

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Dr. Thomas Marcolini — Neurocirurgião Especialista em Pé Equino
O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião com dedicação exclusiva a nervos periféricos, com Fellowship em Cirurgia de Nervos Periféricos pela Universidade de Buenos Aires. Já realizou mais de 3.000 cirurgias e atende em Curitiba e São Paulo. Já operou mais de 300 pacientes com dificuldade para levantar o pé, seja por pé caído ou pé equino.
Atendo com frequência pacientes com pé equino após AVC, após internação prolongada em UTI e após lesões de coluna. Recentemente tratei uma paciente jovem com esclerose múltipla que teve uma crise que afetou o pé esquerdo — ela não conseguia mais andar direito, e a deformidade era tão importante que a órtese nem encaixava mais no pé. Fizemos um alongamento do tendão de Aquiles associado a uma transferência de tendão. Ela ainda tem rigidez por causa da doença de base, mas hoje caminha muito melhor, com a deformidade corrigida, sem a dor que tinha antes, e se sente muito mais segura ao andar. Ela já tinha três anos de evolução do pé equino quando chegou até mim, e vinha sendo tratada de forma equivocada com fortalecimento da panturrilha — uma conduta que, nesse tipo de quadro, só reforça o encurtamento em vez de corrigi-lo. Mesmo com esse tempo de evolução, o resultado foi bom depois da cirurgia correta.
O que é pé equino?
Pé equino é a deformidade em que o pé fica preso para baixo, com a ponta apontando para o chão, sem conseguir fazer o movimento de dorsiflexão (levantar a ponta do pé). Isso obriga o paciente a caminhar na ponta dos dedos ou a compensar jogando o quadril e o joelho para cima a cada passo.
Qual a diferença entre pé equino e pé caído?
A diferença está na causa e na rigidez da deformidade. No pé caído, o problema é a fraqueza dos músculos que levantam o pé — geralmente por lesão do nervo fibular —, mas o pé costuma ser flexível e responde bem a órteses. No pé equino, o tendão de Aquiles e a musculatura da panturrilha ficam encurtados ou espásticos, tornando a deformidade fixa ou de difícil correção passiva, o que exige abordagens específicas, incluindo alongamento cirúrgico do tendão. Se você não sabe qual dos dois quadros você tem, vale a pena também conhecer nossa página sobre pé caído para entender a diferença na prática antes da consulta.
Na minha experiência, apesar de parecerem problemas semelhantes, o pé caído tem uma única causa a resolver: a fraqueza para levantar o pé. Já no pé equino o desafio é maior, porque o pé fica forte demais puxando para baixo, e ainda há rigidez e espasticidade em toda a perna — não só no pé. Por isso considero o pé equino um quadro mais desafiador de tratar.
Quais são os sintomas do pé equino?
Os sintomas do pé equino aparecem principalmente na forma de caminhar e podem piorar com o tempo se não forem tratados. Os mais comuns incluem:
- Marcha na ponta do pé, sem apoiar o calcanhar no chão
- Encurtamento do tendão de Aquiles
- Dor no antepé pelo excesso de carga na ponta do pé
- Calosidades na sola ou nos dedos
- Instabilidade e quedas frequentes
- Dificuldade para calçar sapatos comuns
- Desgaste precoce de joelho e quadril pela compensação da marcha
Quais as causas do pé equino?
Causas neurológicas
AVC, traumatismo cranioencefálico (TCE), paralisia cerebral, lesão medular e espasticidade são causas neurológicas comuns de pé equino. Nesses casos, o cérebro ou a medula perdem parte do controle sobre a musculatura da perna, gerando contração excessiva e encurtamento progressivo do tendão de Aquiles.
Causas por lesão de nervo periférico
Lesões dos nervos fibular ou tibial, sejam traumáticas ou por compressão prolongada, também podem levar ao pé equino, especialmente quando a deformidade evolui sem tratamento por muito tempo.
Causas ortopédicas e por imobilização prolongada
Internação prolongada em UTI, uso de gesso por tempo excessivo e contraturas musculares por imobilização também podem causar encurtamento do tendão de Aquiles e resultar em pé equino, mesmo sem uma lesão neurológica direta.
Como é feito o diagnóstico do pé equino?
O diagnóstico do pé equino começa com exame clínico detalhado, incluindo o teste de Silfverskiöld, que ajuda a diferenciar se o encurtamento está no tendão de Aquiles ou no músculo gastrocnêmio. Também podem ser solicitados eletroneuromiografia, ultrassom ou ressonância magnética de nervo, análise computadorizada da marcha e, em alguns casos, um bloqueio diagnóstico para entender melhor a origem da espasticidade.
Tratamentos para pé equino
A conduta para o pé equino depende da causa, do tempo de evolução, da idade do paciente e principalmente de a deformidade ser redutível (ainda flexível) ou fixa. Por isso a avaliação individual é essencial antes de definir o tratamento.
Tratamento não cirúrgico
Quando a deformidade ainda é flexível, o tratamento pode incluir fisioterapia com alongamento muscular, uso de órtese tornozelo-pé (AFO/OTP), gesso seriado para alongamento progressivo e aplicação de toxina botulínica para reduzir a espasticidade.
Tratamento cirúrgico
Quando a deformidade já está fixa ou o tratamento conservador não é suficiente, a cirurgia pode devolver o movimento e a função do pé.
Neurotomia seletiva do nervo tibial
Procedimento que reduz a espasticidade ao interromper seletivamente parte dos ramos nervosos responsáveis pelo excesso de contração muscular, preservando a função motora útil.
Alongamento do tendão de Aquiles / recessão gastrocnêmica
Alonga cirurgicamente o tendão ou o músculo encurtado, permitindo que o pé volte a fazer o movimento de dorsiflexão e apoie o calcanhar no chão novamente.
Transferências tendíneas
Transfere um tendão funcionante para substituir a ação de um músculo enfraquecido ou desequilibrado, ajudando a corrigir a deformidade e a estabilizar o pé durante a marcha.
Cirurgia de nervo (descompressão/reconstrução)
Quando há uma lesão de nervo periférico associada ao quadro, a descompressão ou reconstrução do nervo pode ser indicada junto com os demais procedimentos, buscando recuperar o máximo de função possível.
Benefícios do tratamento cirúrgico do pé equino
O principal benefício da cirurgia de pé equino é a melhora do apoio plantar e da marcha, o que reflete diretamente na segurança para caminhar, na facilidade de usar órteses e calçados, na higiene do pé e na redução de dor e de quedas. É importante deixar claro que a recuperação varia entre pacientes: nem todo mundo recupera o movimento da mesma forma, e o resultado depende da causa e da condição de base de cada um.
Como é a recuperação após a cirurgia de pé equino?
Após a cirurgia, o pé costuma ser imobilizado com tala ou gesso por cerca de quatro a seis semanas, período em que o paciente deve evitar apoiar peso na perna operada e caminhar com o auxílio de muletas. Assim que a imobilização é retirada, a fisioterapia é iniciada para reeducar a marcha e fortalecer a musculatura, com evolução progressiva ao longo dos meses seguintes.
O que oferecemos no tratamento do pé equino
Contamos com uma equipe dedicada exclusivamente a nervos periféricos, unindo diagnóstico preciso, técnica cirúrgica especializada e acompanhamento no pós-operatório, para que cada paciente tenha o suporte necessário do início ao fim do tratamento.
Perguntas frequentes sobre pé equino
Pé equino tem cura?
Muitos casos de pé equino têm melhora significativa com tratamento adequado, seja conservador ou cirúrgico. O resultado depende da causa e do tempo de evolução da deformidade, e por isso não se pode falar em garantia de cura completa para todos os casos.
Qual a diferença entre pé equino e pé caído?
O pé caído costuma ser uma deformidade flexível causada por fraqueza muscular, enquanto o pé equino envolve encurtamento ou espasticidade do tendão de Aquiles, tornando-se fixo com mais frequência.
Criança com pé equino precisa operar?
Nem sempre. Muitas crianças respondem bem a gesso seriado, órteses e fisioterapia. A cirurgia costuma ser considerada quando o tratamento conservador não corrige a deformidade ou quando ela é muito rígida.
Pé equino por AVC tem tratamento?
Sim. Pacientes com pé equino após AVC podem se beneficiar de toxina botulínica, órteses, fisioterapia e, em casos selecionados, de neurotomia seletiva ou cirurgia de alongamento tendíneo.
Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia?
De forma geral, a imobilização dura cerca de quatro a seis semanas, seguida de fisioterapia por alguns meses. O tempo total de recuperação varia de paciente para paciente.
A toxina botulínica resolve o pé equino?
A toxina botulínica ajuda a reduzir a espasticidade e pode melhorar bastante o quadro, mas seu efeito é temporário e geralmente é usada em conjunto com fisioterapia, órteses ou, quando necessário, cirurgia.
"O mais importante para mim é devolver ao paciente a segurança de colocar o pé no chão e caminhar sem medo de cair. Cada caso de pé equino é diferente, e é por isso que a avaliação individual faz toda a diferença no resultado. Se você ou alguém da sua família está passando por isso, ficarei feliz em ajudar." — Dr. Thomas Marcolini
Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma consulta médica presencial.

