo precisa percorrer até chegar ao músculo ou à pele.


Neste texto, o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, explica em linguagem simples o que acontece com o nervo depois de uma lesão ou cirurgia, quanto tempo cada fase costuma levar e quais hábitos ajudam — ou atrapalham — a recuperação.

Resumo rápido O que você precisa saber

  • O nervo cresce cerca de 1 milímetro por dia(uns 2,5 a 3 cm por mês). Quanto mais longe o músculo, mais tempo leva.
  • Descompressão (neurólise) costuma melhorar mais rápido: dor e formigamento em semanas, força em alguns meses.
  • Enxerto de nervo leva mais tempo: os primeiros sinais aparecem em 6 a 12 meses e a evolução segue por até 2 anos ou mais.
  • Fisioterapia, alongamento e boa alimentação ajudam; cigarro, sedentarismo e diabetes descontrolado atrapalham.
Ilustração de cirurgia de nervo com velocímetro e o texto: se for só descompressão é mais rápido



Descompressão do nervo (neurólise): a recuperação mais rápida


Quando a lesão é mais leve, o nervo continua “vivo”, mas está apertado ou preso por uma cicatriz. Nesses casos, pode bastar uma descompressão (também chamada de neurólise), que libera o nervo daquilo que o comprime. Como as fibras não precisam crescer de novo — apenas voltar a conduzir o sinal —, o resultado costuma aparecer mais cedo e ser mais satisfatório.


Mas atenção: cada lesão e cada nervo são diferentes. Só uma avaliação cuidadosa, com exame físico e exames como a eletroneuromiografia, pode dizer se o seu caso precisa apenas de uma descompressão ou de uma cirurgia maior.



O que esperar depois de uma descompressão


Dor e formigamento costumam ser os primeiros sintomas a melhorar, às vezes já nas primeiras semanas. A sensibilidade volta aos poucos. A força é a última a retornar e pode levar alguns meses, porque o músculo precisa “reaprender” a trabalhar. Se uma parte das fibras estava muito danificada, essa parte ainda precisa crescer de novo, no ritmo de cerca de 1 milímetro por dia.

Ilustração de cirurgia na perna com velocímetro em baixa velocidade e o texto: se usar enxerto de nervo demora mais



Enxerto de nervo: por que a recuperação demora mais


Quando um trecho do nervo foi cortado ou destruído, as duas pontas não se alcançam mais. Para reconectá-las, o cirurgião usa um enxerto de nervo: um pedaço de outro nervo, geralmente retirado da própria perna (o nervo sural), que funciona como uma “ponte”.


As lesões que precisam de enxerto costumam ser maiores e mais graves. Por isso, o resultado demora mais para aparecer — principalmente quando falamos em recuperação da força.



O nervo precisa atravessar a ponte


Depois da cirurgia, as fibras do nervo “bom” precisam crescer, entrar no enxerto, percorrer todo o seu comprimento e sair do outro lado — e cada emenda é um obstáculo em que parte das fibras se perde pelo caminho. Só então elas seguem em direção ao músculo. Na prática, os primeiros sinais de melhora costumam surgir entre 6 e 12 meses após a cirurgia, e a recuperação pode continuar evoluindo por 2 anos ou mais.

Esquema da regeneração do nervo: cresce cerca de 1 mm por dia da lesão até o músculo – Dr. Thomas Marcolini



A regra do 1 milímetro por dia: por que a distância importa tanto


Depois de uma lesão ou de uma cirurgia, o nervo cresce de volta em direção ao músculo numa velocidade de cerca de 1 milímetro por dia — algo em torno de 2,5 a 3 centímetros por mês. É por isso que a distância entre o local da lesão e o músculo é o fator que mais pesa no tempo de recuperação.


Quanto mais longe o músculo estiver da lesão, mais tempo o nervo leva para chegar. E chegar não é o fim da história: quando o nervo encontra o músculo, ele ainda precisa de algumas semanas ou meses para “religar” as fibras musculares antes de você perceber qualquer movimento.



Um exemplo prático


Imagine uma lesão do nervo fibular na altura do joelho. Os músculos que levantam o pé ficam a cerca de 25 a 35 centímetros dali. No ritmo de 1 milímetro por dia, o nervo levaria de 8 a 12 meses só para chegar — mais o tempo de o músculo voltar a responder. Já uma lesão do mesmo nervo perto do tornozelo, com os músculos bem mais próximos, pode mostrar resultado em poucos meses.


Isso também explica por que, nas lesões muito altas, como as do plexo braquial, o ombro e o cotovelo costumam recuperar antes da mão — e por que a mão, mais distante, demora mais e nem sempre recupera por completo.

As fases da recuperação do nervo

O que costuma acontecer em cada período depois de uma lesão ou de uma cirurgia de nervo.

dias

Primeiros dias e semanas

Inchaço e dor diminuem. Nervos que estavam apenas “em choque” (sem rompimento das fibras) podem voltar a funcionar em dias ou poucas semanas. É hora de proteger a articulação e começar a fisioterapia.

1–3
meses

Os primeiros sinais

O sinal de Tinel (formigamento ao bater de leve sobre o nervo) começa a “caminhar” em direção ao músculo: é a prova de que as fibras estão crescendo. Ainda não há força, e isso é esperado.

3–12
meses

Sensibilidade e primeiros movimentos

A sensibilidade volta aos poucos, primeiro para dor e temperatura, depois para o toque fino. Os músculos mais próximos da lesão começam a mostrar as primeiras contrações.

1–2
anos

Força e músculos distantes

Músculos mais longe da lesão passam a responder e o ganho de força pode continuar por 2 anos ou mais. Se o nervo não chegar ao músculo em cerca de 12 a 18 meses, o músculo vai perdendo a capacidade de ser reinervado — por isso a avaliação precoce faz tanta diferença.

Os prazos são aproximados e variam com o tipo de lesão, a distância até o músculo, a idade e a saúde geral de cada pessoa.



O que faz o nervo melhorar mais rápido?


Você não controla a velocidade com que o nervo cresce — ela é praticamente a mesma em todo mundo. Mas você controla as condições em que ele cresce. Movimento, boa circulação e nutrição adequada ajudam o nervo e, principalmente, mantêm o músculo e as articulações prontos para quando o sinal finalmente chegar. Fisioterapia, alongamentos, exercícios e uma boa alimentação fazem diferença real no resultado final. Veja as dicas práticas a seguir.

10 dicas úteis para ajudar a recuperação do nervo

Pequenas atitudes diárias que mantêm o músculo, a pele e as articulações prontos para quando o nervo chegar.

1. Faça fisioterapia desde o início

Ela mantém as articulações soltas e o músculo saudável enquanto o nervo ainda não chegou. Evita rigidez, contraturas e perda de movimento que depois são difíceis de recuperar.

2. Alongue todos os dias

Mesmo sem força, mova a articulação com a ajuda da outra mão (movimento passivo). No pé caído, por exemplo, alongar a panturrilha evita o encurtamento do tendão.

3. Use a órtese indicada

Talas e órteses, como a órtese anti-equino no pé caído, protegem a articulação, melhoram a marcha e evitam quedas e deformidades enquanto a força não volta.

4. Cuide da pele sem sensibilidade

Áreas dormentes se queimam e machucam sem você perceber. Teste a temperatura da água com a outra mão, evite bolsa de água quente direto na pele e olhe a região todos os dias.

5. Alimente-se bem

Proteína suficiente, frutas, verduras e fontes de vitaminas do complexo B (carnes, ovos, leguminosas, grãos integrais). Suplementos só com orientação médica ou de nutricionista.

6. Pare de fumar

O cigarro estreita os vasos e reduz o oxigênio que chega ao nervo em recuperação. Parar de fumar é uma das atitudes que mais ajudam o resultado.

7. Controle o açúcar e a pressão

Diabetes e hipertensão descontrolados lesam os pequenos vasos que nutrem o nervo. Mantenha o acompanhamento e os remédios em dia.

8. Durma bem e mexa-se

Sono de qualidade e atividade física regular melhoram a circulação, o humor e o controle da dor, o que torna a recuperação mais leve.

9. Registre a evolução

Grave um vídeo curto ou tire fotos uma vez por mês fazendo o mesmo movimento. A melhora é lenta e difícil de notar no dia a dia; o registro mostra o progresso e ajuda o médico.

10. Não abandone o acompanhamento

Consultas e exames de controle, como a eletroneuromiografia, mostram se o nervo está crescendo e se o plano de tratamento precisa mudar.



O que atrasa a recuperação do nervo?


Agora a parte difícil. Alguns hábitos pioram a qualidade de vida e também o resultado da recuperação: cigarro, sedentarismo, alimentação pobre, diabetes e pressão alta sem controle, excesso de álcool e sono ruim. Todos eles prejudicam a circulação e a chegada de oxigênio e nutrientes ao nervo que está tentando crescer.


Outros fatores não dependem de você, mas também pesam: a idade (crianças e jovens se recuperam melhor), o tipo e a gravidade da lesão, a distância até o músculo e o tempo entre a lesão e o início do tratamento. Por isso, quanto antes a lesão for avaliada, mais opções existem.



Sinais de que o nervo está melhorando


Formigamento ou “choquinhos” em áreas que antes estavam dormentes; sensibilidade que volta aos poucos, começando pela dor e pela temperatura; o chamado sinal de Tinel (um formigamento ao bater de leve sobre o trajeto do nervo) que vai “caminhando” em direção ao músculo; pequenas contrações num músculo que antes não se mexia; e, na eletroneuromiografia, sinais de reinervação.


Esses sinais costumam aparecer bem antes de qualquer ganho de força visível. Então não desanime se você ainda não consegue levantar o pé ou fechar a mão: o nervo pode estar a caminho.


Quando procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos?

 

Procure avaliação sem esperar se: a lesão foi causada por corte, fratura ou ferimento penetrante; não houve nenhum sinal de melhora depois de cerca de 3 meses; a dor é intensa, em queimação ou em choque, e não melhora com o tratamento inicial; ou a fraqueza está piorando.

 

O músculo tem uma “janela” de tempo para ser reinervado — em geral, de 12 a 18 meses. Depois disso, a cirurgia no nervo perde eficácia para recuperar a força, embora ainda existam alternativas, como as transferências de tendão. Por isso, o tempo é um dos fatores mais importantes no tratamento das lesões de nervos.

 

O Dr. Thomas Marcolini atende em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

Assista: o Dr. Thomas Marcolini explica

Vídeos do canal no YouTube sobre lesão de nervo e o tempo de recuperação.

O que você precisa saber sobre sua lesão de nervo

Tempo para recuperar um nervo após a cirurgia

O nervo pode, sim, regenerar

Ver mais vídeos no canal do YouTube

Perguntas frequentes sobre a recuperação do nervo

Toque em cada pergunta para ver a resposta.

Quanto o nervo cresce por dia? +

Cerca de 1 milímetro por dia, o que dá algo entre 2,5 e 3 centímetros por mês. Esse ritmo é parecido em quase todas as pessoas; o que muda muito é a distância que o nervo precisa percorrer até o músculo ou a pele.

A dormência vai ser para sempre? +

Nem sempre. Em lesões leves e em descompressões, a sensibilidade costuma voltar bem. Em lesões graves, com reparo ou enxerto, ela normalmente volta de forma parcial: primeiro a sensação de dor e de temperatura, depois o toque mais fino. Áreas dormentes precisam de cuidado redobrado para evitar queimaduras e feridas.

A fisioterapia faz o nervo crescer mais rápido? +

Ela não acelera o crescimento do nervo em si, mas é essencial para o resultado final: mantém as articulações soltas, evita contraturas e deixa o músculo em condições de responder quando o nervo chegar. Sem isso, o nervo pode chegar e encontrar um músculo endurecido ou uma articulação travada.

Vitamina B12 e outros suplementos aceleram a recuperação? +

Quando existe deficiência comprovada, corrigi-la é importante. Sem deficiência, não há prova consistente de que suplementos façam o nervo crescer mais rápido. Uma alimentação equilibrada é o mais importante; suplementos só com orientação médica, e nunca no lugar do tratamento.

Já passou mais de um ano e nada melhorou. Ainda tem jeito? +

Depende do caso. Para recuperar força pelo próprio nervo, a janela costuma ser de 12 a 18 meses. Depois disso, ainda existem opções, como as transferências de tendão (por exemplo, no pé caído) e, em alguns casos, transferências nervosas, que podem devolver função mesmo tardiamente. Por isso, vale a pena fazer uma avaliação mesmo quando já passou bastante tempo.

Formigamento é sinal bom ou ruim? +

Na maioria das vezes, formigamento ou “choquinhos” numa área que estava dormente são sinal de que as fibras estão voltando a conduzir, ou seja, um sinal bom. Já uma dor forte, em queimação ou em choque, que não melhora, merece avaliação, porque pode indicar um neuroma ou uma compressão.

Quanto tempo depois da cirurgia vou ver resultado? +

Em uma descompressão simples, a dor e o formigamento podem melhorar em semanas, e a força em alguns meses. Em um reparo direto ou com enxerto, os primeiros sinais costumam aparecer entre 6 e 12 meses, e a recuperação pode continuar por até 2 anos ou mais, dependendo da distância até o músculo.

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Os prazos citados são médias observadas na prática e na literatura; cada lesão de nervo é diferente e precisa de avaliação individual. Em caso de dúvida, procure um médico.

Dr. Thomas Ribeiro Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende em Curitiba e São Paulo e por teleconsulta.

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510  |  CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Fontes e leituras recomendadas

  1. Seddon HJ. Three types of nerve injury. Brain. 1943.
  2. Sunderland S. A classification of peripheral nerve injuries producing loss of function. Brain. 1951.
  3. Campbell WW. Evaluation and management of peripheral nerve injury. Clinical Neurophysiology. 2008.
  4. Menorca RMG, Fussell TS, Elfar JC. Nerve physiology: mechanisms of injury and recovery. Hand Clinics. 2013.
  5. Grinsell D, Keating CP. Peripheral nerve reconstruction after injury: a review of clinical and experimental therapies. BioMed Research International. 2014.

Compartilhe esse conteúdo nas redes!

Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

Ficou com alguma dúvida?

Fale com o Doutor