Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • April 14, 2025

Tratamento da Lesão do Nervo Radial: Soluções com e sem Cirurgia

Ilustração anatômica do nervo radial no braço e homem com tipoia, representando lesão do nervo radial e dificuldade de movimento no punho

O que é a lesão do nervo radial?

O nervo radial é um dos principais nervos do braço. Ele nasce no ombro, passa por trás do osso do braço (o úmero) e chega até a mão. É ele que dá o comando para esticar o cotovelo, o punho e os dedos, e também leva a sensibilidade das costas da mão e do polegar.

Quando esse nervo é comprimido, esticado ou cortado, aparecem fraqueza, formigamento e a chamada “mão caída”. A boa notícia é que muitas lesões melhoram sozinhas e as que não melhoram têm tratamento. Neste guia você vai entender os sintomas, os exames, os tratamentos com e sem cirurgia e o que fazer no dia a dia.

Resumo rápido
  • Sinal típico: dificuldade para levantar o punho e esticar os dedos (“mão caída”).
  • Causas mais comuns: fratura do braço, pancadas e pressão prolongada sobre o nervo.
  • Diagnóstico: exame físico, eletroneuromiografia e ultrassonografia do nervo.
  • Tratamento: muitas lesões melhoram com acompanhamento, tala e fisioterapia. A cirurgia é indicada quando o nervo foi cortado ou não se recupera.

Quais são as causas mais comuns?

O nervo radial passa muito perto do osso do braço, por isso ele fica exposto a pancadas, fraturas e pressão. Veja as situações que mais machucam esse nervo:

Paciente com dificuldade de estender o punho, sintoma de mão caída por lesão do nervo radial, e recuperação com sorriso após tratamento

Sintomas: como saber se o nervo radial foi lesionado?

Os sinais mudam conforme o local da lesão, mas os mais comuns são:

  • Mão caída: dificuldade para levantar o punho, que fica “pendurado”.
  • Dedos que não esticam: fica difícil abrir a mão, soltar objetos e esticar o polegar.
  • Formigamento ou dormência: nas costas da mão, no polegar e no indicador.
  • Fraqueza para segurar: copos e objetos caem com mais facilidade.
  • Dor ou queimação: no braço, no cotovelo ou no antebraço, em alguns casos.

Notou um ou mais desses sinais? Procure avaliação médica. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais opções de tratamento você tem.

Como é feito o diagnóstico?

O médico começa perguntando o que aconteceu: queda, fratura, cirurgia, pressão no braço ou posição ao dormir. Depois, faz o exame físico: testa a força do punho, dos dedos e do polegar, a sensibilidade da pele e os reflexos. Em muitos casos, só esse exame já mostra onde o nervo foi atingido.

Os exames complementares ajudam a confirmar a lesão, medir a gravidade e decidir se você precisa de cirurgia.

Exame de ultrassom do nervo radial no antebraço, procedimento diagnóstico para identificar lesão e compressão do nervo

Exames que podem ser pedidos

  • Eletroneuromiografia: mede como o impulso elétrico passa pelo nervo e pelos músculos. Mostra se a lesão é leve ou grave. Costuma ser mais útil a partir de 3 a 4 semanas depois da lesão.
  • Ultrassonografia do nervo: mostra se o nervo está inteiro, inchado, preso em cicatriz ou comprimido por osso ou material de fixação.
  • Ressonância magnética: ajuda a ver tumores, cistos e o estado dos músculos.
  • Radiografia: indicada quando houve fratura ou suspeita de problema no osso.

Dica: leve para a consulta todos os exames, laudos de cirurgia e radiografias. Isso evita exames repetidos e ajuda o médico a decidir mais rápido.

Tratamento sem cirurgia: quando esperar é o melhor caminho

Nas lesões por pressão, esticamento ou fratura fechada, o nervo costuma continuar “inteiro” por dentro e tende a se recuperar sozinho. Segundo uma revisão científica publicada na revista Cureus, cerca de 7 em cada 10 pessoas com fratura fechada do úmero recuperam o movimento em até 6 meses, sem precisar de cirurgia no nervo.

Por isso, o caminho mais comum é acompanhar com calma, proteger a mão e manter as articulações flexíveis enquanto o nervo se regenera. Em média, o nervo cresce cerca de 1 milímetro por dia.

O que costuma fazer parte do tratamento sem cirurgia

  • Consultas de acompanhamento para testar força e sensibilidade a cada poucas semanas.
  • Tala (órtese) de punho para manter a mão em boa posição.
  • Fisioterapia para evitar rigidez e manter os músculos ativos.
  • Controle da dor, quando houver.
  • Eletroneuromiografia de controle, se a recuperação demorar.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia é considerada quando o nervo não tem condições de se recuperar sozinho. Isso pode acontecer nestas situações:

  • O nervo foi cortado, por exemplo em um ferimento aberto.
  • Não há sinais de melhora no tempo esperado, em geral entre 3 e 6 meses.
  • A paralisia apareceu depois de uma cirurgia ou da colocação de placa no úmero, e o nervo pode estar preso ou lesionado.
  • Existe um tumor ou cisto comprimindo o nervo.

Quanto mais cedo você for avaliado, mais opções existem. Veja as principais técnicas:

Fisioterapia e reabilitação

A fisioterapia faz parte do tratamento, com ou sem cirurgia. Enquanto o nervo se recupera, o objetivo é manter a mão flexível e os músculos prontos para voltar a funcionar.

O que a fisioterapia faz por você

  • Mantém o movimento do punho e dos dedos, evitando rigidez.
  • Fortalece os músculos que ainda funcionam.
  • Treina o movimento nas tarefas do dia a dia, como segurar, escrever e se vestir.
  • Ajuda a controlar a dor e o inchaço.
  • Ensina a nova função dos tendões, quando é feita uma transferência de tendão.

O acompanhamento regular permite ajustar o plano conforme a sua evolução.

Você é de outra Cidade?

Exercícios para o nervo radial

Os exercícios abaixo são exemplos de movimentos suaves usados na reabilitação. Faça-os somente depois de ser liberado pelo seu médico ou fisioterapeuta. Em geral, usam-se de 8 a 10 repetições lentas, 2 a 3 vezes por dia, sem dor. O fisioterapeuta ajusta o plano para você.

1. Alongamento dos flexores do punho

Estique o braço com a palma voltada para cima. Com a outra mão, puxe os dedos suavemente para trás e segure por 15 a 20 segundos.

Homem esticando o braço com a palma para cima, puxando os dedos para trás, exercício de alongamento dos flexores para lesão do nervo radial

2. Extensão do punho com peso leve

Apoie o antebraço na mesa, com a palma para baixo e a mão para fora da borda. Segure um objeto leve e levante o punho devagar. Desça com controle. Se o punho ainda não sobe sozinho, peça orientação ao fisioterapeuta.

Mulher fazendo extensão de punho com halter leve, exercício de fortalecimento contra resistência para lesão do nervo radial

3. Giro do antebraço

Com o cotovelo dobrado e junto ao corpo, segure um objeto pequeno e gire o antebraço, alternando palma para cima (supinação) e palma para baixo (pronação).

Braço girando halter para alternar supinação e pronação do antebraço, exercício de mobilidade para lesão do nervo radial

4. Abrir e fechar a mão

Feche a mão devagar e, em seguida, abra os dedos esticando-os o máximo que conseguir. Repita com calma para melhorar a coordenação e a força.

Importante: faça os exercícios com orientação de um fisioterapeuta e pare se sentir dor forte.

Órteses e talas para o nervo radial

A tala segura o punho e os dedos em boa posição enquanto o nervo se recupera. Assim, o punho não fica “caído”, rígido ou torto, e você usa melhor a mão no dia a dia.

Para que serve a tala

  • Mantém o punho em posição funcional, ajudando a segurar objetos.
  • Evita rigidez e o encurtamento dos tendões.
  • Facilita tarefas como segurar um copo, digitar ou escrever.

Tipos mais comuns

  • Tala de extensão do punho: a mais usada, mantém o punho levantado.
  • Órtese dinâmica: tem elásticos que ajudam a esticar os dedos.
  • Tala de repouso: usada principalmente para dormir.

Peça a um fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional para ajustar a tala. Tala apertada demais machuca e atrapalha a circulação.

Como Funciona a teleconsulta?

Quando procurar um médico?

Procure avaliação o quanto antes se você:

  • teve fratura no braço, queda ou pancada e notou mão caída ou formigamento;
  • percebeu fraqueza para levantar o punho ou esticar os dedos;
  • tem dormência nas costas da mão que não passa;
  • sente dor em queimação no braço ou no antebraço;
  • teve um corte profundo no braço e perdeu o movimento da mão.

Resumo: o que fazer agora?

  • Observe os sinais: mudanças na força, no movimento e na sensibilidade da mão.
  • Procure um médico logo: o diagnóstico precoce amplia as opções.
  • Proteja a mão: use a tala e mantenha dedos e punho flexíveis.
  • Siga o acompanhamento: exames, fisioterapia e, se necessário, cirurgia.

Entender as opções é o primeiro passo para tratar a lesão do nervo radial com segurança.

Dr. Thomas Marcolini durante cirurgia de nervo radial, neurocirurgião especialista em nervos periféricos

Perguntas frequentes sobre a lesão do nervo radial

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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