Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • August 31, 2025

Dor neuropática: dicas simples para aliviar queimação, choques e formigamento

Queimação, choques e formigamento que não passam podem ser sinais de dor neuropática. Neste guia, o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, explica o que é essa dor, mostra dicas simples para o dia a dia e conta quando é hora de procurar ajuda médica.

Texto do Dr. Thomas Marcolini · CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 · CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

No vídeo, o Dr. Thomas Marcolini mostra estratégias simples para aliviar a queimação e o formigamento.

Em resumo

  • Dor neuropática vem de um nervo que não está funcionando bem. Por isso ela queima, dá choque e formiga.
  • Cuidados simples no dia a dia ajudam a reduzir as crises, mas não substituem o tratamento.
  • Dor forte, que dura semanas ou vem com fraqueza, merece avaliação médica.
  • Existem tratamentos com remédios e, em casos selecionados, cirurgia e neuroestimulação.

O que é dor neuropática?

Dor neuropática é a dor causada por uma lesão ou por um mau funcionamento dos nervos. Ela é diferente de uma dor comum, como a de uma batida ou de um músculo cansado: aqui, o próprio nervo envia sinais de dor ao cérebro, mesmo quando nada está machucando naquele momento.

Ela pode surgir por vários motivos, como diabetes, nervo comprimido (no túnel do carpo ou na coluna, por exemplo), traumas e cirurgias, herpes-zóster (cobreiro), AVC e quimioterapia. Em alguns casos, a causa não é encontrada. Descobrir a origem é o primeiro passo para tratar bem.

Sintomas mais comuns da dor neuropática

Cada pessoa sente de um jeito. Estes são os sinais que mais aparecem:

Queimação

Sensação de ardência, como se a pele estivesse pegando fogo, mesmo sem calor por perto.

Choques

Descargas elétricas curtas e intensas, que aparecem de repente e passam rápido.

Formigamento

Sensação de agulhadas, "pinicadas" ou dormência, sem motivo aparente.

Toque que dói

Um simples roçar da roupa ou do lençol pode causar muita dor.

Aperto ou esmagamento

Sensação de que o braço, a perna ou o pé está sendo apertado ou espremido.

Atrapalha o dia a dia

Dor que tira o sono e dificulta tarefas simples, como abotoar a camisa ou segurar um copo.

Se você se reconhece nesses sinais, anote quando eles acontecem. Isso ajuda muito na consulta.

Dicas simples para aliviar a dor no dia a dia

Estas dicas ajudam no bem-estar e podem diminuir a frequência e a intensidade das crises. Elas fazem parte do cuidado, mas não substituem o tratamento indicado pelo seu médico, principalmente quando a dor está forte.

1

Respire e relaxe

Estresse e ansiedade costumam piorar a dor. Reserve alguns minutos por dia para respirar devagar: puxe o ar pelo nariz contando até 4 e solte pela boca contando até 6. Meditação guiada também ajuda.

2

Apoie bem a área dolorida

Use almofadas macias para apoiar pés, pernas ou braços e tirar a pressão do nervo. Prefira roupas, meias e sapatos leves, sem costuras apertadas.

3

Alongue com suavidade

Alongamentos leves todos os dias melhoram a circulação e diminuem a rigidez. Vá devagar e pare se a dor piorar.

4

Cuidado com calor e gelo

Em áreas com pouca sensibilidade, calor e gelo podem queimar a pele sem você perceber. Teste a temperatura com outra parte do corpo e proteja a pele com um pano.

5

Use cremes com cuidado

Cremes com capsaicina podem ajudar e, no começo, costumam arder um pouco. Passe uma camada fina, lave bem as mãos e evite olhos e feridas. Cremes caseiros, como o de canela-de-velho, são populares, mas têm pouca comprovação científica: converse com seu médico e teste antes numa área pequena.

6

Durma bem e se movimente

Dormir bem e fazer atividade leve, como caminhada, ajudam o corpo a lidar melhor com a dor. Escolha o que for confortável e aumente aos poucos.

7

Cuide da causa

Se você tem diabetes, manter a glicose controlada é uma das melhores formas de proteger os nervos. Evite também álcool e cigarro, que prejudicam os nervos.

Alimentação e dor neuropática

Não existe uma dieta que cure a dor neuropática, mas comer bem ajuda a proteger os nervos e a controlar doenças que podem causá-la, como o diabetes. O mais importante é manter uma alimentação equilibrada, com comida de verdade e poucos ultraprocessados.

Prefira

  • Peixes como salmão e sardinha
  • Folhas verde-escuras, como couve e espinafre
  • Frutas variadas, como frutas vermelhas, laranja e kiwi
  • Nozes, castanhas e azeite de oliva
  • Feijão, ovos e carnes magras, que trazem vitaminas do complexo B

Reduza

  • Açúcar e doces
  • Frituras e alimentos ultraprocessados
  • Bebidas alcoólicas
  • Excesso de cafeína, que pode piorar o sono e a ansiedade
  • Excesso de sal e de gorduras

Atenção com as vitaminas

As vitaminas do complexo B (B1, B6 e B12) são importantes para os nervos, mas tomar por conta própria pode ser um erro: o excesso de vitamina B6, por exemplo, pode lesar os nervos. Faça exames e só use suplementos com orientação médica.

Quando procurar um médico

Nem toda dor neuropática passa sozinha. Quando ela dura semanas, costuma precisar de investigação. Quanto antes o nervo é avaliado, melhores são as chances de controlar a dor e de evitar perda de força.

Marque uma consulta se...

Procure um médico em alguns dias ou semanas quando:

  • a dor é forte e não melhora em algumas semanas com os cuidados em casa;
  • a dor atrapalha seu sono, seu trabalho ou seu humor;
  • o formigamento ou a dormência só aumentam;
  • você sente fraqueza, deixa objetos caírem ou tem dificuldade para andar;
  • a dor começou depois de trauma, cirurgia, herpes-zóster ou AVC;
  • os remédios que você usa perderam o efeito ou causam efeitos ruins.

Procure o pronto-socorro se...

Vá para um atendimento de urgência (ou ligue 192) quando houver:

  • fraqueza súbita em um lado do corpo, rosto torto ou dificuldade para falar;
  • perda de força nas pernas com dificuldade para controlar a urina ou as fezes;
  • dor muito forte e repentina após uma queda ou pancada.

Tratamentos quando a dor não melhora

Se os cuidados do dia a dia não bastam, existem tratamentos com boa base científica. O melhor caminho depende da causa da dor, da sua saúde e da sua rotina, e só pode ser definido em consulta. Veja as três principais frentes:

Opção 1

Remédios para dor neuropática

O tratamento começa, em geral, com remédios específicos para dor neuropática, como alguns anticonvulsivantes e antidepressivos usados em doses próprias para dor. Eles agem no jeito como o nervo transmite a dor, e não apenas "anestesiam".

O efeito costuma aparecer em algumas semanas, e a dose é ajustada aos poucos. Em alguns casos, bloqueios anestésicos e infiltrações ajudam a controlar as crises.

Importante: analgésicos comuns e anti-inflamatórios costumam ajudar pouco nesse tipo de dor. Não tome remédios por conta própria: a escolha depende da causa e da sua saúde.

Opção 2

Cirurgia de nervo

Quando a dor vem de um nervo comprimido, preso em cicatriz ou lesionado, uma cirurgia pode aliviar a pressão ou reparar o nervo. Um exemplo é a liberação do nervo no túnel do carpo.

A indicação vem depois do exame físico e, quando necessário, de exames como eletroneuromiografia, ultrassom ou ressonância.

Importante: nem todo caso precisa de cirurgia. Muitas vezes o melhor caminho é começar pelo tratamento clínico.

Opção 3

Neuroestimulação

Em casos selecionados, de dor intensa que não respondeu aos outros tratamentos, é possível implantar um eletrodo que envia estímulos elétricos leves ao sistema nervoso e ajuda a diminuir a dor. Antes do implante, costuma haver um período de teste para ver se o método funciona para você.

Uma revisão de estudos de 2025 encontrou evidência de qualidade moderada para a estimulação de nervos periféricos em dor crônica, mas faltam estudos de alta qualidade.

Importante: o resultado varia de pessoa para pessoa e existem riscos, como infecção e deslocamento do eletrodo. Só uma consulta define se você é candidato.

Perguntas frequentes sobre dor neuropática

Dor neuropática tem cura?

Depende da causa. Quando ela vem de um nervo comprimido, por exemplo, tratar a compressão pode resolver a dor. Em outras situações, o objetivo é controlar a dor e devolver qualidade de vida, com remédios, reabilitação e, em casos selecionados, cirurgia ou neuroestimulação.

Qual remédio alivia a dor neuropática?

Os mais usados são alguns anticonvulsivantes e antidepressivos em doses próprias para dor. A escolha depende da causa, da idade e de outras doenças, por isso deve ser feita pelo médico. Analgésicos comuns costumam ajudar pouco.

Existe alívio imediato para a crise de dor neuropática?

Medidas simples, como apoiar a região, respirar devagar e evitar calor ou gelo diretamente na pele, podem ajudar na hora. Mas crises frequentes são sinal de que o tratamento precisa ser ajustado.

Qual médico trata dor neuropática?

Neurologistas e médicos da dor fazem o tratamento clínico. Quando a dor vem de um nervo comprimido ou lesionado, o neurocirurgião que atua em nervos periféricos avalia se há indicação de cirurgia ou de neuroestimulação.

Vitamina B ajuda na dor neuropática?

Ajuda quando existe deficiência, como pode acontecer com a vitamina B12. Tomar por conta própria não é indicado: o excesso de vitamina B6, por exemplo, pode lesar os nervos.

Como se preparar para a consulta

Chegar com as informações organizadas ajuda o médico a descobrir a causa da sua dor. Antes da consulta, anote:

  • onde dói, desde quando e se começou após algum evento (trauma, cirurgia, doença);
  • como é a dor (queimação, choque, formigamento) e quanto ela dói, de 0 a 10;
  • o que piora e o que melhora a dor, e como ela afeta seu sono e seu trabalho;
  • quais remédios e tratamentos você já usou, e se ajudaram;
  • exames e laudos que você já tem, como eletroneuromiografia, ultrassom e ressonância.


Aviso importante

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. As dicas ajudam no bem-estar, mas não tratam a causa da dor. Não use remédios ou suplementos por conta própria, e não há garantia de resultado com nenhum tratamento.

Referências:

Finnerup NB, Attal N, Haroutounian S, et al. Pharmacotherapy for neuropathic pain in adults: a systematic review and meta-analysis. Lancet Neurol. 2015;14(2):162-73.

Dor neuropática que não está melhorando. A mão queima muito.

Dor neuropática que não melhora

Se a dor for intensa e não melhorar com cuidados caseiros, procure um médico o mais breve possível. Todas as medidas e orientações passadas aqui não substituem uma consulta médica, ok?

Mulher com dor neuropática pélvica precisa de ajuda de médico especialista.

Precisa de medicação?

Antidepressivos, anticonvulsivantes e analgésicos potentes podem ser prescritos, mas nem sempre são suficientes. Deve-se realizar em conjunto com medidas no dia a dia e fisioterapia!

Dr. Thomas Marcolini médico especialista em implante de eletrodo para tratamento da dor neuropática.

Cirurgia para Dor neuropática

Em casos específicos, o implante de neuroestimulador oferece alívio significativo, modulando os sinais de dor nos nervos. Para isso busque ajuda de um especialista em nervos periféricos. A melhor esperada e descrita por artigos científicos gira em torno de 40-90%.

Conheça o Dr. Thomas Marcolini

Dr. Thomas Marcolini com paciente após cirurgia de plexo braquial, recuperação da dor neuropática no braço

Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião e atua em nervos periféricos, cuidando de dores e lesões de nervos, como compressões, traumas e dor neuropática.

Atende em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, em português, inglês e espanhol.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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