

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Cirurgia do plexo braquial: o que é, quando fazer e como é a recuperação

A cirurgia do plexo braquial é um procedimento para reparar os nervos que levam as ordens do cérebro até o ombro, o braço e a mão. Quando esses nervos são machucados, o braço pode ficar fraco, sem movimento e sem sensibilidade.
Neste guia, em linguagem simples, você vai entender o que é a lesão, quais são as causas, como é o tratamento, quanto tempo leva a recuperação e o que fazer no dia a dia para ter o melhor resultado possível.
O ponto mais importante: quanto mais cedo você procurar um neurocirurgião que atua em nervos periféricos, mais opções de tratamento existem. Se você sofreu um acidente e o braço não mexe, não espere melhorar sozinho.
Resumo rápido
O que é
Uma lesão dos nervos do pescoço que controlam os movimentos e a sensibilidade do ombro, do braço e da mão.
Causa mais comum
Acidentes de moto, em que o ombro é puxado com força para um lado e a cabeça para o outro.
Melhor momento
Quanto antes a avaliação, melhor. A cirurgia do nervo costuma dar mais resultado nos primeiros 6 meses.
Tratamento
Fisioterapia, cirurgia dos nervos e, em alguns casos, cirurgia de tendões e músculos.
O que é a lesão do plexo braquial?

O plexo braquial é uma rede de nervos que nasce na coluna do pescoço, passa pelo ombro e chega até a ponta dos dedos. Pense nele como um cabo elétrico: ele leva as ordens do cérebro para os músculos e traz de volta as sensações, como tato, dor e temperatura.
Essa rede controla os músculos do ombro, do cotovelo, do antebraço, do punho, da mão e dos dedos. Na lesão do plexo braquial, um ou mais desses nervos são esticados, rompidos ou até arrancados da medula.
Como cada nervo cuida de uma parte do braço, cada paciente tem um quadro diferente. Alguns conseguem mexer a mão, mas não levantam o ombro. Outros não têm nenhum movimento. Esse tipo de lesão exige avaliação especializada e, em muitos casos, cirurgia.
Quais são as causas da lesão do plexo braquial?
Quase sempre a lesão acontece por um trauma forte na região do pescoço e do ombro. As causas mais comuns são:
Acidente de moto
É a causa mais comum. Na queda, o ombro vai para um lado e a cabeça para o outro, e os nervos são esticados ou até arrancados.
Quedas e outros acidentes
Quedas de altura, acidentes de carro, de bicicleta, esportes e trabalho também podem esticar os nervos.
Cortes e tiros
Facadas, tiros e vidros podem cortar ou machucar os nervos diretamente.
Tumores e inflamações
Tumores dos nervos, tumor no ápice do pulmão, inflamações e radioterapia podem comprimir ou ferir o plexo.
Fraturas e cirurgias
Fraturas da clavícula ou do ombro e, mais raramente, cirurgias na região do pescoço podem lesar os nervos.
Lesão no parto
Em bebês, o plexo pode ser esticado durante o parto. É a chamada paralisia braquial obstétrica.
Quais são os sintomas?
Os sintomas dependem de quais nervos foram atingidos. Os mais comuns são:
Braço sem movimento
O braço fica “caído” ao lado do corpo ou com pouca força para levantar o ombro, dobrar o cotovelo ou abrir a mão.
Falta de força
Dificuldade para segurar objetos, abrir potes, pentear o cabelo ou levar a mão até a boca.
Dormência e formigamento
Perda da sensibilidade em partes do braço, da mão ou dos dedos.
Dor forte
Dor em choque, queimação ou agulhada, chamada dor neuropática. Pode ser intensa e tem tratamento específico.
Músculos mais finos
Com o tempo, os músculos que ficam sem nervo diminuem de tamanho (atrofia).
Pálpebra caída
Pálpebra caída e pupila menor do mesmo lado do braço (síndrome de Horner) podem indicar lesão grave perto da coluna.
Sinal de alerta: se depois de um acidente o seu braço não mexe ou está dormente, procure um especialista o quanto antes. Não espere melhorar sozinho.
Assista
O maior erro de quem sofre uma lesão do plexo braquial
No vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica qual é o maior erro depois de uma lesão do plexo braquial e como evitá-lo.
Por que a lesão do plexo braquial causa perda de força e dor?
Os nervos do plexo braquial funcionam como cabos de comunicação de mão dupla. Por eles, o cérebro manda a ordem para o músculo se mexer, e a pele e as articulações mandam de volta o tato, o calor e a dor. Quando o plexo é esticado, rompido ou arrancado, esse caminho é interrompido, e as consequências aparecem de três formas.
Perda de força. Sem receber o sinal do nervo, o músculo deixa de trabalhar. Com o tempo, ele afina (atrofia) e as articulações podem ficar rígidas. Por isso, a fisioterapia precoce é tão importante.
Dormência e formigamento. O tato, o calor e o frio deixam de chegar ao cérebro. Sem sentir, o paciente corre mais risco de se queimar ou se cortar sem perceber.
Dor neuropática. Mesmo com o braço dormente, a dor pode ser forte. O nervo lesado, e também as células nervosas que ficam sem receber sinal, passam a disparar descargas anormais, e o cérebro entende isso como choque, queimação ou agulhada. Essa dor é muito frequente nas avulsões, em que o nervo é arrancado da medula, e costuma responder mal a analgésicos comuns. Existem medicamentos e procedimentos específicos para a dor neuropática, e ela deve ser tratada junto com a lesão do nervo.
O esquema abaixo resume o caminho do sinal nervoso e o que muda quando ele é interrompido.

Tipos de lesão do plexo braquial

As lesões do plexo braquial podem ser de dois grupos:
Traumáticas: causadas por pancada, tração (puxão), corte ou tiro direto nos nervos.
Não traumáticas: causadas por pressão sobre o nervo, inflamação, alterações hormonais, tumores ou radioterapia.
Além disso, cada nervo pode sofrer um entre três tipos de dano, e isso muda completamente o tratamento. Veja a seguir.
Avulsão
O nervo foi arrancado da medula. Ele não consegue se reconectar sozinho. Costuma precisar de cirurgia com transferência de nervo.
Ruptura
O nervo se rompeu, mas continua ligado à medula. Precisa de cirurgia para reparar, muitas vezes com enxerto de nervo.
Estiramento
O nervo foi esticado, mas continua inteiro. Pode melhorar sozinho. Acompanhamos por alguns meses e só operamos se não houver recuperação.
Como é o tratamento da lesão do plexo braquial?
O tratamento depende do tipo de lesão, dos nervos afetados e do tempo desde o acidente. Quando o nervo foi apenas esticado, muitas vezes é possível acompanhar com fisioterapia e exames por alguns meses. Quando o nervo está rompido ou arrancado, a cirurgia é necessária.
O tempo é muito importante. O tratamento precoce, de preferência com menos de 6 meses da lesão, costuma ter melhores resultados, porque os músculos perdem aos poucos a capacidade de receber o nervo. Mesmo depois desse prazo, vale ser avaliado: em alguns casos ainda existem boas opções, como as cirurgias de tendões e músculos.
Conheça as principais cirurgias:
Neurólise
O cirurgião libera o nervo que está preso em cicatriz ou comprimido, para que ele volte a funcionar melhor.
Enxerto de nervo
O pedaço lesado é trocado por um nervo doador, geralmente um nervo de sensibilidade da perna, que funciona como uma ponte para o nervo crescer.
Transferência de nervo
Um nervo saudável e menos importante é ligado a um nervo mais importante que perdeu a função. É muito usada nas avulsões.
Transferência de tendão e músculo
Em casos tardios, ou quando a recuperação foi incompleta, tendões e músculos são reposicionados para devolver movimentos como dobrar o cotovelo ou abrir a mão.
Qual cirurgia é a melhor para mim? Depende do seu caso. A escolha é feita depois do exame físico, da ressonância magnética e da eletroneuromiografia. Muitas vezes, mais de uma técnica é combinada.
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Transferência de nervo para recuperar o ombro
Neste vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica como a transferência de nervo pode ajudar a recuperar o movimento do ombro depois de uma lesão do plexo braquial.
Quanto tempo leva a recuperação?
A recuperação varia conforme o tipo e a gravidade da lesão. Os nervos crescem devagar, cerca de 1 milímetro por dia. Por isso, os primeiros sinais de melhora podem demorar vários meses, e o resultado final pode levar de 1 a 3 anos ou mais.
Em geral, lesões parciais recuperam mais do que lesões completas. Depois da cirurgia, o retorno ao trabalho costuma levar pelo menos 6 meses. Os casos mais graves podem levar anos ou deixar sequelas permanentes.
Nas lesões graves, o objetivo realista é devolver o máximo de função possível, como dobrar o cotovelo, levantar o ombro e usar a mão como auxiliar. Os resultados variam de pessoa para pessoa e não podem ser garantidos.
Primeiras semanas
Avaliação com exame físico, ressonância magnética e eletroneuromiografia. A fisioterapia começa cedo para manter as articulações soltas.
Até 6 meses
É a fase ideal para decidir pela cirurgia do nervo, quando ela é necessária.
Depois da cirurgia
O nervo cresce devagar, cerca de 1 milímetro por dia. A fisioterapia é essencial, e os primeiros sinais de movimento aparecem depois de vários meses.
1 a 3 anos ou mais
A força melhora aos poucos. Nessa fase, a equipe avalia se há necessidade de cirurgias complementares, como transferências de tendão.
Como é o pós-operatório da cirurgia do plexo braquial?
A recuperação não termina na sala de cirurgia. O nervo cresce devagar, e o cuidado nas primeiras semanas faz diferença no resultado. De forma geral, o acompanhamento segue estas etapas:
Primeiros 21 dias: tipoia
O braço fica na tipoia por 21 dias, para proteger a cirurgia. É esperado sentir que o braço “piorou” nessa fase, simplesmente porque ele fica parado por esse tempo.
Retirada da tipoia: exercícios direcionados
Ao tirar a tipoia, passamos exercícios direcionados para você começar a mexer o braço com segurança. Veja também exercícios e alongamentos para lesão do plexo braquial.
Depois dos 21 dias: fisioterapia orientada
A fisioterapia correta, orientada por nós, mantém as articulações soltas e estimula os músculos conforme o nervo se recupera.
Acompanhamento e melhora gradual
Acompanhamos você depois do procedimento. Superada essa fase inicial, o paciente costuma sentir melhora, que aparece aos poucos, no ritmo de crescimento do nervo.
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Recuperação depois da cirurgia de plexo braquial
Neste vídeo, o Dr. Thomas Marcolini fala sobre o que esperar da recuperação depois da cirurgia de plexo braquial.
Quer saber se o seu caso tem indicação de cirurgia?
Conte o que aconteceu e envie seus exames. Atendemos presencialmente em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta.
Falar pelo WhatsAppQual é o CID da lesão do plexo braquial?
O CID é o código usado em laudos, atestados e pedidos de exames e cirurgias. Os mais usados na lesão do plexo braquial estão na tabela abaixo. O código correto depende do seu caso e deve ser definido pelo seu médico.
| CID | O que significa | Quando é usado |
|---|---|---|
| G54.0 | Transtornos do plexo braquial | Qualquer lesão ou doença que atinge os nervos do plexo |
| S14.3 | Traumatismo do plexo braquial | Lesões causadas por acidente (trauma) |
| P14.3 | Lesão do plexo braquial devida a traumatismo de parto | Lesão ao nascimento, em bebês |
| R52.2 | Outra dor crônica | Dor crônica associada à lesão |
| R52.1 | Dor crônica intratável | Dor que não responde bem ao tratamento da dor |
Dicas para cuidar do braço e melhorar a recuperação

Se você vai fazer uma cirurgia, converse com seu médico sobre como se preparar para o procedimento e para a reabilitação. Leve a lista dos remédios que usa e conte sobre outros problemas de saúde.
Quanto mais você participa do tratamento, maiores são as chances de um bom resultado. Veja as principais dicas a seguir.
Procure avaliação cedo
Não espere o braço melhorar sozinho. Quanto antes o diagnóstico, mais opções de tratamento existem.
Mantenha as articulações soltas
Faça todos os dias os movimentos que o fisioterapeuta ensinar para o ombro, o cotovelo, o punho e os dedos. Isso evita rigidez.
Proteja o braço sem sensibilidade
Sem sentir dor, é fácil se queimar ou se cortar. Teste a água do banho com o outro braço e olhe a pele todos os dias.
Evite cigarro e álcool
Eles prejudicam a circulação e a cicatrização, e podem atrapalhar a recuperação.
Escolha um fisioterapeuta que entenda de nervos
A reabilitação faz parte do tratamento. Procure um profissional que conheça a lesão do plexo braquial.
Controle a dor
A dor neuropática tem tratamento específico. Conte ao seu médico se a dor atrapalha o sono ou o dia a dia.
Cuide também da cabeça
Uma lesão assim muda a rotina e o humor. Conversar com a família, com amigos e, se precisar, com um psicólogo ajuda muito.
Siga o plano e vá aos retornos
As consultas e os exames, como a eletroneuromiografia, mostram se o nervo está se recuperando.
Assista
Por que o braço pode travar depois da lesão
Neste vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica por que o braço pode ficar travado depois de uma lesão do plexo braquial e o que fazer para evitar.
Perguntas frequentes sobre a lesão do plexo braquial
Toda lesão do plexo braquial precisa de cirurgia?
Não. Quando o nervo foi apenas esticado, ele pode se recuperar sozinho. Por isso, acompanhamos o paciente com exames e fisioterapia por alguns meses. Quando o nervo está rompido ou arrancado, a cirurgia é necessária.
Qual é o melhor momento para operar?
De preferência nos primeiros 6 meses depois da lesão, porque os músculos perdem com o tempo a capacidade de receber o nervo. Quem já passou desse prazo também deve ser avaliado, pois podem existir outras opções.
Como é feito o diagnóstico?
Com consulta e exame físico detalhado, ressonância magnética do plexo braquial e eletroneuromiografia. Em alguns casos, outros exames de imagem também são necessários.
A cirurgia devolve todos os movimentos?
Nem sempre. O objetivo é recuperar o máximo de função possível. O resultado depende do tipo de lesão, dos nervos atingidos e do tempo até a cirurgia, e nenhum médico pode garantir um resultado específico.
Quanto tempo leva para voltar ao trabalho?
Depois da cirurgia, geralmente pelo menos 6 meses. Esse prazo pode ser maior nos casos graves e em trabalhos que exigem muito esforço do braço.
A lesão do plexo braquial causa dor?
Pode causar. É a dor neuropática, em choque ou queimação, que muitas vezes é forte. Ela tem tratamento, então avise o seu médico.
Quando devo procurar um médico?
Sempre que, depois de um trauma no pescoço ou no ombro, o braço ficar fraco, sem movimento ou dormente. Não espere melhorar sozinho.
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Agendar pelo WhatsAppAviso importante: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é diferente, e o diagnóstico e o tratamento devem ser definidos por um médico, depois de avaliação. Não existe garantia de resultado.

