Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • May 20, 2022

Compressão do Nervo Ulnar: sintomas, causas e tratamento explicados de forma simples

A compressão do nervo ulnar é uma das causas mais comuns de formigamento no dedo mínimo e no dedo anelar. Na maioria das vezes, o nervo fica apertado no cotovelo (síndrome do túnel cubital) ou, mais raramente, no punho (síndrome do canal de Guyon).


Neste guia em linguagem simples, você vai entender o que é essa compressão, quais são os sinais de alerta, como se faz o diagnóstico, quais tratamentos existem e o que fazer no dia a dia para aliviar os sintomas.

O que é o nervo ulnar?

O nervo ulnar é um dos três nervos principais do braço (os outros são o mediano e o radial). Ele nasce no pescoço, desce pelo braço, passa por trás do cotovelo e chega até a mão. Sabe aquele choque que você sente quando bate o cotovelo na quina da mesa? É o nervo ulnar sendo atingido.


Ele é responsável pela sensibilidade do dedo mínimo (mindinho) e de metade do dedo anelar, e comanda a maior parte dos pequenos músculos da mão — os que fazem os movimentos finos, como abrir os dedos, segurar uma chave ou apertar algo com firmeza.

Por que o nervo ulnar é tão importante?

Quando o nervo ulnar fica comprimido por muito tempo, os músculos da mão perdem força e podem atrofiar (ficar mais finos). A pessoa começa a deixar objetos caírem e tem dificuldade para abotoar a roupa, escrever ou digitar.


Um detalhe importante: muitos pacientes operam o túnel do carpo (nervo mediano) achando que o problema é no punho, quando na verdade o nervo comprimido é o ulnar, no cotovelo. Por isso, antes de qualquer tratamento, o diagnóstico precisa estar correto. A sua mão é um dos seus bens mais preciosos — vale a pena investigar direito.

Ilustração do braço com o nervo ulnar destacado em vermelho na região do cotovelo, mostrando a compressão do nervo ulnar

O que é a compressão do nervo ulnar?

Compressão do nervo ulnar é quando o nervo fica apertado em algum ponto do seu trajeto. Existem dois locais principais:


  • No cotovelo — a chamada síndrome do túnel cubital, de longe a mais comum.
  • No punho — a chamada síndrome do canal de Guyon, bem mais rara.


Nos dois casos, o nervo sofre e começa a mandar sinais errados: formigamento, dormência, dor e, com o tempo, fraqueza na mão.

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Compressão do nervo ulnar: tudo o que você precisa saber

Uma explicação completa sobre sintomas, causas, exames e tratamento — para assistir com calma e tirar as principais dúvidas.

Sintomas da compressão do nervo ulnar

Os sintomas costumam ser leves no começo e piorar aos poucos. Fique atento se você sente:


  • Formigamento ou dormência no dedo mínimo e no dedo anelar;
  • Choques que correm do cotovelo até a ponta dos dedos;
  • Dor ou queimação na parte interna do cotovelo e na borda da mão;
  • Acordar à noite com a mão formigando, principalmente depois de dormir com o braço dobrado;
  • Perda de força para segurar objetos, abrir potes ou virar a chave;
  • Dificuldade em movimentos finos, como escrever, digitar ou abotoar;
  • Mão ficando mais fina (atrofia) ou dedos “encolhendo” em garra — sinal de quadro avançado.

Quais dedos formigam na compressão do nervo ulnar?

Uma pista simples para diferenciar da síndrome do túnel do carpo: na compressão do nervo ulnar, formigam o dedo mínimo e o dedo anelar (4º e 5º dedos). No túnel do carpo, formigam o polegar, o indicador e o dedo médio. Veja na imagem abaixo, em roxo, a área da mão que pertence ao nervo ulnar.

Mãos mostrando os dedos mindinho e anelar destacados em roxo e o punho em vermelho, dedos que formigam na compressão do nervo ulnar

Repare que o dedo anelar fica “dividido”: só a metade voltada para o mindinho pertence ao nervo ulnar. É por isso que muitos pacientes contam que “metade do dedo” formiga — e esse é um sinal bem característico da compressão do nervo ulnar.

O que causa a compressão do nervo ulnar?

Na maioria das vezes, o nervo é apertado por posturas e hábitos do dia a dia. As causas mais comuns são:


  • Manter o cotovelo dobrado por muito tempo (ao dormir, falar ao celular ou dirigir);
  • Apoiar o cotovelo em superfícies duras, como a mesa, o braço da cadeira ou a janela do carro;
  • Movimentos repetitivos com o braço, no trabalho ou no esporte;
  • Fraturas, luxações ou traumas antigos no cotovelo;
  • Artrose, cistos ou alterações nos ossos e ligamentos ao redor do nervo;
  • Doenças que deixam os nervos mais sensíveis, como o diabetes.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa na consulta. Eu ouço a sua história, examino a sensibilidade e a força da mão e faço testes simples, como bater de leve sobre o nervo atrás do cotovelo (teste de Tinel) e manter o cotovelo dobrado por alguns instantes para ver se o formigamento aparece.


Quando é preciso confirmar o local e a gravidade da compressão, peço exames como a ultrassonografia do nervo ulnar, a ressonância magnética (com ou sem neurografia) e a eletroneuromiografia, que mede como o sinal elétrico passa pelo nervo. Mais abaixo explico cada um desses exames.

Tratamento da compressão do nervo ulnar

O tratamento depende do tempo de sintomas e da gravidade. Nos casos leves, começamos sem cirurgia:


  • Mudança de hábitos: parar de dormir com o braço dobrado e de apoiar o cotovelo — só isso já melhora muitos pacientes;
  • Órtese noturna: uma tala ou até uma toalha enrolada no cotovelo para impedir que ele dobre durante o sono;
  • Medicamentos: remédios para dor neuropática e anti-inflamatórios, sempre com orientação médica;
  • Fisioterapia: exercícios de deslizamento do nervo e fortalecimento da mão.


Quando a cirurgia é indicada? Quando os sintomas não melhoram com o tratamento conservador, quando já existe perda de força ou atrofia, ou quando os exames mostram uma compressão importante. A cirurgia (descompressão do nervo ulnar, com ou sem transposição do nervo) libera o nervo no cotovelo. Em geral é um procedimento de pequeno porte, com alta no mesmo dia.


O ponto mais importante: quanto mais cedo o nervo é tratado, melhor a recuperação. Um nervo comprimido por anos pode não voltar completamente, mesmo depois de operado.

▶ Assista: cirurgia em vídeo

Cirurgia do nervo ulnar: quando é indicada e como funciona

Explico quando a descompressão do nervo ulnar passa a ser o melhor caminho, como é feita e o que esperar da recuperação.

Dicas práticas para aliviar o nervo ulnar no dia a dia

Pequenos ajustes de postura fazem grande diferença. Os cartões abaixo reúnem o que mais ajuda os meus pacientes — e o que vale evitar. Lembre-se: essas dicas servem para quem já tem diagnóstico e um quadro leve. Se existe perda de sensibilidade ou de força, não espere: procure avaliação.

Durma com o braço esticado

Enrole uma toalha no cotovelo ou use uma órtese noturna. Isso impede que o braço dobre durante o sono — a causa mais comum do formigamento de madrugada.

Celular: use fone ou viva-voz

Falar com o cotovelo dobrado por muito tempo aperta o nervo. Alterne a mão e prefira o fone de ouvido em ligações longas.

Faça pausas a cada 30–40 minutos

Estique o braço, abra e feche a mão e gire o punho por 1 minuto. Em trabalhos repetitivos, isso alivia a pressão no túnel cubital.

Ajuste o posto de trabalho

Teclado na altura do cotovelo, braços relaxados e sem apoiar o cotovelo na borda da mesa. Um apoio macio (gel) ajuda quem precisa apoiar.

Evite apoiar o cotovelo em superfícies duras

Mesa, braço da cadeira, janela do carro: a pressão direta sobre o nervo repete o “choque” várias vezes por dia e inflama o nervo.

Não ignore a perda de força

Formigamento leve pode ser acompanhado por algumas semanas. Fraqueza, mão mais fina ou dedos em garra, não: procure avaliação com urgência.

O que fazer O que evitar / sinal de alerta

▶ Assista: dicas em vídeo

4 dicas para aliviar a síndrome do túnel cubital

Neste vídeo curto, mostro os ajustes do dia a dia que mais ajudam a tirar a pressão do nervo ulnar — e quando é hora de procurar avaliação.

Os dois tipos de compressão do nervo ulnar

Agora que você já entendeu o básico, vamos aos dois tipos de compressão, cada um com suas particularidades:


  • Síndrome do túnel cubital — compressão no cotovelo;
  • Síndrome do canal de Guyon — compressão no punho.


Se você ainda não tem um diagnóstico, clique no botão do WhatsApp e agende uma consulta — presencial em Curitiba ou São Paulo, ou por teleconsulta.

Síndrome do túnel cubital: compressão do nervo ulnar no cotovelo

O túnel cubital é uma passagem estreita atrás do cotovelo, formada por osso e ligamentos. O nervo ulnar passa por ali bem na superfície — é exatamente o ponto do “choque” quando batemos o cotovelo. Quando esse túnel aperta o nervo, surge a síndrome do túnel cubital, o tipo mais comum de compressão do nervo ulnar e a segunda compressão nervosa mais frequente do braço, atrás apenas do túnel do carpo.

Por que dobrar o cotovelo piora os sintomas?

Mulher flexionando o cotovelo com a mão, demonstrando movimento que agrava a síndrome do túnel cubital

Quando o cotovelo dobra, o túnel cubital fica mais estreito e o nervo ulnar é esticado em volta do osso: a pressão dentro do nervo aumenta e a circulação diminui. Por isso os sintomas pioram ao falar ao celular, ao dirigir e, principalmente, ao dormir com o braço dobrado. Se você acorda de madrugada com o mindinho formigando e percebe que estava com o cotovelo dobrado, esse é um sinal muito típico da síndrome do túnel cubital.


O problema é a repetição. Uma noite com o braço dobrado causa só um formigamento passageiro. Meses de agressão diária fazem o nervo inchar e, com o tempo, perder fibras. O esquema abaixo mostra essa evolução em quatro fases.

Esquema da compressão do nervo ulnar com cotovelo dobrado ao longo do tempo, do nervo saudável à perda de fibras

Teste de Tinel: o “choquinho” que ajuda no diagnóstico

É um teste simples, feito na consulta: dou pequenas batidas sobre o nervo, atrás do cotovelo. Se existe compressão, o paciente sente um choque que corre em direção ao dedo mínimo e ao anelar. O teste não substitui os exames, mas ajuda a localizar onde o nervo está sofrendo.

Mão em garra: sinal de lesão grave do nervo ulnar

A “garra ulnar” é a fase mais avançada: os músculos da mão atrofiam e o dedo mínimo e o anelar ficam encolhidos, como uma garra. Nesse estágio, o resultado da cirurgia é bem inferior ao de quem trata cedo, porque parte das fibras do nervo já foi perdida.


Se a sua mão está perdendo força ou os dedos estão ficando flexionados, procure avaliação com urgência. O objetivo nesses casos é parar a progressão da lesão e preservar o máximo possível da função da mão.

Exames para confirmar a compressão do nervo ulnar

Exame de ultrassom sendo realizado no cotovelo do paciente para diagnosticar a síndrome do túnel cubital

Quando é preciso confirmar o local e a gravidade da compressão, os exames mais usados são:


  • Ultrassonografia do nervo ulnar: rápida e sem dor, mostra o nervo inchado e o ponto exato da compressão;
  • Ressonância magnética com neurografia: mostra o nervo e as estruturas ao redor com mais detalhe — útil em casos de dúvida, trauma antigo ou cirurgia prévia no cotovelo;
  • Eletroneuromiografia (ENMG): mede a condução elétrica do nervo e mostra a gravidade da lesão. Pode ser um pouco desconfortável, mas ajuda muito a decidir o momento certo do tratamento.


Atenção: formigamento no mindinho nem sempre vem do cotovelo. Hérnia de disco no pescoço e compressões no punho podem causar sintomas parecidos — por isso o exame físico e os exames complementares andam juntos.

Síndrome do canal de Guyon: compressão do nervo ulnar no punho

O canal de Guyon é um pequeno túnel na base da mão, do lado do dedo mínimo. A compressão nesse local é bem menos comum e costuma estar ligada a:


  • Apoio prolongado do punho, como em ciclistas (pressão do guidão) ou no uso do mouse;
  • Cistos ou pequenos tumores benignos dentro do canal;
  • Fraturas do punho ou da base da mão.


A diferença para o túnel cubital: no canal de Guyon, a sensibilidade do dorso da mão costuma estar preservada e os sintomas não pioram ao dobrar o cotovelo. O exame clínico e a ultrassonografia ajudam a diferenciar os dois quadros.

Recuperação: o que esperar depois do tratamento

A recuperação depende de quanto tempo o nervo ficou comprimido e da gravidade da lesão. Quem trata cedo, ainda só com formigamento, costuma ter alívio rápido — muitas vezes nas primeiras semanas. Quem já chega com atrofia e perda de força tem uma recuperação mais lenta e, em alguns casos, incompleta, porque o nervo se regenera devagar (cerca de 1 mm por dia).


Depois da cirurgia, fisioterapia e terapia da mão continuam sendo importantes. Paciência e constância fazem parte do tratamento. Se você mora longe, veja aqui como funciona a teleconsulta.

Perguntas frequentes sobre compressão do nervo ulnar

Toque em cada pergunta para ver a resposta.

+ Compressão do nervo ulnar tem cura?

Na maioria dos casos leves, os sintomas melhoram bastante quando a pressão sobre o nervo é retirada — com mudança de hábitos, órtese ou cirurgia. Em casos avançados, com atrofia e perda de força, a recuperação pode ser apenas parcial. Por isso o tratamento precoce faz tanta diferença, e nenhum resultado pode ser garantido de antemão.

+ Qual médico trata a compressão do nervo ulnar?

O neurocirurgião ou o cirurgião de mão que atua em nervos periféricos. O neurologista costuma participar do diagnóstico, principalmente com a eletroneuromiografia. O importante é que o médico tenha prática em cirurgia de nervos.

+ Compressão do nervo ulnar e túnel do carpo são a mesma coisa?

Não. No túnel do carpo o nervo comprimido é o mediano, no punho, e formigam o polegar, o indicador e o dedo médio. Na compressão do nervo ulnar formigam o dedo mínimo e o anelar, e o aperto geralmente é no cotovelo. É comum confundir os dois — e operar o punho sem necessidade.

+ Dormir com o braço dobrado piora o nervo ulnar?

Sim. Com o cotovelo dobrado, o nervo fica esticado e apertado dentro do túnel cubital por horas. Dormir com o braço esticado, usando uma órtese ou uma toalha enrolada no cotovelo, é uma das medidas mais eficazes nos casos leves.

+ A cirurgia do nervo ulnar é grande? Como é a recuperação?

É um procedimento de pequeno porte, com uma incisão na parte interna do cotovelo, geralmente com alta no mesmo dia. Nos primeiros dias evita-se esforço com o braço; atividades leves voltam em poucos dias e a fisioterapia ajuda na recuperação. O formigamento costuma melhorar antes da força, que pode levar meses para voltar.

+ Dá para tratar a compressão do nervo ulnar sem cirurgia?

Sim, nos casos iniciais. Mudança de hábitos, órtese noturna, medicamentos e fisioterapia resolvem boa parte dos quadros leves. A cirurgia fica reservada para quem não melhora ou já apresenta perda de força, atrofia ou compressão importante nos exames.

+ Quanto tempo demora para o formigamento passar?

Varia muito. Em compressões recentes, o alívio pode vir em dias ou semanas depois de tirar a pressão do nervo. Em compressões antigas, a recuperação é lenta, porque o nervo se regenera cerca de 1 mm por dia, e pode levar vários meses.

+ Ficar com o cotovelo dobrado por muito tempo pode lesionar o nervo de vez?

Uma postura isolada não causa lesão permanente: o formigamento passa ao esticar o braço. O risco está na repetição diária por meses ou anos, que faz o nervo inchar e, com o tempo, perder fibras (veja o esquema acima). Sintomas que voltam toda noite ou fraqueza na mão merecem avaliação.

Por que tratar a compressão do nervo ulnar com o Dr. Thomas Marcolini?

Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, durante cirurgia de descompressão do nervo ulnar

Sou neurocirurgião que atua em nervos periféricos, com prática diária em cirurgias de descompressão e reconstrução de nervos, em Curitiba e São Paulo. Na consulta, explico com calma o que está acontecendo com o seu nervo, mostro os exames e discuto com você todas as opções — da mudança de hábitos à cirurgia — para que a decisão seja tomada com segurança.


A avaliação pode ser feita presencialmente ou por teleconsulta, sem sair de casa. Para agendar, clique no botão do WhatsApp.

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso de compressão do nervo ulnar é diferente, e só uma avaliação individual, com exame físico e exames complementares, permite definir o diagnóstico e o melhor tratamento. Não inicie nem interrompa medicamentos por conta própria.

Dr. Thomas Marcolini CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Fontes consultadas

  • American Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo) — Ulnar Nerve Entrapment at the Elbow (Cubital Tunnel Syndrome).
  • American Society for Surgery of the Hand — Cubital Tunnel Syndrome.
  • Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão — Síndrome do túnel cubital.
  • Gelberman RH et al. Changes in interstitial pressure and cross-sectional area of the cubital tunnel and of the ulnar nerve with flexion of the elbow. J Bone Joint Surg Am. 1998;80(4):492-501.
  • Experiência clínica do autor em cirurgia de nervos periféricos.

Última atualização: outubro de 2026.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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