Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Thomas Marcolini • September 21, 2022

Quanto tempo dura a parestesia lingual após tirar o siso?

Mulher se olhando no espelho com a língua para fora, testando a sensibilidade após parestesia do nervo lingual

Quanto tempo dura a parestesia lingual?

Parestesia lingual é a alteração da sensibilidade da língua causada por uma lesão no nervo lingual. Ela aparece como dormência, formigamento, queimação ou choques. A causa mais comum é a retirada do dente do siso (terceiro molar inferior), porque esse nervo passa muito perto do dente.

O nervo lingual cuida só da sensibilidade (tato, dor e temperatura) de uma parte da língua, da gengiva e do assoalho da boca. Por isso, você continua mexendo a língua normalmente. O que muda é a sensação. O paladar da região também pode ficar alterado, porque as fibras do gosto viajam junto com esse nervo.

E quanto tempo dura? Não existe um prazo igual para todos. Na maioria dos casos a melhora começa nas primeiras semanas ou meses, e a maior parte da recuperação acontece nos primeiros 6 meses. Em alguns casos o nervo precisa de mais tempo e, em poucos, os sintomas permanecem. Veja a linha do tempo logo abaixo.

Resposta rápida Na maioria dos casos a sensibilidade melhora aos poucos, e a maior parte da recuperação acontece nos primeiros 6 meses. Se não houver melhora entre 3 e 6 meses, procure um neurocirurgião que atua em nervos periféricos.

Linha do tempo da recuperação

  1. 1
    Primeiros dias A dormência é comum. Queimação, formigamento e choques podem aparecer ou ficar mais fortes nesse período.
  2. 2
    Até 1 mês Os sintomas costumam se estabilizar. Nas lesões leves, a melhora pode começar.
  3. 3
    De 1 a 3 meses Melhora gradual. É a fase de anotar os sintomas e fazer reavaliações com seu médico.
  4. 4
    De 3 a 6 meses Período em que acontece a maior parte da recuperação. Se não houver melhora, procure avaliação com um especialista.
  5. 5
    Depois de 6 meses Se os sintomas continuam, vale discutir exames e, se for o caso, cirurgia. Os resultados costumam ser melhores até cerca de 9 meses após a lesão.

Estimativas baseadas em estudos científicos e na prática clínica. Cada nervo se recupera no seu ritmo, e os prazos não são uma promessa de resultado.

Quais são os sintomas da lesão do nervo lingual?

Cada pessoa sente de um jeito, e a intensidade depende do tamanho da lesão. Os sintomas mais comuns são:

  • Dormência, como se a língua estivesse "anestesiada";
  • Formigamento;
  • Queimação;
  • Choques ou fisgadas;
  • Coceira;
  • Sensação de língua inchada;
  • Mudança ou perda do paladar;
  • Mordidas ou queimaduras na língua sem perceber.

Se a dor for forte ou os sintomas não melhorarem com o tempo, procure avaliação.

Por que a lesão do nervo lingual causa queimação, choque e formigamento?

O nervo lingual funciona como um cabo que leva ao cérebro o tato, a dor e a temperatura da língua. Quando ele é esticado, comprimido ou cortado perto do dente do siso, esse cabo deixa de transmitir o sinal do jeito normal. Dependendo de como as fibras foram atingidas, o que você sente muda:

  • Dormência: o sinal chega enfraquecido ou não chega, e a língua perde sensibilidade;
  • Formigamento: fibras irritadas ou em regeneração mandam sinais fracos e irregulares;
  • Choque ou fisgada: fibras lesionadas disparam de repente, às vezes sem nenhum estímulo ou ao tocar a região;
  • Queimação: as fibras que carregam a dor ficam sensíveis demais e podem disparar mesmo com a língua parada. É o que chamamos de dor neuropática.

Por isso é comum misturar sensações: a dormência pode dividir espaço com choques e queimação, e essa mistura pode mudar ao longo dos meses, conforme o nervo se recupera. O esquema abaixo resume o caminho. Se a queimação ou os choques forem intensos, ou se nada melhorar em 3 meses, procure avaliação.

Como a lesão do nervo lingual causa formigamento, choque e queimação Esquema em três etapas: o nervo lingual leva o sinal da língua ao cérebro; uma lesão perto do dente do siso faz o sinal falhar ou disparar sem motivo; isso é sentido como formigamento, choque ou queimação, além de dormência. Como a lesão do nervo lingual causa os sintomas 1 O caminho do sinal Língua Dente do siso Nervo lingual Ponto da lesão esticado, comprimido ou cortado Cérebro 2 O que muda no nervo Saudável sinais organizados, tato e dor chegam certos Lesionado sinais falham ou disparam sem motivo 3 O que você sente Formigamento sinais fracos e irregulares Choque disparos súbitos e intensos Queimação fibras de dor hipersensíveis Dormência = sinal enfraquecido ou interrompido
Esquema ilustrativo: como a lesão do nervo lingual pode causar dormência, formigamento, choque e queimação.
Mulher segurando o dente do siso extraído com a mão no rosto, ilustrando a dormência após lesão do nervo lingual

Por que o nervo lingual pode ser lesionado?

O nervo lingual passa muito perto do dente do siso inferior. Por isso, ele pode ser esticado, comprimido ou, mais raramente, cortado durante a cirurgia, mesmo quando o procedimento é bem feito. As causas mais comuns são:

  • Retirada do dente do siso (terceiro molar): de longe, a causa mais comum;
  • Outras cirurgias na boca e na mandíbula: como cirurgia ortognática, implantes e algumas injeções de anestesia local;
  • Cirurgias de cabeça e pescoço: incluindo operações para tumores;
  • Traumas: como acidentes de carro ou ferimentos na região da boca;
  • Compressão: por cistos ou tumores, que são causas raras.

Algumas doenças que afetam os nervos, como diabetes, esclerose múltipla, lúpus e problemas de tireoide, podem causar sintomas parecidos e precisam ser investigadas.

De quem é a culpa pela lesão do nervo lingual?

A lesão do nervo lingual é uma complicação conhecida da extração do siso e pode acontecer mesmo quando o procedimento é bem feito, porque o trajeto do nervo varia de pessoa para pessoa e, em alguns casos, ele passa colado ao dente. Por isso, mais útil do que procurar culpados é descobrir se o nervo foi apenas machucado ou se foi cortado, pois essa resposta define o prazo de recuperação e o tratamento.

Guarde a radiografia ou a tomografia do siso e o relato do procedimento, porque esses documentos ajudam na avaliação médica. Este texto é informativo e não substitui orientação jurídica.

A parestesia lingual melhora sozinha?

Na maioria dos casos, sim. Estudos mostram que a maior parte das lesões do nervo lingual tem boa chance de recuperação, principalmente nos primeiros 6 meses, e que lesões permanentes são pouco comuns. Isso acontece porque, em geral, a lesão é leve: o nervo foi esticado ou machucado, mas não foi cortado.

Melhorar não significa, porém, que tudo volta ao normal. Alguns pacientes ficam com um pouco de dormência ou formigamento no fim do processo. Por isso, o acompanhamento com reavaliações é importante, mesmo quando você está melhorando.

Vitamina B ajuda na parestesia lingual?

Muitos pacientes tomam complexo B esperando que a melhora venha mais rápido. Até hoje, não há prova forte de que a vitamina B acelere a recuperação do nervo lingual. Uma revisão científica de 2024 viu sinais de benefício com vitamina B12, corticoides e laser de baixa potência (fotobiomodulação), mas os estudos eram pequenos e de qualidade limitada.

A vitamina B é importante para os nervos, mas quem tem uma alimentação variada normalmente já recebe a quantidade necessária. A suplementação faz mais sentido para quem tem risco de deficiência, como vegetarianos, veganos ou pessoas com problemas de absorção. Converse com seu médico antes de começar.

Mulher com a língua para fora e efeito de chama, representando a sensação de queimação e formigamento da parestesia lingual

Como é feito o diagnóstico da parestesia do nervo lingual?

O diagnóstico é feito pelo médico, com base na sua história e no exame físico. Uma boa consulta costuma incluir:

  • Conversa detalhada: quando os sintomas começaram, como foi o procedimento e como eles mudaram com o tempo;
  • Exame da sensibilidade: testes de toque, dor e temperatura em cada região da língua;
  • Teste de Tinel: uma batidinha leve no trajeto do nervo para ver se provoca choque, o que pode indicar uma lesão mais importante;
  • Reavaliações ao longo do tempo: repetir o exame mostra se há melhora, piora ou estabilidade;
  • Exames de imagem, quando necessário: ultrassonografia e ressonância magnética com neurografia.

Dica: leve para a consulta a radiografia ou tomografia do siso, o relato do procedimento, as receitas e a lista dos remédios que você usa.

Quais são os tratamentos para a lesão do nervo lingual?

O melhor tratamento depende do tamanho da lesão e do tempo desde o início dos sintomas. Tratar cedo aumenta a chance de um bom resultado, mesmo que você não precise de cirurgia. As opções são:

  • Acompanhamento próximo: muitas lesões leves só precisam de reavaliações periódicas;
  • Medicamentos para dor neuropática: quando há queimação, choques ou dor, sempre com prescrição médica;
  • Bloqueios e infiltrações: para casos selecionados de dor;
  • Fotobiomodulação (laser de baixa potência): há estudos pequenos com resultados promissores, mas ainda sem consenso;
  • Apoio da fonoaudiologia: quando a fala ficou prejudicada;
  • Cirurgia de reparo do nervo: indicada quando não há melhora no tempo esperado ou quando se suspeita que o nervo foi cortado. Os resultados costumam ser melhores quando a cirurgia é feita até cerca de 9 meses depois da lesão.

O tratamento envolve vários fatores e é individual. O objetivo é aliviar os sintomas e devolver qualidade de vida.

Qual remédio tomar para parestesia lingual?

Não existe remédio que "conserte" o nervo. Os medicamentos servem para controlar os sintomas, principalmente a dor neuropática, enquanto o nervo se recupera. Os mais usados são:

  • Anticonvulsivantes: indicados para dor de origem nervosa;
  • Antidepressivos tricíclicos: usados em dose baixa para dor nos nervos, e não para tratar depressão.

Controlar bem a dor nos primeiros meses ajuda a manter o sono, a alimentação e a qualidade de vida enquanto o nervo se recupera.

Atenção: não use esses remédios por conta própria. A escolha, a dose e o tempo de uso precisam de acompanhamento médico, de preferência com quem entende de nervos periféricos.

Ilustração anatômica da boca mostrando o trajeto do nervo lingual próximo ao dente do siso durante a extração cirúrgica

Como saber se a parestesia lingual está melhorando?

A melhora costuma ser lenta e nem sempre você a percebe no dia a dia. Muitas vezes, quem convive com você nota primeiro que você está tendo menos crises e mais disposição para fazer o que fazia antes. Por isso, vale anotar seus sintomas toda semana e comparar com o mês anterior.

Se os sintomas continuam do mesmo jeito que começaram, isso não é um bom sinal e merece avaliação. Se aos 6 meses eles seguem intensos e sem melhora, é possível que a lesão tenha sido mais séria. Veja abaixo o que observar.

✓ Sinais de melhora

  • A dor, a queimação e o formigamento diminuem depois do primeiro mês;
  • As crises dolorosas ficam menos frequentes e menos intensas;
  • Falar e comer ficam mais confortáveis;
  • Você consegue reduzir os remédios, com orientação médica;
  • Quem convive com você nota que você está com mais disposição.

! Sinais de alerta

  • Os sintomas seguem iguais ou pioram depois de 3 meses;
  • A dor é forte e não cede com os remédios;
  • A área dormente não diminui com o tempo;
  • Você evita comer ou perde o sono por causa da dor;
  • Você se morde ou se queima sem perceber.

Se você se identificou com algum desses sinais, agende uma avaliação.

Mulher apontando para baixo com o dedo, indicando para continuar a leitura sobre a parestesia do nervo lingual

Qual médico trata a parestesia lingual?

Em um primeiro momento, o cirurgião-dentista ou bucomaxilofacial que fez o procedimento deve acompanhar você. Quando os sintomas persistem, ou quando há dor forte, o neurocirurgião que atua em nervos periféricos avalia o nervo e define se o caso pede acompanhamento, medicação ou cirurgia.

O Dr. Thomas Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos e trata lesões do nervo lingual, inclusive os casos que precisam de cirurgia de reparo. Nos casos de dor neuropática intensa após a extração do siso, existe uma cirurgia pequena, de baixo risco, feita com anestesia geral, que costuma ajudar no controle da dor. Ela não melhora o paladar, e a indicação só pode ser definida em consulta, depois da avaliação dos seus sintomas.

O atendimento é presencial em Curitiba e em São Paulo, ou por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

Por que consultar com o Dr. Thomas Marcolini?

Pouco se fala sobre esse tipo de lesão, e muitos pacientes saem do consultório sem entender o que aconteceu com o nervo. Nosso trabalho é explicar com clareza e indicar o melhor caminho para cada caso. Na consulta você recebe:

  • Explicação simples do que aconteceu com o seu nervo;
  • Exame detalhado da sensibilidade da língua;
  • Solicitação de exames, quando necessário;
  • Plano de tratamento individual: acompanhamento, medicação ou cirurgia.

Atendemos pacientes de todo o Brasil, com casos operados e não operados. O atendimento é particular (sem convênio). Para agendar uma consulta online ou presencial, clique no botão de WhatsApp.

Dr. Thomas Marcolini palestrando em congresso de neurocirurgia sobre parestesia do nervo lingual

Dicas práticas para lidar com os sintomas no dia a dia

Pequenos cuidados fazem diferença enquanto o nervo se recupera. Veja o que você pode fazer em casa:

Anote seus sintomas

Registre a data, a intensidade da dor (de 0 a 10) e o que piora ou melhora. Isso ajuda muito na consulta.

Cuidado com a temperatura

A dormência esconde o calor. Teste a comida e a bebida antes de levar à boca para evitar queimaduras.

Mastigue com atenção

Mastigue devagar e, se possível, do lado oposto ao da dormência, para não morder a língua.

Evite o que piora a dor

Alguns pacientes sentem mais queimação com alimentos ácidos, picantes ou muito quentes. Observe e evite o que incomoda.

Cuide da alimentação

Se a dor atrapalha comer, prefira alimentos macios, nutritivos e com pouco açúcar. Isso protege seu peso e seus dentes.

Durma bem e controle o estresse

Noites mal dormidas e estresse costumam piorar a dor do nervo. Mantenha uma rotina de descanso.

Busque apoio

Conversar com família e amigos ajuda a lidar com o desconforto, que pode durar meses.

Não espere demais

Seja paciente, mas, se não houver melhora em 3 meses, marque uma avaliação. Quanto antes, melhor.

Perguntas frequentes sobre parestesia lingual

A parestesia lingual é permanente?

Na maioria dos casos, não. Em uma revisão científica, a lesão permanente do nervo lingual ocorreu em menos de 1% das cirurgias de siso avaliadas. Mesmo assim, se os sintomas continuarem depois de 6 meses, é importante fazer uma avaliação.

Quanto tempo leva para a sensibilidade voltar?

Varia de pessoa para pessoa. A maior parte da recuperação acontece nos primeiros 6 meses, mas alguns casos precisam de mais tempo. Mesmo quando melhora, pode ficar um pouco de dormência ou formigamento.

A língua dormente atrapalha a fala e a mastigação?

O nervo lingual não move a língua, então a força é preservada. A dormência pode causar desconforto ao falar e comer, e aumenta o risco de morder ou queimar a língua sem perceber.

O paladar volta?

O paladar pode melhorar junto com o nervo, mas nem sempre volta por completo. Conte ao seu médico se o gosto dos alimentos mudou.

Quando devo procurar um especialista?

Procure avaliação se tiver dor forte, se os sintomas não melhorarem em 3 meses, se piorarem ou se a língua ficou totalmente sem sensibilidade desde o procedimento.

Preciso operar o nervo?

Só uma minoria dos casos precisa de cirurgia. Ela é considerada quando não há melhora no período esperado, quando a dor é intensa ou quando se suspeita que o nervo foi cortado. Os resultados costumam ser melhores quando a cirurgia é feita mais cedo, até cerca de 9 meses depois da lesão.

O Dr. Thomas atende por teleconsulta?

Sim. O atendimento é presencial em Curitiba e em São Paulo, ou por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol. O atendimento é particular (sem convênio).

Quer entender o seu caso de parestesia lingual?

Agende uma consulta com o Dr. Thomas Marcolini, presencial em Curitiba ou em São Paulo, ou por teleconsulta.

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Dr. Thomas Marcolini Neurocirurgião que atua em nervos periféricos CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

Aviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica, diagnóstico ou tratamento individualizado. Não use medicamentos sem prescrição. Os prazos citados vêm de estudos científicos e da prática clínica, variam de pessoa para pessoa e não são promessa de resultado.

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Conteúdo revisado em outubro de 2026 pelo Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos.

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