Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Ribeiro Marcolini • March 17, 2022

Neuroma de Morton: as 4 principais causas e como evitar

Dor entre os dedos do pé, sensação de "pedra no sapato" e queimação ao caminhar. Se isso soa familiar, vale conhecer o neuroma de Morton e, principalmente, o que costuma provocá-lo. Neste texto, explico de forma simples as 4 causas mais comuns e dou dicas práticas para aliviar e prevenir o problema.

Ilustração do neuroma de Morton: nervo espessado entre os ossos do pé, capa do post sobre as 4 causas

O que é o neuroma de Morton?

O neuroma de Morton é um espessamento do nervo que leva a sensibilidade aos dedos do pé. Esse nervo passa por um espaço estreito entre os ossos da frente do pé (os metatarsos), logo atrás dos dedos. Quando essa região é apertada repetidamente, o nervo inflama e engrossa.

Daí surge um ciclo difícil de quebrar: o nervo mais grosso fica ainda mais comprimido, e a compressão aumenta a dor. Apesar do nome, não se trata de um tumor. É uma lesão por compressão de nervo, parecida com a síndrome do túnel do carpo, só que no pé.

O local mais comum é o espaço entre o 3º e o 4º dedos, seguido do espaço entre o 2º e o 3º dedos.

No vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica as opções de tratamento do neuroma de Morton.

Quais são os sintomas mais comuns?

Os sinais costumam piorar ao caminhar, correr ou usar sapatos apertados, e melhoram ao tirar o calçado e massagear o pé. Os mais frequentes são:

  • Dor em queimação ou em pontada na frente do pé, que pode irradiar para os dedos;
  • Sensação de estar pisando em uma pedra ou em uma dobra de meia;
  • Formigamento ou dormência entre os dedos;
  • Alívio rápido ao tirar o sapato e massagear a região.

Esses sintomas também aparecem em outros problemas do pé, como metatarsalgia, fratura por estresse ou compressão de nervos em outros pontos. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito por um médico.

As 4 causas em resumo

Em contagem regressiva, da mais conhecida até a mais esquecida. Logo abaixo, explico cada uma e o que fazer.

4

Corrida de longa distância

Impacto repetido na frente do pé, muitas vezes com tênis apertado.

3

Calçados inadequados

Salto alto, bico fino, sapato justo, chinelo e rasteirinha sem amortecimento.

2

Falta de fisioterapia

Tirar a causa não basta; o nervo inflamado precisa de reabilitação.

1

Rotina e ambiente

Muitas horas em pé, pedal de bicicleta e longas horas dirigindo.

Homem correndo em uma passarela: a corrida de longa distância é uma das causas do neuroma de Morton

4. Corrida de longa distância

Correr exige uma força grande e repetitiva na parte da frente do pé. A cada passada e a cada impulso, os ossos do antepé se aproximam e apertam o nervo que passa entre eles. Em corridas longas, esse aperto se repete milhares de vezes.

Para piorar, muitos corredores preferem tênis mais justos, com bico estreito, o que reduz ainda mais o espaço para o nervo.

Dicas para quem corre

  • Prefira tênis com a frente (biqueira) mais larga e, se necessário, meio número maior;
  • Reduza a distância e a intensidade enquanto houver dor, em vez de parar de vez;
  • Alongue a panturrilha e fortaleça os pés: isso ajuda a distribuir melhor a carga;
  • Troque o tênis quando o amortecimento estiver gasto.
Card azul com dica: correr exige força repetitiva na frente dos pés; tênis e palmilhas adequadas ajudam a prevenir
Pessoa amarrando uma bota apertada: calçados inadequados são uma causa comum do neuroma de Morton

3. Calçados inadequados

Esse é um dos maiores vilões, e vale tanto para quem corre quanto para quem não corre. O sapato errado concentra o peso do corpo exatamente onde o nervo passa.

  • Salto alto: joga todo o peso do corpo para a frente do pé, bem em cima do neuroma;
  • Bico fino e sapatos apertados: espremem os ossos uns contra os outros e comprimem o nervo;
  • Rasteirinhas e chinelos: sem amortecimento, o pé recebe todo o impacto a cada passo.

O que usar no lugar

Tênis de corrida com boa frente, sapatos de bico largo e solado acolchoado costumam ser as melhores escolhas. Palmilhas com apoio atrás dos metatarsos ajudam a abrir o espaço entre os ossos e a aliviar a pressão.

Mas atenção: a palmilha ocupa espaço dentro do sapato. Se o calçado já for justo, ela pode piorar a compressão. Nesse caso, aumente o número do sapato ou peça orientação a um fisioterapeuta ou ortopedista para escolher o modelo certo.

Card azul com sapato de salto alto vermelho: quem tem neuroma de Morton deve evitar salto alto, rasteirinhas e chinelos
Fisioterapeuta massageando o pé de uma paciente: não fazer fisioterapia piora o neuroma de Morton

2. Não fazer fisioterapia e reabilitação

Tirar o fator que desencadeou o problema (o sapato, a corrida, o tempo em pé) nem sempre é suficiente. O nervo já inflamado e os tecidos ao redor precisam de um trabalho de reabilitação para voltar ao normal.

Um fisioterapeuta com experiência em problemas do pé, que entenda de palmilhas, pode fazer muita diferença. A reabilitação trabalha a mobilidade dos ossos do antepé, o alongamento da panturrilha, o fortalecimento da musculatura do pé e a forma como você pisa.

Na maioria dos casos, o tratamento sem cirurgia funciona. A cirurgia fica reservada para quando a dor e os sintomas continuam mesmo depois de calçado adequado, palmilha, fisioterapia e, em alguns casos, infiltração, e sempre após avaliação médica.

Card azul com ilustração de reabilitação: tirar a causa pode não bastar, a reabilitação é o próximo passo no neuroma de Morton
Mulher descalça em pé segurando uma planta: a rotina e o ambiente influenciam o neuroma de Morton

1. Rotina e ambiente

Além do que você veste e do esporte que pratica, o seu dia a dia pode manter o nervo sob pressão sem que você perceba:

  • Ficar muitas horas em pé no trabalho, principalmente em piso duro;
  • Longos passeios de bicicleta, por causa da pressão constante do pedal na frente do pé;
  • Dirigir longas distâncias, com o pé sempre na mesma posição no pedal.

Se você precisa ficar muito tempo em pé ou sentado na mesma posição, use um sapato acolchoado, um tapete antifadiga ou um descanso para os pés. Pequenas pausas para tirar o sapato e movimentar os dedos também ajudam.

Card azul com dicas: evitar longos períodos em pé, bicicleta e direção prolongada e usar tapetes acolchoados

Como evitar o neuroma de Morton no dia a dia

Dicas simples que aliviam a pressão sobre o nervo e ajudam a prevenir o problema.

  • Escolha sapatos com bico largo e solado macio.
  • Deixe salto alto, bico fino e chinelo para ocasiões raras.
  • Use palmilha só se houver espaço no calçado (ou aumente o número).
  • Alongue a panturrilha e fortaleça os pés algumas vezes por semana.
  • Reduza a distância da corrida enquanto houver dor.
  • Faça pausas e tire o sapato se passa muitas horas em pé.
  • Massageie e movimente os dedos no fim do dia.
  • Procure fisioterapia cedo: quanto antes, melhor a resposta.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se a dor na frente do pé dura mais de algumas semanas, se há dormência entre os dedos ou se os sintomas atrapalham caminhar, trabalhar ou praticar esporte. O diagnóstico é feito principalmente pelo exame clínico; o ultrassom e a ressonância magnética ajudam a confirmar e a afastar outras causas.

Como neurocirurgião que atua em nervos periféricos, avalio o neuroma de Morton como uma lesão de nervo. O tratamento começa sempre pelas medidas mais simples: calçado adequado, palmilha e fisioterapia. A cirurgia só entra em cena quando essas medidas não resolvem. Quando ela é necessária, existem técnicas que liberam o nervo da compressão ou retiram o segmento espessado, e a escolha depende de cada caso. Saiba mais sobre a cirurgia do neuroma de Morton.

Perguntas frequentes sobre o neuroma de Morton

Neuroma de Morton é um tumor?

Não. Apesar do nome, é um espessamento do nervo causado por compressão repetida, e não um tumor. Não tem relação com câncer.

Neuroma de Morton tem cura?

Na maioria dos casos, os sintomas melhoram bastante com calçado adequado, palmilha e fisioterapia. Quando não melhoram, a cirurgia pode ser indicada. O resultado depende de cada caso e do tempo de compressão do nervo.

Posso continuar correndo?

Em geral, sim, com ajustes: tênis de frente larga, redução temporária da distância e um trabalho de fortalecimento e alongamento. Correr com dor, sem mudar nada, tende a piorar o quadro.

Palmilha resolve o problema?

A palmilha ajuda a abrir o espaço entre os ossos e a aliviar a pressão, mas precisa caber no sapato. Em calçado justo, ela pode piorar a compressão.

A infiltração funciona?

A infiltração pode aliviar a dor por um período e ajuda a confirmar o diagnóstico. Repetições frequentes de corticoide têm limites, por isso ela deve ser indicada e feita por um médico.

A cirurgia é o único jeito de tratar?

Não. A cirurgia é a última etapa, reservada para quem continua com dor mesmo após as medidas conservadoras. Existem técnicas que liberam o nervo da compressão e técnicas que retiram o segmento espessado; a escolha é feita caso a caso.

Dr. Thomas Marcolini

Neurocirurgião que atua em nervos periféricos. Atende em Curitiba e São Paulo, presencialmente e por teleconsulta.

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Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente por um profissional habilitado. Não inicie, interrompa ou mude um tratamento sem orientação médica.

Fontes consultadas: American Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo) – Morton's Neuroma; Mayo Clinic – Morton's neuroma; StatPearls (NCBI) – Morton Neuroma.

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