

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos
Lesão do nervo facial após neurinoma do acústico: sinais, prazos e tratamento

Se o rosto ficou paralisado depois da cirurgia de um neurinoma do acústico (também chamado de schwannoma vestibular), saiba que existe tratamento. Neste guia, o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos, explica em linguagem simples por que isso acontece, quanto tempo esperar pela recuperação e quando a cirurgia do nervo facial pode devolver o tônus e o sorriso.
- A paralisia facial é uma complicação conhecida da cirurgia do neurinoma do acústico, porque o tumor cresce colado ao nervo facial.
- Muitos casos melhoram sozinhos, mas o tempo importa: sem sinais de recuperação, a avaliação deve ser feita cedo.
- Até o nervo voltar, proteger o olho é a prioridade.
- Quando não há recuperação, a transferência de nervos (masseter e/ou hipoglosso) pode devolver tônus e sorriso.

Por que o neurinoma do acústico pode lesionar o nervo facial?
O neurinoma do acústico é um tumor benigno que nasce no nervo do equilíbrio, dentro de um canal estreito do crânio chamado conduto auditivo interno. O nervo facial, que comanda os movimentos do rosto, passa colado a esse tumor. Por isso ele pode ser afetado antes, durante ou depois da cirurgia (ou da radiocirurgia).
Na prática, existem três situações principais:
- Nervo preservado, mas lesionado: o rosto fica fraco ou parado, mas o nervo continua inteiro. Muitas vezes os movimentos voltam aos poucos, ao longo de semanas ou meses.
- Nervo preservado, sem sinais de melhora: se depois de alguns meses não aparece nenhum movimento, é hora de reavaliar e pensar em reconstrução.
- Nervo cortado ou retirado junto com o tumor: a recuperação espontânea não acontece, e a reconstrução deve ser planejada o quanto antes.
Sinais de que o nervo facial foi afetado
Olho não fecha por completo
O olho fica aberto ao piscar ou ao dormir.
Boca torta
O canto da boca cai e o sorriso fica assimétrico.
Dificuldade para comer e beber
Líquidos escapam e a comida acumula na bochecha.
Olho seco ou lacrimejando
Ardência, vermelhidão ou lágrimas em excesso.
Testa parada
Não consegue levantar a sobrancelha do lado afetado.
Fala menos clara
Dificuldade com letras como "p", "b" e "m".

O que fazer nos primeiros meses após a cirurgia
Logo que a paralisia aparece, o foco é proteger o olho e estimular a recuperação natural do nervo. A fisioterapia facial dirigida, feita por um profissional com experiência em paralisia facial, ajuda a manter a musculatura ativa e ensina movimentos corretos, sem exageros.
Ao mesmo tempo, é importante acompanhar a evolução com o médico. Se o rosto não mostra nenhum sinal de movimento depois de alguns meses, vale fazer uma avaliação com um cirurgião de nervos periféricos e, se indicado, uma eletroneuromiografia (exame que mostra se o nervo está se recuperando).
Linha do tempo: quando procurar avaliação
Cada caso é único, mas este roteiro ajuda a não perder o melhor momento para o tratamento:
Primeiras semanas
Proteção do olho, fisioterapia facial orientada e acompanhamento com a equipe que operou o tumor.
3 a 6 meses
Sem nenhum sinal de movimento? Faça uma avaliação com um cirurgião de nervos periféricos e, se indicado, eletroneuromiografia.
Até cerca de 12 meses
Melhor janela para as transferências nervosas, enquanto os músculos do rosto ainda podem receber um novo nervo. Estudos mostram resultados melhores quando a reconstrução é feita mais cedo.
Após 18 a 24 meses
Os músculos do rosto atrofiam. Ainda existem opções, como a transferência de músculo, mas a cirurgia é mais complexa.
Se o nervo foi cortado na cirurgia do tumor, não é preciso esperar: a reconstrução pode ser planejada logo.
Dicas úteis para o dia a dia
Proteja o olho
Use colírio lubrificante durante o dia e, à noite, pomada e oclusão conforme orientação médica. Óculos ajudam contra vento e poeira.
Fisioterapia com quem entende
Prefira um fisioterapeuta com experiência em paralisia facial. Movimentos leves e controlados funcionam melhor que força.
Evite exageros
Caretas forçadas, mascar chiclete o dia todo e eletroestimulação sem orientação podem atrapalhar a recuperação.
Registre a evolução
Grave um vídeo curto do rosto (em repouso, sorrindo e fechando os olhos) uma vez por mês. Isso ajuda muito na consulta.
Não espere demais
Se não há nenhum movimento após alguns meses, procure avaliação. Nas transferências nervosas, o tempo faz diferença no resultado.
Cuide da alimentação
Mastigue do lado bom, prefira pedaços menores e faça higiene bucal após as refeições para evitar restos de comida na bochecha.


Cirurgia do nervo facial: quais são as opções?
Quando o rosto não volta a se mexer, é possível usar um nervo saudável vizinho e ligá-lo ao nervo facial. Esse procedimento se chama transferência nervosa: o nervo "doador" passa a levar o comando do cérebro até os músculos da face. As principais opções são:
- Nervo do masseter (músculo da mastigação): costuma trazer os primeiros movimentos mais cedo, por volta de 3 meses, e é muito usado para recuperar o sorriso. No início, o paciente sorri ao "apertar os dentes"; com treino, o movimento fica mais natural.
- Nervo hipoglosso (nervo da língua): ajuda principalmente no tônus de repouso, ou seja, na simetria do rosto parado. Usa-se apenas parte do nervo, para preservar a função da língua.
- Transferência dupla (masseter + hipoglosso): em casos selecionados, combina tônus em repouso e sorriso.
A escolha depende do tempo de paralisia, do estado dos músculos e do objetivo de cada paciente. Por isso a avaliação deve ser feita por um cirurgião com experiência em reconstrução de nervos.
O que esperar depois da cirurgia
Os primeiros movimentos aparecem, em geral, entre 3 e 6 meses, e a melhora continua por até 1 a 2 anos. A fisioterapia facial depois da cirurgia é parte do tratamento: ela ensina o cérebro a usar o novo nervo e deixa o sorriso mais espontâneo.
Conheça nosso trabalho com paralisia facial e veja casos tratados
Quem tem paralisia facial pode voltar ao normal?
Neste vídeo curto, o Dr. Thomas Marcolini explica por que muitos casos leves se recuperam, como surgem as sequelas nas paralisias mais graves e o que pode ser feito quando o rosto não volta como antes.

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Perguntas frequentes
A paralisia facial após a cirurgia do neurinoma do acústico é definitiva?
Nem sempre. Quando o nervo foi preservado, muitos pacientes recuperam os movimentos aos poucos, ao longo de semanas ou meses. Quando não há nenhum sinal de melhora, ou quando o nervo foi cortado, existem cirurgias de reconstrução.
Quanto tempo devo esperar antes de pensar em cirurgia?
Se após alguns meses (em geral entre 3 e 6) não há nenhum movimento, vale fazer uma avaliação especializada. Nas transferências nervosas, os resultados tendem a ser melhores quando a reconstrução é feita mais cedo, antes de os músculos atrofiarem.
Qual a diferença entre usar o nervo do masseter e o nervo hipoglosso?
O nervo do masseter (músculo da mastigação) costuma dar movimento mais cedo e ajuda principalmente no sorriso. O nervo hipoglosso (da língua) ajuda sobretudo no tônus do rosto em repouso. Em casos selecionados os dois podem ser usados juntos.
A cirurgia do nervo facial deixa sequelas na língua ou na mastigação?
As técnicas atuais usam apenas parte ou um ramo do nervo doador, justamente para reduzir perdas. O risco existe e é discutido na consulta, mas costuma ser pequeno e bem tolerado.
Em quanto tempo aparecem os resultados?
Os primeiros movimentos costumam surgir entre 3 e 6 meses após a transferência nervosa, e a melhora continua por até 1 a 2 anos, com fisioterapia facial.
A fisioterapia ainda é importante depois da cirurgia?
Sim. A fisioterapia ensina o cérebro a usar o novo nervo, melhora a naturalidade do sorriso e ajuda a prevenir movimentos involuntários (sincinesias).
Paralisia facial depois da cirurgia? Converse com quem trata o nervo.
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Dr. Thomas Ribeiro Marcolini é neurocirurgião que atua em nervos periféricos, com foco em reconstrução do nervo facial, plexo braquial e lesões de nervos.
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 | CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003
Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso precisa de avaliação individual; resultados variam de pessoa para pessoa.
Fontes
- Lauda L, et al. Masseteric-facial and hypoglossal-facial anastomosis after lateral skull base and middle ear surgery. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2024. doi:10.1007/s00405-024-08866-9
- López Granados C, et al. Dual nerve transfer for postoperative facial paralysis: a 4-year clinical outcome report. Eur Arch Otorhinolaryngol. 2025. doi:10.1007/s00405-025-09538-y
- Christopher LH, et al. Facial nerve management in patients with malignant skull base tumors. J Neurooncol. 2020. doi:10.1007/s11060-020-03635-0

