Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • March 17, 2022

Pé caído tem cura? Vai ficar 100%?

“Doutor, meu pé caído vai voltar ao normal?” Essa é uma das perguntas mais comuns no meu consultório. E a resposta honesta é: depende. Depende de qual nervo foi lesado, da gravidade da lesão, do tempo que passou e do tratamento feito.

Neste texto, explico em linguagem simples o que define o quanto o seu pé caído pode recuperar, quais tratamentos existem e o que você pode fazer desde já para aumentar suas chances. Também conto um caso real que mostra por que “ficar 100%” pode significar coisas diferentes para cada pessoa.

Resposta rápida

O pé caído pode melhorar muito e, em alguns casos, recuperar quase toda a força. Lesões leves e recentes tendem a recuperar mais; lesões graves e antigas recuperam menos. Mas quase sempre existe algo a fazer para andar melhor, ter menos dor e mais independência, mesmo quando o pé não volta a ser igual ao outro.

O que é o pé caído e por que ele acontece

Pé caído é quando a pessoa não consegue levantar a ponta do pé. Ao caminhar, o pé “arrasta” ou bate no chão, e é preciso levantar mais o joelho para não tropeçar. É sinal de que o nervo fibular, ou os nervos da coluna que o alimentam, não está funcionando bem.


As causas mais comuns são: compressão do nervo fibular na lateral do joelho (emagrecimento rápido, hábito de cruzar as pernas, gesso, imobilização ou tempo longo acamado); hérnia de disco ou estenose na coluna lombar; traumas e fraturas da perna; sequelas de cirurgias do joelho ou do quadril; e AVC.


Saber onde o nervo foi lesado é o primeiro passo, porque isso muda totalmente o tratamento e a chance de recuperação.

Idoso sentado na beira da cama com pé caído, dificuldade para levantar o pé após lesão do nervo fibular
O que define o quanto você vai recuperar

1. Gravidade da lesão

Um nervo apenas comprimido (“amassado”) recupera muito mais do que um nervo cortado ou arrancado. A eletroneuromiografia ajuda a medir isso.

2. Tempo desde a lesão

O nervo cresce cerca de 1 mm por dia. Quanto mais tempo o músculo fica sem nervo, mais ele atrofia. Depois de 12 a 18 meses, recuperar força fica muito difícil.

3. Local e causa

Lesão no joelho (nervo fibular) costuma ter resultado melhor do que lesão na coluna ou no quadril, porque o caminho até o músculo é mais curto.

4. Idade e saúde geral

Diabetes, tabagismo, idade avançada e falta de reabilitação atrasam a recuperação. Cuidar desses pontos melhora o resultado de qualquer tratamento.

Um caso real: quando “100%” não é o que você imagina

Uma paciente chegou ao meu consultório meses depois de um acidente de carro. Ela tinha uma lesão grave dos nervos fibular e tibial ao mesmo tempo: o pé não mexia nada, estava inchado e doía tanto que ela precisava de vários remédios, inclusive opioides fortes.


Antes da cirurgia, deixei duas coisas claras: o pé dela não ficaria igual ao outro; e, mesmo assim, tínhamos muito a ganhar, principalmente na dor.


Fizemos uma cirurgia maior: descompressão dos nervos fibular e tibial e transferência de tendão para ajudar a levantar o pé. O pé recuperou toda a força? Não. Mas a dor caiu muito. Nas primeiras semanas ela já diminuiu os remédios, voltou a sair de casa, a calçar sapatos que não usava mais e a caminhar sem órtese.


Para ela, isso foi mais do que 100%. Foi recuperar a vida.

Assista: 3 coisas que você deve evitar na recuperação do pé caído

Neste vídeo curto explico os erros mais comuns que atrasam a recuperação e o que fazer no lugar deles.

Mais vídeos sobre pé caído no canal do Dr. Thomas Marcolini no YouTube.

Então, vai ficar 100%?

Talvez a pergunta certa não seja “vai ficar 100%?”, e sim “o que eu quero voltar a fazer?”. Para uma pessoa, 100% é correr de novo. Para outra, é ir ao shopping com a família sem tropeçar, dirigir ou dormir sem dor.


Por isso, uma parte importante da consulta é alinhar expectativas. Um bom médico explica o que é possível no seu caso, o que não é, e qual caminho tem mais chance de dar certo. Isso evita frustração e ajuda você a decidir com segurança.


O que eu posso garantir é uma avaliação honesta e um plano feito para o seu caso. O resultado depende da lesão, do tempo e do seu esforço na reabilitação. Nenhum médico sério promete 100%.

6 dicas práticas para melhorar suas chances
  • 1
    Não espere meses “para ver se melhora sozinho”

    Procure avaliação nas primeiras semanas. O tempo é o fator que você mais controla, e ele não volta.

  • 2
    Faça o exame certo

    A eletroneuromiografia e, quando indicado, o ultrassom ou a ressonância do nervo mostram onde está a lesão e quão grave ela é.

  • 3
    Use a órtese (AFO) sem medo

    Ela protege contra quedas e permite caminhar com segurança enquanto o nervo recupera. Órtese não “vicia” o pé.

  • 4
    Faça fisioterapia desde o início

    Ela mantém o tornozelo móvel, evita o encurtamento da panturrilha e fortalece o que ainda funciona. Mas não substitui o tratamento da causa.

  • 5
    Não “aguente” a dor

    Dor neuropática que não melhora com remédio é motivo para reavaliar o caso, não para esperar.

  • 6
    Proteja o nervo fibular no dia a dia

    Evite cruzar as pernas, apoiar a lateral do joelho em superfícies duras e emagrecer muito rápido sem orientação. Tudo isso comprime o nervo.

Quais são os tratamentos para o pé caído?

Tratamento conservador: fisioterapia, órtese (AFO) e, quando há dor, medicação. Indicado em lesões leves ou quando o nervo já mostra sinais de recuperação.


Descompressão do nervo fibular: cirurgia para liberar o nervo “apertado” na lateral do joelho. É uma cirurgia pequena, com bom resultado quando a causa é compressão e o tempo de lesão é curto.


Reparo ou enxerto de nervo: quando o nervo foi cortado ou muito lesado, pode ser preciso reconstruir o trajeto para que ele volte a crescer até o músculo.


Transferência de tendão: quando o nervo não vai recuperar (lesões antigas ou graves), um tendão que ainda funciona, o tibial posterior, é redirecionado para levantar o pé. A maioria dos pacientes volta a caminhar sem órtese. Em alguns casos, associo um parafuso percutâneo no calcanhar (artrorrise subtalar) para proteger o retropé.


Neuroestimulação e tratamento da dor: para quem tem dor neuropática intensa além da fraqueza.


A escolha depende do exame clínico, da eletroneuromiografia e do tempo de lesão. Não existe um tratamento único que sirva para todos.

Órtese AFO no tornozelo de paciente com pé caído, usada para caminhar com segurança durante a recuperação
Perguntas frequentes sobre pé caído
Pé caído tem cura?

Depende da causa e da gravidade. Compressões leves e recentes do nervo fibular costumam recuperar bem. Lesões graves ou antigas recuperam menos força, mas existem cirurgias que devolvem a capacidade de levantar o pé e reduzem a dor.

Quanto tempo leva para o pé caído recuperar?

O nervo cresce cerca de 1 mm por dia. Lesões leves melhoram em semanas a poucos meses; lesões mais graves podem levar de 6 a 18 meses, e nem sempre recuperam por completo.

Existe um prazo para operar o pé caído?

Sim. Nas cirurgias que dependem de o nervo voltar a crescer (descompressão e reparo), o ideal é operar nos primeiros meses, antes de completar 1 ano. Depois desse prazo, a transferência de tendão costuma ser a melhor opção.

Fisioterapia sozinha resolve o pé caído?

Ela é essencial, mas não “liga” um nervo que está comprimido ou cortado. Se depois de algumas semanas não há sinal de melhora, é hora de reavaliar o caso.

A cirurgia para pé caído é de alto risco?

As cirurgias de descompressão do nervo fibular e de transferência de tendão são, em geral, de baixo risco. Como toda cirurgia, têm riscos, que são explicados na consulta.

Tive AVC e fiquei com pé caído. Tem tratamento?

Sim. Sequelas de AVC, como o pé caído e o pé equino espástico, podem ser tratadas com cirurgias que ajudam a caminhar melhor e com mais segurança.

Qual médico trata o pé caído?

O neurocirurgião que atua em nervos periféricos avalia e trata a lesão do nervo, em conjunto com o fisioterapeuta e, em alguns casos, com ortopedista e neurologista.

Quando procurar um neurocirurgião?

Procure avaliação se: o pé caiu de repente ou depois de cirurgia, gesso ou acidente; há dormência, formigamento ou dor na perna junto com a fraqueza; você está há mais de 3 a 4 semanas sem sinal de melhora; ou já fez fisioterapia e continua dependendo da órtese.


Atendo pacientes com pé caído em Curitiba e São Paulo, de forma presencial, e também por teleconsulta. Na consulta, avaliamos o nervo e os exames, e conversamos com franqueza sobre o que é possível no seu caso.


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Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos

Sobre o autor

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende em Curitiba e São Paulo, com consultas presenciais e por teleconsulta, para lesões de nervos como pé caído, plexo braquial, paralisia facial e dor neuropática.

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510  |  CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

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Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso de pé caído deve ser avaliado individualmente por um médico.


Fontes: Carolus AE et al. The Interdisciplinary Management of Foot Drop. Dtsch Arztebl Int, 2019. · Poage C, Roth C, Scott B. Peroneal Nerve Palsy: Evaluation and Management. J Am Acad Orthop Surg, 2016.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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