

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Tratamento da Lesão do Nervo Radial: Soluções com e sem Cirurgia

O que é a lesão do nervo radial?
O nervo radial é um dos principais nervos do braço. Ele nasce no ombro, passa por trás do osso do braço (o úmero) e chega até a mão. É ele que dá o comando para esticar o cotovelo, o punho e os dedos, e também leva a sensibilidade das costas da mão e do polegar.
Quando esse nervo é comprimido, esticado ou cortado, aparecem fraqueza, formigamento e a chamada “mão caída”. A boa notícia é que muitas lesões melhoram sozinhas e as que não melhoram têm tratamento. Neste guia você vai entender os sintomas, os exames, os tratamentos com e sem cirurgia e o que fazer no dia a dia.
- Sinal típico: dificuldade para levantar o punho e esticar os dedos (“mão caída”).
- Causas mais comuns: fratura do braço, pancadas e pressão prolongada sobre o nervo.
- Diagnóstico: exame físico, eletroneuromiografia e ultrassonografia do nervo.
- Tratamento: muitas lesões melhoram com acompanhamento, tala e fisioterapia. A cirurgia é indicada quando o nervo foi cortado ou não se recupera.
Dr. Thomas Marcolini
Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Cada caso é único e o resultado do tratamento varia de pessoa para pessoa.
Fontes consultadas (PubMed)
- Hegeman EM et al. Incidence and Management of Radial Nerve Palsies in Humeral Shaft Fractures: A Systematic Review. Cureus. 2020.
- Schwab TR et al. Radial nerve palsy in humeral shaft fractures with internal fixation: analysis of management and outcome. Eur J Trauma Emerg Surg. 2017.
- Cheah AE, Etcheson J, Yao J. Radial Nerve Tendon Transfers. Hand Clin. 2016.
- Patterson JMM et al. Radial Nerve Palsy: Nerve Transfer Versus Tendon Transfer to Restore Function. Hand (N Y). 2021.
- Garg V et al. Distal Nerve Transfer to Restore Wrist and Finger Extension: A Systematic Review. J Hand Surg Asian Pac Vol. 2022.
Quais são as causas mais comuns?
O nervo radial passa muito perto do osso do braço, por isso ele fica exposto a pancadas, fraturas e pressão. Veja as situações que mais machucam esse nervo:

Sintomas: como saber se o nervo radial foi lesionado?
Os sinais mudam conforme o local da lesão, mas os mais comuns são:
- Mão caída: dificuldade para levantar o punho, que fica “pendurado”.
- Dedos que não esticam: fica difícil abrir a mão, soltar objetos e esticar o polegar.
- Formigamento ou dormência: nas costas da mão, no polegar e no indicador.
- Fraqueza para segurar: copos e objetos caem com mais facilidade.
- Dor ou queimação: no braço, no cotovelo ou no antebraço, em alguns casos.
Notou um ou mais desses sinais? Procure avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções de tratamento você tem.
Como é feito o diagnóstico?
O médico começa perguntando o que aconteceu: queda, fratura, cirurgia, pressão no braço ou posição ao dormir. Depois, faz o exame físico: testa a força do punho, dos dedos e do polegar, a sensibilidade da pele e os reflexos. Em muitos casos, só esse exame já mostra onde o nervo foi atingido.
Os exames complementares ajudam a confirmar a lesão, medir a gravidade e decidir se você precisa de cirurgia.

Exames que podem ser pedidos
- Eletroneuromiografia: mede como o impulso elétrico passa pelo nervo e pelos músculos. Mostra se a lesão é leve ou grave. Costuma ser mais útil a partir de 3 a 4 semanas depois da lesão.
- Ultrassonografia do nervo: mostra se o nervo está inteiro, inchado, preso em cicatriz ou comprimido por osso ou material de fixação.
- Ressonância magnética: ajuda a ver tumores, cistos e o estado dos músculos.
- Radiografia: indicada quando houve fratura ou suspeita de problema no osso.
Dica: leve para a consulta todos os exames, laudos de cirurgia e radiografias. Isso evita exames repetidos e ajuda o médico a decidir mais rápido.
Tratamento sem cirurgia: quando esperar é o melhor caminho
Nas lesões por pressão, esticamento ou fratura fechada, o nervo costuma continuar “inteiro” por dentro e tende a se recuperar sozinho. Segundo uma revisão científica publicada na revista Cureus, cerca de 7 em cada 10 pessoas com fratura fechada do úmero recuperam o movimento em até 6 meses, sem precisar de cirurgia no nervo.
Por isso, o caminho mais comum é acompanhar com calma, proteger a mão e manter as articulações flexíveis enquanto o nervo se regenera. Em média, o nervo cresce cerca de 1 milímetro por dia.
O que costuma fazer parte do tratamento sem cirurgia
- Consultas de acompanhamento para testar força e sensibilidade a cada poucas semanas.
- Tala (órtese) de punho para manter a mão em boa posição.
- Fisioterapia para evitar rigidez e manter os músculos ativos.
- Controle da dor, quando houver.
- Eletroneuromiografia de controle, se a recuperação demorar.
Quando a cirurgia é necessária?
A cirurgia é considerada quando o nervo não tem condições de se recuperar sozinho. Isso pode acontecer nestas situações:
- O nervo foi cortado, por exemplo em um ferimento aberto.
- Não há sinais de melhora no tempo esperado, em geral entre 3 e 6 meses.
- A paralisia apareceu depois de uma cirurgia ou da colocação de placa no úmero, e o nervo pode estar preso ou lesionado.
- Existe um tumor ou cisto comprimindo o nervo.
Quanto mais cedo você for avaliado, mais opções existem. Veja as principais técnicas:
Fisioterapia e reabilitação
A fisioterapia faz parte do tratamento, com ou sem cirurgia. Enquanto o nervo se recupera, o objetivo é manter a mão flexível e os músculos prontos para voltar a funcionar.
O que a fisioterapia faz por você
- Mantém o movimento do punho e dos dedos, evitando rigidez.
- Fortalece os músculos que ainda funcionam.
- Treina o movimento nas tarefas do dia a dia, como segurar, escrever e se vestir.
- Ajuda a controlar a dor e o inchaço.
- Ensina a nova função dos tendões, quando é feita uma transferência de tendão.
O acompanhamento regular permite ajustar o plano conforme a sua evolução.
Exercícios para o nervo radial
Os exercícios abaixo são exemplos de movimentos suaves usados na reabilitação. Faça-os somente depois de ser liberado pelo seu médico ou fisioterapeuta. Em geral, usam-se de 8 a 10 repetições lentas, 2 a 3 vezes por dia, sem dor. O fisioterapeuta ajusta o plano para você.
1. Alongamento dos flexores do punho
Estique o braço com a palma voltada para cima. Com a outra mão, puxe os dedos suavemente para trás e segure por 15 a 20 segundos.

2. Extensão do punho com peso leve
Apoie o antebraço na mesa, com a palma para baixo e a mão para fora da borda. Segure um objeto leve e levante o punho devagar. Desça com controle. Se o punho ainda não sobe sozinho, peça orientação ao fisioterapeuta.

3. Giro do antebraço
Com o cotovelo dobrado e junto ao corpo, segure um objeto pequeno e gire o antebraço, alternando palma para cima (supinação) e palma para baixo (pronação).

4. Abrir e fechar a mão
Feche a mão devagar e, em seguida, abra os dedos esticando-os o máximo que conseguir. Repita com calma para melhorar a coordenação e a força.
Importante: faça os exercícios com orientação de um fisioterapeuta e pare se sentir dor forte.
Órteses e talas para o nervo radial
A tala segura o punho e os dedos em boa posição enquanto o nervo se recupera. Assim, o punho não fica “caído”, rígido ou torto, e você usa melhor a mão no dia a dia.
Para que serve a tala
- Mantém o punho em posição funcional, ajudando a segurar objetos.
- Evita rigidez e o encurtamento dos tendões.
- Facilita tarefas como segurar um copo, digitar ou escrever.
Tipos mais comuns
- Tala de extensão do punho: a mais usada, mantém o punho levantado.
- Órtese dinâmica: tem elásticos que ajudam a esticar os dedos.
- Tala de repouso: usada principalmente para dormir.
Peça a um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional para ajustar a tala. Tala apertada demais machuca e atrapalha a circulação.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação o quanto antes se você:
- teve fratura no braço, queda ou pancada e notou mão caída ou formigamento;
- percebeu fraqueza para levantar o punho ou esticar os dedos;
- tem dormência nas costas da mão que não passa;
- sente dor em queimação no braço ou no antebraço;
- teve um corte profundo no braço e perdeu o movimento da mão.
Resumo: o que fazer agora?
- Observe os sinais: mudanças na força, no movimento e na sensibilidade da mão.
- Procure um médico logo: o diagnóstico precoce amplia as opções.
- Proteja a mão: use a tala e mantenha dedos e punho flexíveis.
- Siga o acompanhamento: exames, fisioterapia e, se necessário, cirurgia.
Entender as opções é o primeiro passo para tratar a lesão do nervo radial com segurança.
Dr. Thomas Marcolini
Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Cada caso é único e o resultado do tratamento varia de pessoa para pessoa.
Fontes consultadas (PubMed)
- Hegeman EM et al. Incidence and Management of Radial Nerve Palsies in Humeral Shaft Fractures: A Systematic Review. Cureus. 2020.
- Schwab TR et al. Radial nerve palsy in humeral shaft fractures with internal fixation: analysis of management and outcome. Eur J Trauma Emerg Surg. 2017.
- Cheah AE, Etcheson J, Yao J. Radial Nerve Tendon Transfers. Hand Clin. 2016.
- Patterson JMM et al. Radial Nerve Palsy: Nerve Transfer Versus Tendon Transfer to Restore Function. Hand (N Y). 2021.
- Garg V et al. Distal Nerve Transfer to Restore Wrist and Finger Extension: A Systematic Review. J Hand Surg Asian Pac Vol. 2022.

