Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • May 19, 2022

Formigamento no braço, dor no pescoço e nas costas, mão dormente ou sem força? Esses sinais podem estar ligados à síndrome do desfiladeiro torácico.

Neste guia, eu, Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, explico em palavras simples o que é essa condição, o que costuma piorar os sintomas, o que você pode fazer no dia a dia e quando a cirurgia pode ser indicada.

Em resumo

  • O que é: aperto dos nervos (e, mais raramente, dos vasos sanguíneos) na passagem entre o pescoço, a clavícula e a primeira costela.
  • Sintomas: dor no braço, no peito e nas costas, formigamento, mão dormente, braço pesado e, em alguns casos, perda de força.
  • Por onde começar: postura, fisioterapia bem direcionada e cuidados no dia a dia.
  • Por que piora: a postura ruim mantida por meses deixa os músculos do pescoço e do peito tensos, e o plexo braquial fica cada vez mais apertado (veja o esquema abaixo).
  • Cirurgia: é pensada quando o tratamento sem cirurgia não resolve ou quando a mão perde força.
Homem trabalhando no computador com postura curvada, fator que piora a síndrome do desfiladeiro torácico

O que é a síndrome do desfiladeiro torácico?

O “desfiladeiro torácico” é uma passagem estreita entre o pescoço, a clavícula e a primeira costela. Por ali passam os nervos que vão para o braço (o plexo braquial), além da artéria e da veia que levam sangue até a mão.

Quando esse espaço fica apertado, por músculos tensos, postura errada, uma costela extra no pescoço (costela cervical) ou outras causas, os nervos e os vasos podem ser comprimidos. Esse conjunto de sintomas é a síndrome do desfiladeiro torácico.

A forma mais comum é a neurogênica, em que o nervo é o mais afetado. Mais raramente, a veia ou a artéria são comprimidas, e essas formas pedem uma avaliação mais rápida.

Por que entender a doença faz diferença? Percebo que muitos profissionais da saúde conhecem pouco essa síndrome. E isso importa, porque, para aumentar as chances de sucesso do tratamento sem cirurgia, você precisa entender o que piora o seu quadro ao longo do dia. Assim, além de encontrar um bom fisioterapeuta, você consegue cuidar dos fatores do dia a dia que desencadeiam e pioram os sintomas.

Como a síndrome do desfiladeiro torácico piora com o tempo

Na maioria das pessoas, o problema não aparece de um dia para o outro. A postura vai piorando aos poucos, os músculos do pescoço e do peito ficam tensos e o espaço por onde passa o plexo braquial(os nervos do braço) fica cada vez mais apertado. Veja as fases:

Fase 1
clavícula 1ª costela plexo braquial

Postura equilibrada

Ombros alinhados e cabeça sobre o tronco. Há espaço livre entre a clavícula e a primeira costela para o plexo braquial.

O que a pessoa sente: Sem sintomas ou só cansaço leve.

Fase 2

Ombros caem para a frente

Horas no computador e no celular: a cabeça avança e os ombros caem. O espaço começa a diminuir e os músculos do pescoço trabalham mais.

O que a pessoa sente: Formigamento e peso no braço no fim do dia.

Fase 3

Músculos tensos apertam

Escalenos e peitoral menor ficam encurtados e surgem pontos-gatilho. O plexo braquial passa a ser apertado com frequência.

O que a pessoa sente: Dor no pescoço, costas, peito e braço, pior à noite.

Fase 4

Compressão contínua

O nervo fica comprimido boa parte do tempo. Sem tratamento direcionado, a sensibilidade e a força da mão podem ser afetadas.

O que a pessoa sente: Mão dormente, perda de força. Procure avaliação.

Postura boa Meses a anos de postura ruim Compressão contínua
A boa notícia: quanto mais cedo a postura e os músculos certos são tratados, maior a chance de interromper essa evolução sem cirurgia.

Esquema ilustrativo e simplificado. A evolução varia de pessoa para pessoa e nem todo paciente passa por todas as fases.

Assista: entenda a síndrome do desfiladeiro torácico

Em menos de 5 minutos, explico o que é a síndrome e o primeiro passo para controlar a dor.

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Principais sintomas da síndrome do desfiladeiro torácico

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e, muitas vezes, aparecem ao levantar os braços, dirigir, usar o computador ou dormir.

Dor no braço, no peito e nas costas

É a queixa que mais incomoda. Costuma piorar no fim do dia ou depois de uma semana de trabalho.

Formigamento e choques

Sensação de agulhadas ou choques na mão e nos dedos, muitas vezes nos dedos anelar e mínimo.

Amortecimento

A mão ou o braço “dormem”, principalmente ao dirigir, segurar o celular ou levantar os braços.

Perda de força

Dificuldade para abrir potes, segurar objetos ou escrever. Se isso começar, procure avaliação.

Braços pesados

Peso nos braços ao lavar o cabelo, pentear ou ficar com as mãos acima da cabeça.

Dor que piora à noite

Pontos-gatilho (nós de tensão no músculo) no pescoço e nas costas incomodam mais na hora de deitar.

Mulher com a mão no ombro e no peito por dor que piora à noite na síndrome do desfiladeiro torácico

Dores nas costas, no peito e no braço: por que pioram à noite?

Quem tem a síndrome costuma sentir formigamento, choques, amortecimento e, às vezes, perda de força na mão. Mesmo assim, o que mais incomoda é a dor: ela é pior no braço, no peito e nas costas.

O cenário é comum: a pessoa trabalha muito durante a semana, com a postura errada, e chega a noite. Na hora de dormir, começam os pontos-gatilho, que são “nós” de tensão no músculo que doem e espalham dor para outras regiões.

Você sente essas dores com frequência? Anote quando elas aparecem e o que você estava fazendo. Essa informação ajuda muito o médico e o fisioterapeuta.

Vídeo: dor nas costas e formigamento nos braços à noite

Como ajustar a posição de dormir para diminuir a dor e o formigamento.

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8 dicas úteis para aliviar os sintomas no dia a dia

Estas dicas ajudam a diminuir a sobrecarga na região, mas não substituem a avaliação médica nem o acompanhamento com o fisioterapeuta.

1

Ajuste a postura ao sentar

Deixe a tela na altura dos olhos, os ombros relaxados e os antebraços apoiados na mesa.

2

Faça pausas a cada 30 a 45 minutos

Levante, caminhe um pouco e movimente ombros e pescoço com suavidade.

3

Evite peso no ombro

Bolsas e mochilas pesadas pressionam a região. Divida o peso ou use mochila com duas alças.

4

Cuidado com os braços para cima

Pintar parede, pendurar roupa e secar o cabelo por muito tempo podem piorar. Alterne as tarefas e descanse.

5

Cuide da posição de dormir

Use um travesseiro na altura certa e evite dormir com o braço acima da cabeça.

6

Use calor local

Uma compressa morna por 15 a 20 minutos pode relaxar a musculatura tensa. Se piorar, suspenda.

7

Alongue sem forçar

Faça apenas os alongamentos indicados pelo seu fisioterapeuta. Dor forte durante o exercício é sinal para parar.

8

Anote o que piora

Registre horários, posições e atividades que pioram ou aliviam. Isso ajuda no diagnóstico.

Vídeo: a postura certa para o desfiladeiro torácico

A postura que você mantém o dia todo pesa mais do que qualquer exercício isolado.

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Mulher de costas fazendo aperto escapular, exercício postural para a síndrome do desfiladeiro torácico

Academia ou pilates ajudam no desfiladeiro torácico?

Muita gente pensa: “vou fazer academia ou pilates para melhorar”. Infelizmente, a maior parte dos pacientes tenta fortalecer a musculatura por conta própria e os sintomas pioram ao longo das semanas.

É difícil fortalecer apenas os músculos certos, ainda mais quando a doença é mais séria. Se você tem a síndrome do desfiladeiro torácico, o meu conselho é controlar os sintomas primeiro e só depois começar os exercícios em academia.

E faça isso sempre com a supervisão de um profissional, para não fortalecer o músculo errado.

Vídeo: dor no braço depois da academia

Por que alguns treinos pioram o desfiladeiro torácico e o que fazer.

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Fisioterapeuta alongando o ombro e o braço de paciente no tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico

A fisioterapia ajuda? Sim, quando é bem direcionada

Se você não melhorou, vale perguntar: como foi a sua reabilitação? Foram só “choquinhos” (eletroterapia) e liberação miofascial na mão?

A síndrome do desfiladeiro é, principalmente, um problema de postura. Por isso, a postura e os músculos que mantêm as escápulas (omoplatas) e o pescoço no lugar certo precisam ser trabalhados.

Tratar só os pontos-gatilho traz alívio nos primeiros dias e depois a dor volta. O foco deve ser tratar a causa, e não apenas a consequência.

Estudos mostram que a fisioterapia ajuda uma parte dos pacientes (algo entre 27% e 59%, segundo uma revisão publicada em 2022). Por isso, a pergunta é: a sua fisioterapia tem sido a correta?

Vídeo: fisioterapia para o desfiladeiro torácico

O que funciona e o que evitar na reabilitação.

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Sinais de alerta: quando procurar um médico logo

  • Braço inchado, arroxeado ou com veias mais evidentes.
  • Mão fria, pálida ou com mudança de cor repentina.
  • Perda de força que aumenta com o tempo ou músculos da mão que ficam mais finos.
  • Dor muito forte que surge de repente ou formigamento que não passa.

Atenção: se o braço ficar inchado, azulado ou frio de uma hora para outra, procure um pronto atendimento.

Cirurgia com microscópio para tratar a síndrome do desfiladeiro torácico e descomprimir o plexo braquial

Quando operar? Escalenotomia ou retirada da primeira costela

Fez tudo o que foi explicado acima e mesmo assim os sintomas não melhoraram? Ou a mão começou a perder força? Nesses casos, pode haver indicação de cirurgia.

Então surge a dúvida: basta retirar os músculos escalenos ou é preciso retirar a costela? Isso depende do que está sendo comprimido.

Se os sintomas são só de compressão dos nervos, sem compressão da veia ou da artéria, a retirada dos músculos escalenos (escalenotomia) costuma ser suficiente. Se a artéria ou a veia também estão comprimidas, na maioria dos casos é necessário retirar a primeira costela, porque a compressão acontece entre a clavícula e a primeira costela.

Uma revisão científica de 2022 mostra que, depois que o tratamento sem cirurgia falha, de 56% a 90% dos pacientes se beneficiam da cirurgia, dependendo do estudo. Como toda cirurgia, ela tem riscos, e a técnica ideal varia de caso para caso. Por isso, a indicação é sempre individual.

Escalenotomia

Retirada dos músculos escalenos

Em geral, é suficiente quando só os nervos estão comprimidos, sem compressão da veia ou da artéria.

Retirada da primeira costela

Quando há compressão de vasos

Na maioria dos casos, é necessária quando a artéria ou a veia também estão comprimidas, pois a compressão ocorre entre a clavícula e a primeira costela.

Lembre-se: a escolha da técnica depende dos exames e da avaliação de cada caso. Converse com o seu médico sobre benefícios e riscos.

Vídeo: riscos da cirurgia do desfiladeiro torácico

O que avaliar antes de decidir pela cirurgia.

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Perguntas frequentes sobre a síndrome do desfiladeiro torácico

Síndrome do desfiladeiro torácico tem cura?

Muitos pacientes melhoram bastante com o tratamento certo, mas o resultado depende do tipo da síndrome, da causa e de cada pessoa. Por isso, ninguém pode prometer cura. O que fazemos é avaliar o seu caso e escolher o melhor caminho.

A síndrome do desfiladeiro torácico piora com o tempo?

Pode piorar, principalmente quando a postura ruim continua por meses. Os músculos do pescoço e do peito ficam mais tensos, o espaço entre a clavícula e a primeira costela diminui e o plexo braquial passa a ser comprimido com mais frequência: primeiro vêm formigamento e peso no braço, depois dor e, em alguns casos, perda de força. Tratar cedo a postura e os músculos certos ajuda a interromper essa evolução.

Qual médico trata a síndrome do desfiladeiro torácico?

A avaliação pode envolver neurocirurgião que atua em nervos periféricos, cirurgião vascular, ortopedista, neurologista e fisioterapeuta, de acordo com o tipo (nervo, veia ou artéria) e a gravidade.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico: conversa detalhada e exame físico com manobras específicas. Exames como raio-X (para ver uma costela extra), ressonância, ultrassom com doppler e eletroneuromiografia ajudam a confirmar o quadro e a descartar outras doenças, como a síndrome do túnel do carpo.

Posso fazer academia ou pilates?

Pode, mas só depois de controlar os sintomas e sempre com supervisão de um profissional. Fortalecer o músculo errado pode piorar o quadro.

Quando a cirurgia é indicada?

Quando o tratamento sem cirurgia, bem feito, não resolve, quando há perda de força na mão ou quando a veia ou a artéria estão comprimidas. A indicação é sempre individual.

Posso fazer consulta mesmo morando longe?

Sim. Atendo presencialmente em Curitiba e em São Paulo e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol. Os atendimentos são particulares.

Quer uma avaliação com o Dr. Thomas?

Atendimento presencial em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, para quem mora em outra cidade ou país.

Dr. Thomas Marcolini Neurocirurgião que atua em nervos periféricos CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Não use este texto para se diagnosticar nem para iniciar ou parar tratamentos por conta própria. Cada caso precisa de avaliação individual.

Fontes consultadas (PubMed):

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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