Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • April 24, 2022

Neuroma do plexo braquial: o que é, sintomas e como é o tratamento

Depois de um acidente de moto ou de uma queda forte, o plexo braquial (o conjunto de nervos que sai do pescoço e comanda o braço) pode ser esticado com tanta força que um ou mais nervos se rompem. No lugar da ruptura, o corpo forma uma espécie de cicatriz dura chamada neuroma. Neste texto, explico em linguagem simples o que é o neuroma do plexo braquial, como ele é diferente da avulsão, quais sintomas ele causa e o que pode ser feito para recuperar a sensibilidade, a força e aliviar a dor.

O que é o neuroma do plexo braquial?

Imagine o nervo como um cabo elétrico cheio de fios finos. Quando o braço é puxado com violência, esse cabo pode se romper em algum ponto do caminho. O nervo tenta se regenerar, mas, sem um "trilho" para seguir, as fibras crescem de forma desorganizada e se enovelam. O resultado é o neuroma: um nódulo firme, parecido com uma cicatriz, que bloqueia a passagem dos sinais elétricos.

Na prática, isso significa que o comando que sai da medula não chega aos músculos, e a sensibilidade da pele não volta ao cérebro. Por isso o braço, ou parte dele, fica fraco ou "adormecido", e o neuroma pode doer ao toque ou provocar choques.

Uma observação importante: quando existe neuroma, em geral a raiz do nervo ainda está ligada à medula. Essa é uma boa notícia, porque abre a possibilidade de reconstruir o nervo, como explico mais adiante.

Médico examina paciente com tipoia e dor no ombro por neuroma do plexo braquial após acidente

Neuroma ou avulsão: qual é a diferença?

Os dois termos aparecem muito em laudos e nas conversas com pacientes, e é comum confundir. A diferença está no lugar onde o nervo se rompe, e ela muda completamente o planejamento da cirurgia.

Neuroma (ruptura)

O nervo se rompe fora da coluna

A ruptura acontece no trajeto do nervo, no pescoço ou perto do ombro. A raiz continua ligada à medula.

O que isso significa: ainda chega "energia" até o ponto da lesão. É possível retirar o neuroma e reconstruir o nervo com enxerto.

Avulsão

A raiz é arrancada da medula

O nervo é puxado com tanta força que a raiz se solta de dentro da medula espinhal.

O que isso significa: não há como religar a raiz à medula. O tratamento usa transferências de nervo: um nervo saudável vizinho é redirecionado para o músculo mais importante.

Importante: na mesma pessoa, uma raiz pode estar avulsionada e outra apenas rompida com neuroma. Por isso o exame clínico detalhado e os exames de imagem fazem tanta diferença no planejamento.

Quais são os sintomas do neuroma do plexo braquial?

Os sinais dependem de quais nervos foram atingidos, mas os mais comuns são:

  • Perda de força no ombro, no cotovelo ou na mão (por exemplo, dificuldade para levantar o braço ou dobrar o cotovelo).
  • Dormência ou formigamento em uma faixa do braço, do antebraço ou dos dedos.
  • Dor em choque ou queimação, que pode piorar ao tocar ou pressionar a região do pescoço ou da clavícula.
  • Sinal de Tinel: ao bater de leve sobre o ponto da lesão, aparece um choque que "desce" pelo braço. Quando o choque fica sempre no mesmo ponto ao longo dos meses, ele sugere neuroma; quando vai "descendo" pelo braço com o tempo, indica que as fibras estão crescendo.
  • Músculos "murchando" (atrofia) nas semanas e meses após o acidente.

O neuroma some sozinho? O que acontece se não tratar?

Não. O neuroma é uma cicatriz, e cicatriz não desaparece com o tempo. Quando ele bloqueia a passagem do nervo, os sinais ficam presos antes da lesão: a sensibilidade não volta, a força não retorna e a dor pode persistir. Em alguns casos o bloqueio é só parcial e parte da função volta sozinha, por isso o acompanhamento com exame clínico e eletroneuromiografia nas primeiras semanas e meses é tão importante.

Além disso, existe um relógio biológico. O músculo que fica sem o comando do nervo vai se enfraquecendo e, depois de muitos meses, perde a capacidade de se recuperar, mesmo que o nervo seja reconstruído. Por isso a avaliação precoce faz tanta diferença no resultado.

Mulher com dor no ombro e o plexo braquial destacado, mostrando o ponto do neuroma após a lesão

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa na consulta: a história do acidente, o exame de cada músculo e de cada área de sensibilidade já dizem muito sobre quais raízes e nervos foram atingidos. Alguns exames ajudam a completar o quebra-cabeça:

  • Eletroneuromiografia (ENMG): mostra quais músculos perderam a ligação com o nervo e se há sinais de recuperação. Em geral, é pedida a partir de 3 a 4 semanas depois da lesão.
  • Ressonância magnética do plexo braquial (neurografia): ajuda a localizar o neuroma e a diferenciar ruptura de avulsão.
  • Mielotomografia: em casos selecionados, confirma se a raiz foi arrancada da medula.

Mesmo com todos os exames, a confirmação final muitas vezes acontece durante a cirurgia, quando o nervo é examinado diretamente e testado com estímulo elétrico.

Como é o tratamento do neuroma do plexo braquial?

Quando o neuroma bloqueia totalmente a passagem do sinal, o tratamento é cirúrgico. A cirurgia é feita com microscópio e segue, de forma simplificada, três passos:

  1. Localizar e testar o neuroma com estímulo elétrico durante a cirurgia, para confirmar que nenhum sinal atravessa a lesão.
  2. Retirar o neuroma até encontrar tecido nervoso saudável nas duas pontas.
  3. Reconstruir o nervo com um enxerto, geralmente retirado de um nervo sensitivo da perna (nervo sural), que serve de "ponte" para as fibras crescerem.

Em alguns casos, a reconstrução é combinada com transferências de nervo: um nervo saudável próximo é redirecionado para o músculo que mais precisa, encurtando o caminho da recuperação.

Depois da cirurgia, as fibras crescem devagar, cerca de 1 mm por dia. Os primeiros sinais de melhora costumam ser da dor e da sensibilidade; a força vem depois e depende de o músculo ainda estar em condições de receber o nervo. Por isso insistimos tanto no tempo: quanto mais cedo a avaliação, maiores as chances. Se quiser entender cada etapa, veja como é a cirurgia do plexo braquial, quando operar e como é a recuperação.

Vídeos

Cirurgia do plexo braquial: transferência de nervo e recuperação

Nestes vídeos do meu canal, mostro como a transferência de nervo ajuda a recuperar o ombro e o que esperar, de forma realista, na recuperação depois da cirurgia do plexo braquial.

Transferência nervosa para recuperar o ombro

Recuperação da cirurgia de plexo braquial: o que esperar

Dicas úteis para quem tem lesão do plexo braquial

Pequenas atitudes que fazem diferença no resultado, desde os primeiros dias.

  1. 1 Não espere "para ver se melhora" Se após 3 a 4 semanas do acidente não há nenhum sinal de movimento, procure avaliação. Os melhores resultados acontecem nos primeiros meses.
  2. 2 Guarde todos os exames Leve à consulta laudos, imagens e eletroneuromiografias anteriores, com as datas. Comparar exames ajuda a saber se o nervo está se recuperando.
  3. 3 Comece a fisioterapia cedo Manter as articulações soltas e os músculos alongados evita rigidez e prepara o braço para quando o nervo voltar a funcionar.
  4. 4 Proteja o braço sem sensibilidade Cuidado com queimaduras, cortes e pressão prolongada: sem a dor como alarme, pequenos ferimentos passam despercebidos.
  5. 5 Trate a dor desde o início Dor neuropática mal controlada atrapalha o sono, a reabilitação e a qualidade de vida. Existem medicamentos e procedimentos específicos para isso.
  6. 6 Registre a evolução Filme movimentos simples uma vez por mês. É uma forma objetiva de perceber ganhos pequenos de força ao longo do tempo.
Vídeo

Rigidez no ombro e no cotovelo: como evitar que o braço trave

Enquanto o nervo se recupera, a articulação parada endurece. Neste vídeo, explico por que a fisioterapia precoce é tão importante e o que fazer em casa.

Lesão de plexo braquial: como evitar a rigidez do braço

Quando procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos?

O ideal é que toda lesão traumática do plexo braquial seja avaliada, nas primeiras semanas após o acidente, por um médico habituado a operar nervos. Procure avaliação se você:

  • sofreu um acidente de moto, uma queda ou uma tração forte do braço e ficou com fraqueza ou dormência;
  • já tem diagnóstico de lesão do plexo braquial e não vê melhora após algumas semanas;
  • recebeu um laudo com os termos "neuroma", "ruptura", "avulsão" ou "pseudomeningocele";
  • sente dor em choque ou queimação que não melhora com os remédios habituais.

Na consulta, avaliamos cada músculo, revisamos os exames e conversamos com clareza sobre o que é possível recuperar, o que não é e qual o melhor momento para operar, se a cirurgia for indicada.

Vídeo

O maior erro na lesão do plexo braquial (e como evitá-lo)

"Vamos esperar para ver se volta" é a frase que mais ouço de pacientes que chegam tarde. Neste vídeo, explico por que o tempo pesa tanto no resultado e quando procurar avaliação.

O maior erro na lesão do plexo braquial

Mais vídeos sobre nervos periféricos no canal @nervosperifericos no YouTube.

Perguntas frequentes sobre o neuroma do plexo braquial

O neuroma do plexo braquial é um tumor?

Não. Apesar do nome parecido, o neuroma traumático não é um tumor. É um emaranhado de fibras nervosas e cicatriz que se forma no ponto onde o nervo se rompeu. Ele não se espalha e não vira câncer.

Se eu tenho neuroma, então não preciso de cirurgia?

Não é bem assim. Ter neuroma em vez de avulsão é uma notícia melhor, porque a reconstrução é possível. Mas o neuroma continua bloqueando o nervo: para a função voltar, ele costuma precisar ser retirado e o nervo reconstruído.

Existe um prazo para operar?

Sim. Em geral, a reconstrução tem melhores resultados quando é feita nos primeiros meses após a lesão, antes que os músculos percam a capacidade de recuperação. Casos mais antigos ainda podem ter opções, principalmente para a dor, mas as chances de recuperar força diminuem.

A cirurgia retira o neuroma e a dor some na hora?

A melhora da dor costuma ser um dos primeiros benefícios, mas não é imediata nem garantida. Cada caso é diferente, e o controle da dor continua sendo feito com medicamentos e reabilitação depois da cirurgia.

Quanto tempo demora para recuperar a força?

O nervo cresce cerca de 1 mm por dia. Dependendo da distância até o músculo, os primeiros movimentos podem aparecer entre 6 e 18 meses, e a recuperação continua por até 2 a 3 anos.

O enxerto de nervo da perna deixa sequela?

O enxerto costuma ser retirado do nervo sural, que é apenas sensitivo. Fica uma área de dormência na lateral do pé, que a maioria das pessoas tolera bem, sem perda de força na perna.

Teve uma lesão do plexo braquial?

Avaliação com o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atendimento presencial em Curitiba e São Paulo, e também por teleconsulta.

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Sobre o autor

Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos, com atendimento em Curitiba e São Paulo e por teleconsulta. Opera lesões do plexo braquial, neuromas e outras lesões traumáticas de nervos.

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Aviso: este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a consulta médica. Cada lesão do plexo braquial é diferente; o diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual. Os resultados da cirurgia variam de pessoa para pessoa e não podem ser garantidos.

Fontes

  • Kim DH, Murovic JA, Tiel RL, Kline DG. Infraclavicular brachial plexus stretch injury. Neurosurgical Focus. 2004;16(5):E4.
  • Rankine JJ. Adult traumatic brachial plexus injury. Clinical Radiology. 2004;59(9):767-774. doi:10.1016/j.crad.2004.03.014
  • Kim DH, Cho YJ, Tiel RL, Kline DG. Outcomes of surgery in 1019 brachial plexus lesions treated at Louisiana State University Health Sciences Center. Journal of Neurosurgery. 2003;98(5):1005-1016. doi:10.3171/jns.2003.98.5.1005
  • Midha R. Nerve transfers for severe brachial plexus injuries: a review. Neurosurgical Focus. 2004;16(5):E5. doi:10.3171/foc.2004.16.5.6
  • Christy MN, Dy CJ, Gaston RG, et al. Variation in recommended treatment strategies among American surgeons for actual adult traumatic brachial plexus injury cases. Journal of Hand Surgery (Am). 2025;50(9):1131.e1-1131.e9. doi:10.1016/j.jhsa.2024.10.002

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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