Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • May 20, 2022
Plexo braquial · Cirurgia

Cirurgia de plexo braquial depois de muito tempo: ainda funciona?

Passou muito tempo desde a lesão? Entenda até quando operar o nervo ajuda, o que ainda pode ser feito pela dor e pela força do braço e como saber se o seu caso tem solução.

Por Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510  |  CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Resposta rápida

Depende do tipo de lesão e do que você quer melhorar. Para recuperar movimento reparando o nervo, quanto mais cedo, melhor. Nas lesões mais graves, o ideal é operar de preferência antes de 3 meses.

Se já passou muito tempo, a conversa muda, mas ainda pode haver caminhos: cirurgia para a dor(que não tem prazo máximo), transferência de tendão para ganhar função e, nas lesões por estiramento, a descompressão dos nervos. Só a avaliação do seu caso mostra o que faz sentido.

Neurocirurgião Dr. Thomas Marcolini no centro cirúrgico com lupa e microscópio para cirurgia de plexo braquial

Qual é o melhor momento para operar o plexo braquial?

A cirurgia do plexo braquial para recuperar movimento deve ser feita o mais cedo possível. Nas lesões mais graves, o ideal é operar, de preferência, antes de 3 meses. Sabe por quê?

Depois que o nervo é lesionado, o músculo que ele comanda começa a atrofiar, ou seja, a perder massa e força. Quanto mais tempo o músculo fica sem receber o “comando” do nervo, mais difícil é ele voltar a funcionar. Por isso, quanto mais cedo a cirurgia, melhor tende a ser a recuperação dos movimentos.

Fase 1

Até 3 meses

É a janela ideal nas lesões mais graves. O músculo ainda responde bem quando o nervo volta a funcionar.

Fase 2

Depois de alguns meses

As chances de recuperar força vão diminuindo mês a mês. Ainda pode valer operar, mas cada caso precisa ser avaliado.

Fase 3

Muito tempo depois

Reparar o nervo deixa de ser o caminho principal, mas outras cirurgias podem ajudar na dor e na função.

Dica: se a lesão é recente, não fique esperando sem acompanhamento. Procure logo um neurocirurgião que atue em nervos periféricos para definir o melhor momento de operar, caso seja necessário.

E se já passou muito tempo? Ainda vale a pena operar?

Dependendo do seu caso, sim. O que muda é o objetivo da cirurgia. Quando o tempo ideal para reparar o nervo já passou, o foco deixa de ser “consertar o nervo” e passa a ser melhorar a sua vida do jeito que for possível. Existem três caminhos principais:

1. Para a dor

As cirurgias para a dor não têm tempo máximo para serem feitas.

2. Para ganhar função

Na transferência de tendão, um músculo que funciona passa a fazer uma nova tarefa.

3. Para o estiramento

A descompressão dos nervos pode potencializar os ganhos quando houve melhora parcial.

Vale saber: em alguns casos, reparar o nervo ainda pode ser útil depois de mais de um ano, mas as chances de recuperar força são menores. Por isso, o primeiro passo é uma avaliação completa do seu caso.

Homem com a mão no ombro dolorido, em destaque vermelho, ao lado do texto Se for para melhorar da dor? Sim!

Cirurgia para dor do plexo braquial

Diferente da cirurgia para melhorar a força, a cirurgia para melhorar a dor dos nervos não tem um tempo máximo. Ou seja: mesmo anos depois da lesão, ainda pode valer a pena conversar sobre ela.

Quando podemos operar para melhorar a dor?

Neuroma do plexo

O neuroma é um nódulo doloroso que se forma no nervo lesionado. Nesse caso, podemos abordar os nervos diretamente no plexo braquial.

Avulsão das raízes

Quando as raízes do nervo foram arrancadas da medula, a dor pode ser tratada com a drezotomia (DREZ) ou com o implante do eletrodo medular, o chip para dor.

Importante: a escolha do procedimento depende do tipo de lesão e dos seus exames. Dor que não melhora com remédios e fisioterapia merece uma avaliação específica.

Chip para dor do plexo braquial

O implante do eletrodo medular, conhecido como “chip para dor”, envia pequenos impulsos elétricos para a medula espinhal e ajuda a reduzir a dor que não melhora com outros tratamentos.

A diferença em relação à drezotomia é que ele é feito de forma percutânea, ou seja, por meio de uma agulha.

Sem cirurgia aberta

O acesso é feito por agulha, com menor risco do que a cirurgia aberta.

Alta no mesmo dia

Em muitos casos, o paciente vai embora do hospital no mesmo dia do procedimento.

Outra opção para a dor

É uma alternativa para quem tem dor intensa após a avulsão das raízes do plexo.

Homem de costas com ombro e braço em destaque vermelho, ao lado do texto Se for para transferir um tendão ou músculo? Sim!

Transferência de tendão no plexo braquial

Nesse caso, usamos um músculo que ainda funciona para realizar uma nova função. Para isso, precisamos de um músculo saudável, como um dos músculos das costas ou o tríceps, e o transferimos para uma região nova, para ajudar você em um movimento mais importante no dia a dia.

Músculo que funciona

Por exemplo, um músculo das costas ou o tríceps.

Nova função

Ele passa a ajudar em um movimento importante que o braço perdeu.

É uma opção para quem já passou do tempo de reparar o nervo. O objetivo é ganhar uma função útil, e cada caso precisa ser avaliado para saber qual transferência faz sentido.

Homem de costas com ombro e pescoço em destaque vermelho, ao lado do texto Se for para melhorar de um estiramento? Sim!

Estiramento do plexo braquial: e se não operou cedo?

A cirurgia de estiramento deve ser feita precocemente. Mas, quando o paciente não operou cedo e os músculos tiveram melhora parcial, existe sim a possibilidade de fazer a descompressão dos nervos para potencializar os ganhos.

Pode ajudar

Lesões mais leves, como o estiramento, ainda podem ser tratadas com a descompressão, mesmo tardiamente.

Em geral, não ajuda

Quando houve perda completa dos nervos (avulsão) e já se passaram vários anos, a descompressão não traz benefício.

Por isso, a descompressão das lesões mais leves, como o estiramento, pode ser realizada tardiamente. Já nos casos de avulsão, outras cirurgias, como as de dor e de transferência de tendão, podem ser o melhor caminho.

6 dicas úteis para quem tem lesão antiga no plexo braquial

Enquanto você decide o próximo passo, estes cuidados podem fazer diferença no dia a dia:

Continue a fisioterapia

Movimentar ombro, cotovelo, punho e dedos evita rigidez e deixa o braço mais preparado caso uma cirurgia seja indicada.

Proteja o braço sem sensibilidade

Onde o braço não sente, queimaduras e ferimentos passam despercebidos. Cuidado com água quente, fogão e objetos cortantes.

Guarde todos os exames

Laudos de ressonância, eletroneuromiografia e relatórios de cirurgias antigas ajudam muito na avaliação.

Anote a história da lesão

Data do acidente, o que já voltou a mexer, o que não voltou e como é a dor ao longo do dia.

Dor também tem tratamento

Não aceite que não há nada a fazer sem uma avaliação. A dor do plexo tem opções, de remédios a procedimentos e cirurgias.

Desconfie de promessas

Nenhum médico pode garantir resultado. Uma boa consulta explica o que é possível, os riscos e o que não deve ser esperado.

Como se preparar para a consulta

Chegar com as informações organizadas ajuda o médico a entender o seu caso e a indicar o melhor caminho.

O que levar

  • Exames de imagem e laudos (ressonância do plexo ou da coluna cervical)
  • Eletroneuromiografia, se já foi feita
  • Relatórios e descrição de cirurgias anteriores
  • Lista dos remédios que você usa
  • Fotos ou vídeos do movimento do braço ao longo do tempo, se tiver

Perguntas para fazer

  • Qual é o tipo da minha lesão?
  • Ainda existe chance de recuperar movimento reparando o nervo?
  • Qual cirurgia faz sentido para a minha dor?
  • Quais são os riscos e o que posso esperar?
  • Como será a recuperação e a fisioterapia?

Perguntas frequentes

Até quando posso operar o plexo braquial?

Para recuperar força reparando o nervo, quanto antes, melhor. Nas lesões mais graves, o ideal é operar de preferência antes de 3 meses. Depois disso, as chances diminuem com o tempo, e cada caso precisa ser avaliado.

A cirurgia de plexo braquial funciona depois de anos?

Depende do caso. Reparar o nervo perde força como opção com o passar do tempo, mas outras cirurgias podem ajudar: a cirurgia para a dor, a transferência de tendão para ganhar função e, nas lesões por estiramento com melhora parcial, a descompressão dos nervos.

A cirurgia para a dor também tem prazo?

Não. A cirurgia para melhorar a dor do plexo braquial não tem um tempo máximo para ser feita.

O que é o chip para dor?

É o implante de um eletrodo medular, que envia pequenos impulsos elétricos para a medula e ajuda a reduzir a dor. É feito por agulha (percutâneo), com menor risco do que uma cirurgia aberta, e em muitos casos o paciente tem alta no mesmo dia.

A descompressão ajuda na avulsão antiga?

Nas lesões mais leves, como o estiramento, a descompressão pode ser feita tardiamente para potencializar os ganhos. Quando houve perda completa dos nervos (avulsão) e já se passaram vários anos, a descompressão não traz benefício.

O Dr. Thomas atende por teleconsulta?

Sim. O atendimento pode ser presencial, em Curitiba e em São Paulo, ou por teleconsulta.

Quer saber se o seu caso tem solução?

Gostou das informações? Agende uma teleconsulta com o Dr. Thomas Marcolini e tire suas dúvidas sobre a sua lesão.

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Dr. Thomas Marcolini
Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

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Atendimento presencial em Curitiba e em São Paulo e por teleconsulta.

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Ele não serve para diagnóstico nem para tratamento por conta própria. Os resultados variam de caso a caso e não há garantia de resultado.

Fontes consultadas (PubMed)

  1. Martin E, Senders JT, DiRisio AC, Smith TR, Broekman MLD. Timing of surgery in traumatic brachial plexus injury: a systematic review. J Neurosurg. 2018;130(4):1333-1345. doi:10.3171/2018.1.JNS172068
  2. Wu KY, Spinner RJ, Shin AY. Traumatic brachial plexus injury: diagnosis and treatment. Curr Opin Neurol. 2022;35(6):708-717. doi:10.1097/WCO.0000000000001124
  3. Lee EY, Pulos N, Bishop AT, Spinner RJ, Shin AY. The failed adult traumatic brachial plexus reconstruction. J Hand Surg Eur Vol. 2024;49(11):1298-1312. doi:10.1177/17531934241231170
  4. Georgoulis G, Neromyliotis E, Sindou M. Anatomical damages in the spinal nerve roots and the spinal cord after brachial plexus injury (DREZ-lesioning for pain). Acta Neurochir (Wien). 2024;166(1):201. doi:10.1007/s00701-024-06063-5

Conteúdo revisado em outubro de 2026 por Dr. Thomas Marcolini (CRM/PR 33811, RQE/PR 26510, CRM/SP 241641, RQE/SP 113003).

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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