Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • May 17, 2022

Lesão do plexo braquial: por que a moto é a maior causa e o que fazer

A lesão do plexo braquial acontece quando os nervos que saem do pescoço e vão para o braço são esticados, rompidos ou arrancados. No Brasil e no mundo, a maior causa em adultos é o acidente de moto. O resultado pode ser um braço sem força, dormente ou com uma dor em queimação muito forte.


Neste guia, explico de forma simples como essa lesão acontece, quais sinais merecem atenção, por que o tempo é decisivo para o tratamento e dou dicas práticas para o dia a dia de quem está passando por isso.

Em resumo

  • Acidente de moto é a principal causa: o ombro bate e o pescoço vai para o outro lado, esticando os nervos.
  • Braço sem força ou dormente depois de um acidente precisa de avaliação especializada já nas primeiras semanas.
  • O tempo importa: as melhores chances com a cirurgia de nervo costumam estar nos primeiros meses.
  • Fisioterapia, cuidado com as articulações e controle da dor fazem diferença desde o início.
Esquema de como a queda de moto estica os nervos do plexo braquial entre o pescoço e o ombro

Por que o acidente de moto é a maior causa?

Na queda de moto, o corpo é arremessado e o ombro bate com força no chão, num carro ou num poste. Nesse instante, o ombro é empurrado para baixo e a cabeça vai para o lado oposto. Os nervos do plexo braquial ficam presos entre esses dois movimentos e são esticados além do limite.


Estudos mostram que cerca de 4 em cada 100 vítimas de acidente de moto atendidas em centros de trauma têm lesão do plexo braquial, um risco bem maior do que nos acidentes de carro. A maioria dos pacientes é homem jovem, em plena idade de trabalho.


Outras causas são quedas de altura, acidentes de bicicleta, ferimentos por faca ou arma de fogo e, nos bebês, as lesões durante o parto (paralisia obstétrica).

O que é o plexo braquial?

O plexo braquial é uma rede de nervos que nasce na coluna do pescoço, passa por trás da clavícula e chega à axila. Dali saem os nervos que movimentam e dão sensibilidade ao ombro, ao braço, ao antebraço e à mão.


São cinco raízes, chamadas C5, C6, C7, C8 e T1. Cada uma cuida principalmente de uma parte do braço, como mostra o esquema abaixo. Por isso, o que o paciente perde depende de quais raízes foram atingidas.

Esquema das 5 raízes do plexo braquial, de C5 a T1, e o movimento do braço que cada uma controla

Quais são os sintomas da lesão do plexo braquial?

Os sintomas aparecem logo após o acidente e variam conforme a gravidade e as raízes atingidas. Muitas vezes o paciente fica internado por outras lesões, e o braço só chama a atenção dias depois. Fique atento a estes sinais:

Perda de força

Ombro caído e dificuldade para levantar o braço, dobrar o cotovelo, esticar o punho ou fechar a mão.

Alteração da sensibilidade

Dormência, formigamento, sensação de braço “morto” ou de que a mão não é sua.

Dor neuropática

Queimação, choques, aperto ou sensação de esmagamento na mão, que costuma piorar à noite e no frio.

Sinais de lesão mais grave

Braço todo paralisado, pálpebra caída e pupila menor do mesmo lado, ou dor muito forte desde o início. Podem indicar avulsão: procure avaliação rápida.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a conversa e um exame físico detalhado, testando força e sensibilidade músculo por músculo. Só com isso o médico já consegue estimar quais raízes foram afetadas.


Os exames confirmam e ajudam a planejar o tratamento. A eletroneuromiografia, feita a partir de 3 a 4 semanas do acidente, mostra quais nervos estão funcionando. A ressonância magnética, de preferência com neurografia, ajuda a ver se houve rompimento ou avulsão das raízes. Os exames costumam ser repetidos ao longo dos meses para acompanhar a recuperação.


Com o exame físico e os exames de imagem, o médico classifica a lesão em um destes três tipos:

Os 3 tipos de lesão do plexo braquial: estiramento, rompimento do nervo e avulsão da raiz da medula

O tempo é decisivo: não espere demais

Depois de uma lesão de nervo, os músculos ficam sem comando. Com o passar dos meses, eles vão perdendo a capacidade de receber um nervo novo. Por isso, esperar “para ver se volta” por tempo demais é um dos erros mais comuns e pode tirar chances de recuperação.


Estudos mostram resultados melhores quando a reconstrução dos nervos é feita mais cedo. O ideal é ter uma avaliação especializada nas primeiras semanas e sair dela com um plano e com datas para reavaliar a evolução.

Linha do tempo: o que fazer depois do acidente

Cada caso é único, mas este é o caminho que costuma dar mais chances de recuperação.

  1. 1

    Primeiras semanas

    Tratar as lesões que ameaçam a vida e passar por avaliação com um especialista em nervos. Começar a fisioterapia e proteger o ombro. Em cortes com perda de força, a cirurgia pode ser imediata.

  2. 2

    De 3 a 6 semanas

    Fazer a eletroneuromiografia e a ressonância para entender o tipo de lesão e quais raízes foram atingidas.

  3. 3

    De 3 a 6 meses

    Se não houver sinais de recuperação, este é o período em que a cirurgia dos nervos costuma ter os melhores resultados. Nas avulsões, a cirurgia tende a ser indicada mais cedo.

  4. 4

    Depois de 6 a 12 meses

    Ainda existem opções, como transferências de tendão e de músculo, mas as chances com a cirurgia de nervo diminuem a cada mês.

▶ Vídeo

O maior erro na lesão do plexo braquial (e como evitá-lo)

O Dr. Thomas Marcolini explica por que “esperar para ver se volta” sem acompanhamento pode custar movimentos do braço.

Quais são os tratamentos?

O tratamento depende do tipo de lesão, das raízes atingidas e do tempo desde o acidente. Ele é feito em etapas e combina reabilitação com cirurgia, quando ela é indicada:


Fisioterapia e terapia ocupacional: mantêm as articulações soltas e os músculos prontos para quando o nervo voltar a funcionar.


Remédios para dor neuropática: como pregabalina, gabapentina e antidepressivos tricíclicos, sempre com prescrição médica.


Cirurgia dos nervos: liberação do nervo (neurólise), enxerto de nervo ou transferência de nervo, em que um nervo saudável é ligado ao músculo paralisado. Saiba mais sobre a cirurgia de plexo braquial.


Cirurgias tardias: transferências de tendão ou de músculo podem devolver movimentos importantes mesmo depois de muito tempo. Veja se a cirurgia ainda funciona depois de anos.


Cirurgias para dor: nas avulsões com dor muito forte que não melhora com remédios, existem procedimentos específicos.


A recuperação é lenta: o nervo cresce cerca de 1 milímetro por dia, e os primeiros movimentos depois da cirurgia podem levar de 6 meses a 2 anos para aparecer. Paciência e fisioterapia constante fazem parte do tratamento.

Como aliviar a dor do plexo braquial

A dor da lesão do plexo braquial é uma dor neuropática, que vem do próprio nervo. Os pacientes descrevem queimação, choques, aperto ou sensação de esmagamento na mão. É uma das dores mais fortes que existem, mas pode ser controlada.


O controle costuma combinar remédios específicos para dor neuropática, atividade física, fisioterapia e, em casos selecionados, cirurgia. Anti-inflamatórios e analgésicos comuns costumam ajudar pouco nesse tipo de dor. As dicas abaixo fazem diferença no dia a dia:

10 dicas práticas para o dia a dia

Cuidados simples que protegem o braço, ajudam na dor e preparam o corpo para a recuperação.

1

Proteja o ombro

Use tipoia nas primeiras semanas ou quando o braço ficar pendurado. Isso evita que o ombro desça e saia do lugar, o que causa dor.

2

Movimente as articulações todo dia

Com a outra mão ou com ajuda, mova ombro, cotovelo, punho e dedos várias vezes ao dia para não travar. Veja exercícios e alongamentos.

3

Cuidado com calor e frio

Onde não há sensibilidade, a pele queima sem você sentir. Teste a água com a outra mão e nunca coloque bolsa quente direto na pele.

4

Olhe a pele todos os dias

Procure feridas, bolhas ou vermelhidão, principalmente nos dedos e no cotovelo. Mantenha a pele hidratada.

5

Mantenha o corpo ativo

Caminhada, bicicleta ergométrica e outros exercícios aeróbicos ajudam a controlar a dor e melhoram o humor.

6

Use os remédios do jeito certo

Os remédios para dor neuropática fazem efeito com o uso regular. Não pare de uma vez sem orientação médica.

7

Durma com o braço apoiado

Um travesseiro sob o braço alivia o peso no ombro. Noites mal dormidas aumentam a dor.

8

Cuide também da cabeça

Tristeza, raiva e ansiedade são comuns. Apoio psicológico e conversar com outros pacientes ajudam muito.

9

Organize seus exames

Guarde laudos, imagens e a data do acidente. Levar tudo à consulta agiliza o plano de tratamento.

10

Não perca as datas de reavaliação

Anote quando o braço deve ser examinado de novo. Os meses passam rápido, e o tempo conta a favor do tratamento.

▶ Vídeos

Cuidados em casa para o braço não travar

Rigidez das articulações: o inimigo silencioso na recuperação do plexo braquial.

O que fazer em casa (vídeo curto).

Dá para prevenir a lesão do plexo braquial?

Não existe um equipamento que proteja totalmente o plexo braquial. A melhor prevenção é diminuir o risco de acidente:


Pilote de forma defensiva e respeite a velocidade, principalmente à noite e na chuva. Use capacete fechado, jaqueta com proteções e luvas, que reduzem outras lesões graves. Mantenha freios e pneus revisados e nunca pilote depois de beber ou com sono.

Quando procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos?

Procure avaliação o quanto antes se, depois de um acidente, o braço ficou sem força, dormente ou com dor em queimação, principalmente se já se passaram algumas semanas sem melhora. Quanto mais cedo a avaliação, mais opções de tratamento existem.


Atendo presencialmente em Curitiba e São Paulo e também por teleconsulta, uma boa forma de revisar os exames e montar um plano antes de viajar. Saiba como agendar sua avaliação. Você também pode conhecer o meu trabalho com lesão do plexo braquial.

Perguntas frequentes sobre lesão do plexo braquial

Lesão do plexo braquial tem cura?

Depende do tipo. O estiramento costuma melhorar sozinho. O rompimento e a avulsão precisam de cirurgia, que pode devolver movimentos importantes, como dobrar o cotovelo e firmar o ombro. O objetivo é recuperar a maior função possível, e o resultado varia de pessoa para pessoa.

Quanto tempo leva para recuperar?

O nervo cresce cerca de 1 milímetro por dia. Nas lesões leves, a melhora pode vir em semanas a meses. Depois da cirurgia, os primeiros movimentos costumam aparecer entre 6 meses e 2 anos, com fisioterapia contínua.

Qual é o melhor exame para lesão do plexo braquial?

A eletroneuromiografia e a ressonância magnética se completam. A primeira mostra quais nervos funcionam; a segunda mostra o tipo de lesão. Nenhum exame substitui o exame físico feito por um especialista.

Posso esperar para ver se o braço melhora sozinho?

Esperar com acompanhamento é correto nas primeiras semanas. Esperar sem reavaliação por muitos meses pode tirar chances de tratamento. Tenha sempre datas definidas para reavaliar.

Ainda vale operar depois de muito tempo?

Em muitos casos, sim. Mesmo depois de um ano ou mais, transferências de tendão e de músculo podem melhorar a função do braço. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

A dor do plexo braquial tem tratamento?

Sim. Remédios específicos para dor neuropática, fisioterapia e atividade física ajudam a maioria dos pacientes. Nas avulsões com dor muito forte que não melhora, existem cirurgias específicas para a dor.

Teleconsulta serve para lesão do plexo braquial?

Sim. Na teleconsulta revisamos a história, os exames e vídeos dos movimentos do braço e definimos os próximos passos, inclusive se é preciso vir presencialmente a Curitiba ou São Paulo.

▶ Vídeo

Plexo braquial: como escolher o especialista

Por que a experiência do cirurgião em nervos periféricos faz diferença no resultado do tratamento.

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional habilitado.


Fontes: Midha R. Epidemiology of brachial plexus injuries in a multitrauma population. Neurosurgery, 1997. • Jivan S et al. The influence of pre-surgical delay on functional outcome after reconstruction of brachial plexus injuries. J Plast Reconstr Aesthet Surg, 2009. • Li GY et al. Traumatic brachial plexus injury: a study of 510 surgical cases from multicenter services in Guangxi, China. Acta Neurochir, 2019. • Suroto H et al. Traumatic brachial plexus injury in Indonesia: an experience from a developing country. J Reconstr Microsurg, 2022.


Dr. Thomas Marcolini – Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 | CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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