Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • March 17, 2022

Exercícios para Lesão de Plexo Braquial: 10 Alongamentos para Fazer em Casa

Capa do guia de alongamentos para lesão do plexo braquial, com o logotipo do Dr. Thomas Marcolini

Você teve uma lesão do plexo braquial e percebeu o braço mais fraco, dor na mão ou no cotovelo e os músculos "murchando"? Este guia é para você.


Depois da lesão, o nervo deixa de levar o estímulo elétrico até o músculo. Sem esse estímulo, o músculo perde massa (atrofia) e a articulação que não se mexe vai ficando dura. A boa notícia: alongar todos os dias ajuda a manter o ombro, o cotovelo, o punho e os dedos soltos enquanto você aguarda a recuperação do nervo ou a cirurgia.


Abaixo você encontra 10 alongamentos simples, com foto, para fazer em casa, além das regras de segurança e das dúvidas mais comuns dos pacientes.

Resumo rápido

  • Alongar não cura a lesão do nervo, mas evita que as articulações fiquem rígidas e "presas".
  • Faça todos os dias: 5 a 10 repetições de cada exercício, segurando cerca de 10 segundos.
  • Nunca alongue com dor forte. Desconforto leve é normal; dor intensa, não.
  • Os exercícios complementam, e não substituem, a fisioterapia e o acompanhamento médico.

O que acontece com o braço depois da lesão do plexo braquial?

O plexo braquial é a rede de nervos que sai do pescoço e leva o comando do cérebro até o ombro, o braço e a mão. Quando ele é lesionado (em acidente de moto, queda ou estiramento forte), o músculo "desliga": deixa de receber estímulo e enfraquece.


O problema é que uma articulação que para de se mexer vai encurtando a cápsula e os ligamentos e fica rígida, "presa". Isso pode acontecer em poucas semanas. Resultado: mesmo que o nervo se recupere ou a cirurgia dê certo, o braço pode não se mover bem porque a articulação travou.


Por isso, enquanto você aguarda a recuperação ou a cirurgia, não fique parado: mantenha as articulações soltas com os alongamentos todos os dias.

Antes de começar: regras de segurança

1. Crie uma rotina

Faça os alongamentos no mesmo horário e no mesmo lugar todos os dias. A regularidade vale mais do que a intensidade.

2. Escolha um bom ambiente

Um local limpo, arrumado e bem iluminado, onde você se sinta bem. Música ou silêncio: o que ajudar você a se concentrar.

3. Dor forte é sinal de parar

Desconforto leve ao alongar é esperado. Dor forte, formigamento que piora ou inchaço: pare na hora e fale com o seu médico antes de repetir.

4. Peça liberação se tiver problema na coluna

Os exercícios de pescoço (2, 3 e 4) não devem ser feitos por quem tem hérnia, dor ou outra lesão na coluna cervical sem liberação médica.

5. Não substitui o tratamento

Os alongamentos complementam o trabalho do fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional e o acompanhamento com o médico que cuida da sua lesão.

6. O braço bom ajuda o lesionado

Quem faz a força é o braço sem lesão. O braço lesionado só acompanha o movimento, sem ser puxado com força ou de forma brusca.

Quer entender como a força do braço pode voltar depois de uma lesão do plexo braquial? Assista ao vídeo abaixo antes de começar os exercícios.

Os 10 alongamentos para lesão do plexo braquial


Quantas vezes: nos dias corridos, repita cada exercício de 5 a 10 vezes. Quando tiver mais tempo, pode chegar a 20 repetições. Quanto mais solta estiver a articulação, menos repetições serão necessárias para evitar a rigidez.


Como fazer: segure cada posição por cerca de 10 segundos, respirando normalmente, e volte devagar. O braço sem lesão ajuda o braço lesionado a chegar na posição. Toque na foto para ampliar.


1. Ombros até as orelhas


Em pé ou sentado, suba os dois ombros em direção às orelhas, segure e solte devagar. Alonga a região dos ombros e ativa o trapézio, músculo que ajuda a sustentar o ombro.

Paciente eleva os ombros em exercício de alongamento para lesão do plexo braquial e nervos periféricos

2. Queixo no peito


Leve o queixo em direção ao peito até sentir alongar a parte de trás do pescoço. Faça apenas se você não tiver lesão cervical ou restrição para flexionar o pescoço.

Atenção: os exercícios 2, 3 e 4 trabalham o pescoço. Se você tem hérnia, dor ou qualquer problema na coluna cervical, pule-os até ter a liberação do seu médico.

Paciente flexiona o pescoço levando queixo ao peito, alongamento para lesão do plexo braquial

3. Nuca para trás


Olhe para cima, levando a nuca em direção às costas. Alonga a musculatura da frente do pescoço. Não faça em caso de problemas cervicais.

Paciente leva a cabeça para trás em exercício de alongamento para lesão do plexo braquial

4. Orelha no ombro


Sentado, incline a cabeça para um lado, aproximando a orelha do ombro, sem levantar o ombro. Repita para o outro lado. Alonga a lateral do pescoço. Não faça em caso de problemas cervicais.

Paciente sentado inclina a cabeça lateralmente, alongamento cervical para lesão do plexo braquial

5. Braço para cima e para trás (deitado)


Deitado de costas, segure o punho do braço lesionado com a outra mão e leve-o para cima e para trás, em direção à orelha. Alonga o ombro, as costas, o bíceps e o tríceps. Deitado, o peso do corpo estabiliza o ombro e o movimento fica mais seguro.

Paciente deitado traciona o braço para trás, alongamento de ombro para lesão do plexo braquial

6. Mão na nuca


Ainda deitado, com a ajuda do braço sem lesão, coloque a mão do braço lesionado atrás da nuca. Depois leve a outra mão também. Olhe para cima, relaxe e pense em algo bom. Esse alongamento abre o ombro e o peito.

Paciente deitado abre o braço com ajuda da outra mão, alongamento para lesão do plexo braquial

7. Dobrar e esticar o cotovelo


Sentado ou em pé, de preferência na frente do espelho, use a mão sem lesão para dobrar e esticar o cotovelo do braço lesionado até o limite confortável. Mantém o cotovelo solto e alonga o tríceps.

Paciente dobra e estica o cotovelo com ajuda da outra mão, exercício para lesão de nervo periférico

8. Punho para baixo


Com o braço esticado à frente, a mão sem lesão empurra a mão lesionada para baixo, dobrando o punho. Alonga a parte de cima do antebraço.

Mãos puxando o punho para baixo, exercício de alongamento para lesão de nervo periférico

9. Punho e dedos para cima


Agora o contrário: a mão sem lesão puxa os dedos e o punho do braço lesionado para cima. Alonga a parte de baixo do antebraço e a palma da mão.

Mãos puxando punho e dedos para cima, exercício de alongamento para lesão de nervo periférico

10. Abrir e fechar os dedos


Para terminar, dobre e estique cada articulação dos dedos, contando até 10 em cada uma. Por último, o polegar. Falta pouco, não desista!

Mãos dobrando dedos e polegar, alongamentos finais para lesão do plexo braquial e nervos periféricos

Vídeos: alongar o plexo braquial em casa

Dois vídeos curtos do Dr. Thomas Marcolini explicando por que alongar e o que fazer em casa depois da lesão do plexo braquial.

Por que alongar o plexo braquial?

Lesão do plexo braquial: o que fazer em casa?

O que esperar com os alongamentos


Com a rotina diária você evita a rigidez das articulações. Conforme a força volta, seja pela recuperação natural do nervo ou depois da cirurgia, as articulações soltas permitem aproveitar cada movimento que retorna. Uma articulação travada é um músculo recuperado que não consegue se mexer.


Está com lesão do plexo braquial e quer saber se existe cirurgia indicada para o seu caso? O Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, atende em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta. Agende sua avaliação pelo WhatsApp.

Dúvidas frequentes sobre exercícios para lesão do plexo braquial

Alongar cura a lesão do plexo braquial?

Não. O alongamento não faz o nervo se regenerar. O que ele faz é manter as articulações soltas e prontas para quando a força voltar, seja pela recuperação natural do nervo, seja depois da cirurgia. Um braço com articulações travadas não aproveita a força que retorna.

Posso fazer os alongamentos enquanto espero a cirurgia?

Sim. Esse é justamente o período em que eles mais importam. Enquanto você aguarda a avaliação ou a data da cirurgia, as articulações não podem ficar paradas. Confirme com o seu médico se existe alguma restrição específica para o seu caso, por exemplo uma fratura ou luxação associada.

E depois da cirurgia, posso continuar?

Somente com a liberação do seu cirurgião. Cada tipo de cirurgia (enxerto de nervo, transferência de nervo ou transferência de tendão) tem um tempo de proteção diferente, e alguns movimentos ficam proibidos nas primeiras semanas. Depois desse período, os alongamentos voltam a fazer parte da rotina.

Quantas vezes por dia devo fazer?

Uma série por dia, com 5 a 10 repetições de cada exercício, já ajuda bastante. Quando tiver mais tempo, pode chegar a 20 repetições. O mais importante é não pular dias: a regularidade é o que evita a rigidez.

Sinto dor ao alongar. Isso é normal?

Um desconforto leve de "puxar" é esperado. Dor forte, choque, formigamento que piora ou inchaço depois do exercício não são normais. Nesses casos, pare e converse com o seu médico ou fisioterapeuta antes de repetir.

Os alongamentos substituem a fisioterapia?

Não. Eles são um complemento para os dias em casa. O fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional ajusta os exercícios ao seu tipo de lesão, trabalha a força conforme ela retorna e acompanha a evolução junto com o médico.

Quanto tempo o nervo demora para se recuperar?

O nervo cresce devagar, cerca de 1 mm por dia (em torno de 2,5 cm por mês). Por isso o ombro e o cotovelo costumam recuperar antes da mão, que fica mais longe do local da lesão. Como esse tempo é longo, a avaliação com um neurocirurgião que atua em nervos periféricos deve ser feita nos primeiros meses: quanto mais cedo a decisão sobre operar ou não, maior a chance de o músculo ainda responder.

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Os exercícios descritos são orientações gerais; cada lesão do plexo braquial é diferente e a indicação de tratamento, cirúrgico ou não, depende de avaliação individual. Em caso de dor ou dúvida, pare o exercício e procure o seu médico.

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende em Curitiba, em São Paulo e por teleconsulta, em português, inglês e espanhol. Fale pelo WhatsApp.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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