Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • April 7, 2025

Neuralgia do Pudendo: Sintomas, Causas e Como Aliviar a Dor

Ilustração anatômica de nervos na região facial, representando dor neuropática crônica associada à neuralgia do nervo pudendo

Dor profunda na região íntima que piora ao sentar? Esse é um dos sinais mais comuns da neuralgia do pudendo, uma dor causada por irritação ou compressão de um nervo da pelve. Muita gente passa anos sem saber o que tem, mas existe diagnóstico e existe tratamento.

Neste guia, escrito pelo Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, você vai entender para que serve o nervo pudendo, quais são os sintomas e as causas, como é feito o diagnóstico e o que fazer para aliviar a dor, com dicas simples para o dia a dia.

Em resumo

  • O que é: uma dor causada por irritação ou compressão do nervo pudendo, na região da pelve.
  • Sinal mais comum: dor no períneo ou nos genitais que piora ao sentar e costuma aliviar em pé ou deitado.
  • Diagnóstico: é principalmente clínico (conversa e exame). Exames ajudam a descartar outras causas.
  • Tratamento: em etapas, de hábitos e fisioterapia até remédios, bloqueios e, quando necessário, neuroestimulador ou cirurgia.

Para que serve o nervo pudendo?

O nervo pudendo sai da parte de baixo da coluna, passa pelas nádegas e chega à região íntima. Ele leva a sensibilidade do períneo, dos órgãos genitais externos e da região anal até o cérebro. Também ajuda a controlar os músculos do assoalho pélvico, que seguram o xixi e o cocô e participam da função sexual.

Principais funções do nervo pudendo

  • Dar sensibilidade ao períneo, aos genitais externos e ao ânus.
  • Ajudar a controlar o esfíncter anal e a uretra (segurar fezes e urina).
  • Participar da ereção, da excitação e do orgasmo.
  • Manter os músculos do assoalho pélvico coordenados durante os movimentos.

Quando o nervo é irritado ou comprimido, tarefas simples, como sentar, dirigir ou ir ao banheiro, podem virar um desafio.

Quais são os sintomas da neuralgia do pudendo?

A dor costuma ser profunda, difícil de apontar com o dedo e muito ligada à posição do corpo. Ela tende a piorar ao longo do dia e quando você fica sentado por muito tempo. Veja abaixo os sinais mais comuns.

Dor ao sentar

Piora na cadeira, no carro e no vaso sanitário. Costuma aliviar em pé ou deitado.

Queimação ou choque

Ardência, agulhadas ou descargas elétricas no períneo, nos genitais ou no ânus.

Dormência e formigamento

A região íntima parece "adormecida" ou com alfinetadas.

Sensação de peso

Sensação de uma bola ou de algo estranho dentro do reto ou da vagina.

Dor que irradia

Pode se espalhar para as nádegas, as coxas, a virilha e a parte baixa das costas.

Piora no dia a dia

Evacuar, urinar, usar roupas apertadas ou ter relações sexuais podem aumentar a dor.

Procure atendimento médico urgente se houver:

  • Perda de controle da urina ou das fezes.
  • Dormência na região entre as pernas e nas nádegas (anestesia em sela).
  • Fraqueza nas pernas ou dificuldade para andar.
  • Dor súbita e muito intensa, com febre ou sangramento.

Esses sinais não são típicos da neuralgia do pudendo e podem indicar outro problema grave.

Onde dói e quais são as causas da neuralgia do pudendo?

Homem com dor intensa e ilustração anatômica do nervo pudendo na pelve, mostrando a origem da dor na neuralgia do pudendo

A dor aparece no períneo (entre os genitais e o ânus), nos órgãos genitais e ao redor do ânus, em um lado ou nos dois. A causa é a irritação, a compressão ou a lesão do nervo em algum ponto do caminho dele. Nem sempre a causa é encontrada, mas as mais conhecidas são:

  • Compressão do nervo entre ligamentos e músculos da pelve, no chamado canal de Alcock.
  • Ficar muitas horas sentado, principalmente em superfícies duras, como no ciclismo, no trabalho de escritório ou ao dirigir.
  • Partos difíceis, que podem esticar o nervo.
  • Cirurgias ou traumas na pelve, na bacia ou nas nádegas, como uma queda sentado.
  • Tensão crônica dos músculos do assoalho pélvico e das nádegas.
  • Prisão de ventre crônica, com esforço repetido para evacuar.
  • Infecções e doenças que inflamam nervos, como herpes-zóster e diabetes.

Descobrir a causa é importante, porque ela ajuda a escolher o melhor tratamento.

Qual exame detecta problema no nervo pudendo?

O diagnóstico da neuralgia do pudendo é, principalmente, clínico: o médico ouve a sua história, entende onde e quando a dor aparece e examina a região. Existem critérios conhecidos, chamados critérios de Nantes, que ajudam nessa avaliação. Os exames servem, sobretudo, para descartar outras doenças:

  • Ressonância magnética da pelve: procura tumores, cistos, varizes ou outras alterações perto do nervo.
  • Neurografia por ressonância e ultrassom: ainda em estudo, podem mostrar o nervo e pontos de compressão.
  • Eletroneuromiografia: pode ajudar em casos selecionados, mas hoje não é pedida para todos os pacientes.
  • Bloqueio do nervo pudendo: o médico aplica anestésico perto do nervo, em geral guiado por imagem. Se a dor melhora bastante, isso reforça o diagnóstico.
Paciente em ressonância magnética da pelve com destaque para o trajeto do nervo pudendo, exame de diagnóstico da neuralgia do pudendo

Como aliviar a dor no nervo pudendo?

O tratamento é feito em etapas, começando pelas medidas mais simples. Muitos pacientes melhoram com mudanças de hábito e tratamentos sem cirurgia. Veja primeiro o que você pode fazer em casa e, depois, os tratamentos que o médico pode indicar.

8 dicas simples para o dia a dia

Pequenas mudanças ajudam a diminuir a pressão sobre o nervo e a controlar a dor.

1

Use uma almofada adequada

Prefira uma almofada com abertura no meio ou atrás, que tira a pressão do períneo.

2

Levante a cada 30 minutos

Faça pausas curtas para ficar em pé ou caminhar um pouco.

3

Evite superfícies duras

Bancos duros e selas de bicicleta podem piorar a dor. Evite até melhorar.

4

Cuide do intestino

Beba água, coma fibras e não faça força para evacuar. Apoiar os pés em um banquinho ajuda.

5

Use calor local

Um banho de assento morno ou uma compressa morna ajudam a relaxar os músculos.

6

Respire fundo e relaxe

Respire devagar, soltando a barriga. Isso diminui a tensão do assoalho pélvico.

7

Escolha roupas folgadas

Evite peças apertadas e costuras na região íntima.

8

Anote a sua dor

Registre horário, posição e atividade em que a dor piora. Leve esse diário para a consulta.

Essas dicas aliviam, mas não substituem a avaliação médica.

Tratamentos médicos, passo a passo

O médico escolhe as etapas conforme a sua dor, os seus exames e a sua resposta ao tratamento.

1

Fisioterapia do assoalho pélvico

Feita com profissional experiente em dor pélvica. O foco é relaxar e soltar os músculos, e não apenas fortalecê-los.

2

Medicações para dor de nervo

Alguns antidepressivos e anticonvulsivantes ajudam na dor neuropática. Use somente com prescrição médica.

3

Bloqueio do nervo pudendo

Injeção de anestésico, às vezes com corticoide, guiada por ultrassom ou tomografia. Ajuda a confirmar o diagnóstico e a aliviar a dor.

4

Radiofrequência pulsada

Procedimento com agulha que atua sobre o nervo para reduzir a dor, indicado em casos selecionados.

5

Neuroestimulador ou cirurgia

Quando a dor não melhora, o neuroestimulador envia pequenos pulsos elétricos que ajudam a bloquear o sinal de dor. Em casos bem selecionados, também existe a descompressão cirúrgica do nervo.

Segundo revisões recentes, medidas simples, remédios e bloqueios bastam para a maioria dos pacientes. Nenhum tratamento garante a cura, e a escolha depende do seu caso.

Qual médico procurar para tratar o nervo pudendo?

A neuralgia do pudendo pode ser avaliada por médicos de várias áreas, como neurologistas, médicos da dor, ginecologistas, urologistas e coloproctologistas. O neurocirurgião que atua em nervos periféricos, como o Dr. Thomas Marcolini, avalia o nervo, confirma o diagnóstico e discute as opções de tratamento, incluindo o neuroestimulador para dor, quando indicado.

Na hora de escolher o médico, vale:

  • Perguntar sobre a experiência dele com dor pélvica e nervos periféricos.
  • Confirmar que ele conhece o bloqueio do nervo pudendo e os critérios de Nantes.
  • Buscar uma equipe que trabalhe junto com fisioterapeuta especializado em assoalho pélvico.
  • Escolher alguém que escute você com calma. A boa relação médico-paciente faz diferença no tratamento.

Perguntas frequentes sobre neuralgia do pudendo

Neuralgia do pudendo tem cura?

Em muitos casos, a dor melhora bastante com o tratamento certo. A resposta varia de pessoa para pessoa e nenhum tratamento garante a cura. O objetivo é reduzir a dor e devolver qualidade de vida.

Por que a dor piora ao sentar?

Ao sentar, o peso do corpo pressiona a região da pelve por onde o nervo passa, perto de ossos e ligamentos. Por isso a dor tende a aumentar sentado e aliviar em pé ou deitado.

Homens e mulheres podem ter neuralgia do pudendo?

Sim. A condição pode afetar homens e mulheres adultos, em qualquer idade.

Quanto tempo leva para descobrir a causa da dor?

Como os sintomas se parecem com os de outras doenças da pelve, muitos pacientes demoram anos para chegar ao diagnóstico correto. Uma revisão de 2024 cita uma média de cerca de 5 anos. Por isso, procurar um médico que conheça o assunto faz diferença.

Preciso operar para tratar a neuralgia do pudendo?

Na maioria dos casos, não. Medidas simples, fisioterapia, remédios e bloqueios do nervo costumam ser as primeiras etapas. O neuroestimulador e a cirurgia ficam para os casos em que a dor não melhora.

Quando devo procurar um médico?

Quando a dor na pelve ou no períneo durar mais de algumas semanas, piorar ao sentar ou atrapalhar o seu dia a dia. Se houver perda de controle da urina ou das fezes, fraqueza nas pernas ou dormência entre as pernas, procure atendimento urgente.

O Dr. Thomas atende por teleconsulta?

Sim. O Dr. Thomas Marcolini atende presencialmente em Curitiba e em São Paulo e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

Fontes e referências

Este texto foi baseado em revisões científicas recentes localizadas no PubMed:

  1. Ahmed M, Zavridis P, Hadjiconstanti D, Zis P. The Diagnosis and Management of Pudendal Neuralgia. Pain Ther. 15(1):97-129. Publicado online em dezembro de 2025. doi:10.1007/s40122-025-00803-w
  2. Andiman SE, Maron JS, Dandolu V, et al. Impact of Treatment of Pudendal Neuralgia on Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis. Int Urogynecol J. 36(1):35-58. Publicado online em novembro de 2024. doi:10.1007/s00192-024-06004-x
  3. Duchonòvá T, Fučík T, Dvořák J, et al. Pudendal neuralgia and imaging methods. Ceska Gynekol. 2024;89(6):496-500. doi:10.48095/cccg2024496
  4. Bautrant É. Névralgies pudendales [Pudendal neuralgias]. Rev Prat. 2025;75(4):392-396. PubMed 40546147

Sobre o autor

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende presencialmente em Curitiba e São Paulo e por teleconsulta.

Paraná CRM/PR 33811
RQE/PR 26510
São Paulo CRM/SP 241641
RQE/SP 113003

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado. Não se automedique. Atualizado em outubro de 2026.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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