Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • February 24, 2023
Guia prático · Saúde dos nervos

Parestesia: o que é, causas, sintomas e quando procurar um médico

Formigamento, dormência, “agulhadas” ou queimação sem motivo aparente? Isso tem nome: parestesia. Quase todo mundo já sentiu quando ficou com a perna “dormente” depois de sentar mal. Na maioria das vezes passa sozinha, mas, quando volta sempre ou não melhora, pode ser um aviso de que um nervo está sendo comprimido ou lesionado.

Neste guia, em linguagem simples, você vai entender as causas, aprender o que fazer na hora e saber quando é hora de procurar um médico.

Por Dr. Thomas Marcolini · Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510  |  CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003  |  Atualizado em outubro de 2026

Médico usa modelo anatômico da perna para explicar à paciente como os nervos funcionam

O que é parestesia?

Parestesia é o nome médico para sensações estranhas na pele, como formigamento, dormência, queimação e “agulhadas”, que aparecem sem nenhum estímulo externo. Em outras palavras: o corpo “sente” algo que não está acontecendo.

Isso acontece porque os nervos, que levam as informações do corpo até o cérebro, passam a enviar sinais errados quando são pressionados, esticados, irritados ou lesionados. Por isso a parestesia é muito comum nas mãos, nos braços, nas pernas e nos pés.

Passageira

Some sozinha

Dura segundos ou minutos e passa ao mudar de posição, como quando você cruza as pernas e o pé “dorme”. Costuma ser inofensiva.

Persistente

Merece atenção

Dura dias, volta com frequência ou piora com o tempo. Nesse caso, vale investigar a causa com um médico.

No vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica o que pode causar formigamento e dormência nas mãos.

Mãos de um profissional segurando a palma da mão de um paciente para avaliar a sensibilidade

Como a parestesia aparece? Principais sintomas

Cada pessoa descreve de um jeito. Veja as sensações mais comuns e como costumam ser relatadas:

Formigamento

Parece que há “formiguinhas” andando sob a pele. É o sintoma mais comum, geralmente em mãos, pés e rosto.

Dormência

A região fica “adormecida”, com menos sensibilidade ao toque, ao frio ou à dor.

Agulhadas e alfinetadas

Pequenas picadas na pele, muito típicas quando o braço ou a perna “acorda” depois de ficar dormente.

Queimação

Sensação de calor ou ardência, mesmo sem ferida e sem contato com algo quente.

Choques

Descargas rápidas, como um choque elétrico, que podem descer pelo braço ou pela perna.

Coceira sem lesão

Vontade de coçar sem alergia ou marcas na pele, às vezes junto com o formigamento.

Dica útil: observe onde a sensação aparece. Se afeta só alguns dedos ou só um lado do corpo, esse padrão ajuda o médico a descobrir qual nervo está envolvido.

Quais são as causas da parestesia?

As causas variam bastante. Para facilitar, separamos em dois grupos: as passageiras, que são as mais comuns, e as persistentes, que pedem investigação médica.

Mais comuns

Causas passageiras

  • Pressão sobre o nervo: cruzar as pernas, dormir sobre o braço ou apoiar o cotovelo por muito tempo.
  • Respiração acelerada (hiperventilação): comum em crises de ansiedade, causa formigamento nas mãos, nos pés e ao redor da boca.
  • Frio intenso: reduz a circulação e “adormece” os dedos das mãos e dos pés.
  • Pressão sobre veia ou artéria: o braço pode ficar arroxeado ou azulado. Mude de posição; se a cor não voltar ao normal, procure atendimento.
Pedem investigação

Causas persistentes

  • Compressão de nervos: síndrome do túnel do carpo (mão), túnel cubital (cotovelo), neuroma de Morton (pé) e hérnia de disco (coluna).
  • Diabetes: a neuropatia diabética costuma causar formigamento nos pés e nas mãos.
  • Falta de vitaminas: deficiência de B12, B6 ou ácido fólico altera o funcionamento dos nervos.
  • Lesões nos nervos: depois de traumas, fraturas ou cirurgias.
  • Doenças neurológicas: como esclerose múltipla e síndrome de Guillain-Barré.
  • Outras causas: excesso de álcool, alguns medicamentos e, mais raramente, tumores de nervos.

O que fazer na hora? 7 dicas simples

Quando a parestesia aparece de repente, estas atitudes costumam ajudar. Elas não substituem a avaliação médica, mas podem aliviar o desconforto:

1

Mude de posição

Descruze as pernas, tire o peso de cima do braço ou do pé e deixe o membro solto. Muitas vezes isso já resolve.

2

Mexa devagar

Movimente dedos, punhos ou tornozelos e faça alongamentos leves. Se o pé estiver dormente, apoie-se antes de andar para evitar quedas.

3

Respire com calma

Se o formigamento surge nas mãos ou no rosto junto com ansiedade, respire devagar pelo nariz e solte o ar pela boca por alguns minutos.

4

Faça pausas no trabalho

Mantenha os punhos retos no teclado e no mouse, apoie os cotovelos e levante-se a cada hora para se alongar.

5

Cuide do sono

Evite dormir sobre o braço ou com o pescoço dobrado. Escolha um travesseiro que mantenha o pescoço alinhado.

6

Cuide da saúde geral

Controle o açúcar no sangue, se você tem diabetes, mantenha uma alimentação variada, pratique atividade física e evite excesso de álcool.

7

Anote os sintomas

Registre onde aparece, quanto dura e o que piora ou melhora. Essas informações ajudam muito na consulta.

Atenção: evite tomar vitaminas ou remédios por conta própria. A dose certa depende de exames, e o excesso de algumas vitaminas, como a B6, pode causar justamente o problema que você quer tratar.

Quando procurar um médico?

Na maioria das vezes a parestesia é passageira. Mas alguns sinais pedem atenção, e outros, pressa.

Procure um pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU) se houver:

  • Formigamento ou dormência de início súbito em um lado do rosto ou do corpo.
  • Dificuldade para falar, enxergar ou andar, confusão ou dor de cabeça muito forte.
  • Perda de força repentina em um braço ou em uma perna.
  • Perda de controle da urina ou das fezes, ou dormência na região da virilha e do bumbum com fraqueza nas pernas.
  • Parestesia logo depois de uma pancada ou de um acidente.

Marque uma consulta se:

  • A parestesia dura mais de alguns dias ou volta com frequência.
  • Ela acorda você durante a noite.
  • Vem junto com dor, fraqueza ou dificuldade para segurar objetos.
  • Você tem diabetes ou outra doença crônica.
  • Atrapalha o trabalho, o sono ou as atividades do dia a dia.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

O tratamento depende da causa. Não existe um remédio único para parestesia: primeiro é preciso descobrir por que o nervo está reagindo dessa forma.

1

Consulta

O médico pergunta onde e quando o sintoma aparece, examina a sensibilidade, a força e os reflexos e avalia seus hábitos e suas doenças.

2

Exames

Quando necessário, podem ser pedidos exames de sangue (como glicose e vitamina B12), eletroneuromiografia, ultrassom de nervos ou ressonância magnética.

3

Tratamento

Pode incluir ajuste de hábitos, tratamento da causa (como controle do diabetes), fisioterapia, medicamentos prescritos por médico e, em casos selecionados de nervo comprimido que não melhora, cirurgia.

O neurocirurgião que atua em nervos periféricos avalia principalmente os casos em que há suspeita de compressão ou lesão de um nervo, como síndrome do túnel do carpo, túnel cubital e neuroma de Morton.

Perguntas frequentes sobre parestesia

A parestesia é sempre sinal de doença grave?

Não. A parestesia passageira é comum e costuma acontecer por pressão sobre um nervo, como ao cruzar as pernas. Mas, se ela persiste, volta com frequência ou vem com fraqueza e dor, é importante consultar um médico.

Qual a diferença entre parestesia e dormência?

A dormência é uma das formas de parestesia. A parestesia é o termo mais amplo e inclui também formigamento, queimação, agulhadas, choques e coceira sem lesão na pele.

Ansiedade pode causar parestesia?

Sim. Na crise de ansiedade, a respiração acelerada (hiperventilação) pode causar formigamento nas mãos, nos pés e ao redor da boca. Se os sintomas se repetem ou persistem, vale investigar outras causas.

Posso tomar vitaminas por conta própria?

Não é recomendado. A necessidade e a dose dependem de exames de sangue, e o excesso de algumas vitaminas, como a B6, pode causar problemas nos nervos.

A parestesia passa sozinha?

A parestesia passageira costuma passar em segundos ou minutos ao mudar de posição. A persistente depende da causa e, por isso, precisa ser avaliada.

É possível prevenir a parestesia?

Em parte. Evitar posições que comprimem os nervos, fazer pausas no trabalho, controlar doenças como diabetes e manter hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco.

A parestesia é contagiosa?

Não. Ela é um sintoma ligado aos nervos e não é causada por contato com outra pessoa.

Qual médico devo procurar?

Você pode começar com um clínico geral ou neurologista. Quando há suspeita de compressão ou lesão de um nervo periférico, a avaliação de um neurocirurgião que atua em nervos periféricos pode ser indicada.

Resumo: o que você precisa lembrar

  • Parestesia é a sensação de formigamento, dormência, queimação ou agulhadas sem causa externa.
  • Na maioria das vezes é passageira e some ao mudar de posição.
  • Se dura dias, volta sempre ou vem com dor e fraqueza, procure um médico.
  • Não se automedique: o tratamento depende da causa.

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos

CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

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Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Não use essas informações para diagnosticar ou tratar a si mesmo. Em caso de sintomas, procure atendimento.

Fontes: Cleveland Clinic – Paresthesia · NINDS/BrainFacts – Paresthesia

Dr. Thomas Marcolini palestrando sobre nervos periféricos no Congresso Latino-americano de Neurocirurgia em Miami

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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