Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • March 24, 2022

Queimação na língua após tirar o siso: o que pode ser e como tratar

Ilustração de língua com queimação causada por lesão do nervo lingual após tirar o dente do siso

Você tirou o dente do siso e, desde então, a língua queima, arde, formiga ou parece dormente? Talvez já tenham dito que “é normal” ou que “logo passa”. Às vezes passa mesmo. Mas, quando os sintomas continuam por semanas ou meses, pode ser sinal de lesão do nervo lingual, e isso merece atenção.


Neste artigo, explico em linguagem simples o que está acontecendo, quais sintomas são comuns, quando se preocupar, o que fazer no dia a dia e quais tratamentos existem.

Resumo rápido

  • O nervo lingual dá sensibilidade e parte do paladar à frente da língua e passa muito perto do siso de baixo.
  • Na maioria das vezes, a lesão é leve e melhora em semanas ou poucos meses.
  • Se não houver nenhuma melhora em cerca de 3 meses, procure avaliação especializada: o tempo conta.
  • Dor forte deve ser tratada desde o início, para não se tornar crônica.
  • Existe tratamento, inclusive cirurgia para a dor neuropática intensa que não melhora.
Ilustração da arcada inferior mostrando o nervo lingual passando ao lado do dente do siso

O que é a lesão do nervo lingual?

O nervo lingual é como um “fio” fino que leva a sensibilidade (toque, temperatura e dor) e parte do paladar para a frente da língua, do mesmo lado. Ele passa colado à parte de dentro da gengiva, bem ao lado do dente do siso de baixo.


Durante a extração, o nervo pode ser esticado, comprimido pelo inchaço ou, mais raramente, cortado. O resultado é uma alteração de sensibilidade chamada parestesia, que pode vir junto com dor neuropática, que é a dor causada pelo próprio nervo machucado.


Língua ou queixo: qual nervo foi afetado?

  • Sintomas só na língua (de um lado): provavelmente é o nervo lingual.
  • Sintomas nos dentes, no lábio inferior e no queixo: o mais provável é o nervo alveolar inferior (ou o mentoniano, que é um ramo dele).


Isso é comum?

Alterações passageiras de sensibilidade depois da extração do siso não são raras. Já a lesão grave, em que o nervo é cortado, é rara. O problema é que, para quem está nesse pequeno grupo, o impacto é enorme, e muitas vezes demora para ser reconhecido.

Sintomas mais comuns

Os sintomas costumam aparecer de um lado só da língua, o mesmo lado do dente retirado. Você pode ter um ou vários deles:

Dor

Dor contínua ou em crises, que pode piorar ao comer, falar ou no fim do dia.

Queimação

Sensação de língua “pegando fogo”, como se tivesse tomado algo muito quente.

Ardência

Ardor que aumenta com comidas ácidas, salgadas ou apimentadas.

Língua inchada

A língua parece grossa ou maior, mesmo sem inchaço visível no espelho.

Língua presa

Sensação de língua “amarrada”, dura ou com menos liberdade para se mexer.

Morder a língua ao comer

Sem sentir direito o lado afetado, a pessoa morde a língua sem perceber.

Dificuldade para falar

Fala mais “embolada”, cansaço ao falar muito e insegurança em conversas.

Choques e formigamento

Pontadas, choques, agulhadas e perda ou mudança do paladar.

Dica: anote quais sintomas você sente e a intensidade de cada um. Isso ajuda muito na consulta.

Vídeo do Dr. Thomas Marcolini

Tirou o siso e a língua continua dormente? A verdade sobre a parestesia do nervo lingual

Em pouco mais de 1 minuto, explico por que a língua pode continuar dormente, queimando ou dando choques depois da extração do siso, e quando é hora de procurar ajuda.
Infográfico da evolução da lesão do nervo lingual: como saber se a lesão é leve ou grave

Lesão leve ou grave? Como saber

Essa é a pergunta que mais ouço no consultório. E a resposta mais confiável costuma vir da evolução dos sintomas ao longo do tempo.

  • Sinais de que o nervo está se recuperando: a dor e os choques diminuem, e o toque e o paladar começam a voltar, mesmo que devagar.
  • Sinal de alerta: depois de cerca de 3 meses, a dormência continua igual, sem nenhuma melhora, ou a dor está piorando.


E os exames?

A ressonância magnética com neurografia do nervo lingual pode ajudar, mas nenhum exame é 100% confiável para um nervo tão fino. Um exame “normal” não descarta lesão quando os sintomas não melhoram depois de vários meses. Por isso, a avaliação de quem tem experiência com lesões de nervos faz diferença.


Dor forte precisa ser tratada logo

Se a dor é intensa, não espere “passar sozinha”. O controle com medicamentos próprios para dor neuropática, sempre com orientação médica, ajuda a evitar que a dor se torne crônica.

7 dicas úteis enquanto você se recupera

Pequenos cuidados que deixam o dia a dia mais seguro e ajudam na consulta.

  1. Faça um diário dos sintomas

    Uma vez por semana, anote a dor (de 0 a 10), a dormência e o paladar. Assim fica fácil ver se você está melhorando.

  2. Mapeie a área afetada

    Toque a língua com a ponta de um cotonete e compare com o outro lado. Anote onde não sente nada ou sente diferente.

  3. Coma com calma

    Mastigue do lado bom, corte a comida em pedaços menores e evite falar enquanto mastiga, para não morder a língua.

  4. Cuidado com o quente

    Sem sentir direito, é fácil se queimar. Espere bebidas e sopas esfriarem um pouco ou teste com o lado bom da boca.

  5. Evite o que piora a ardência

    Comidas muito ácidas, apimentadas ou salgadas, bebida alcoólica e cigarro costumam aumentar a queimação.

  6. Olhe sua língua no espelho

    Verifique se há feridas de mordida. Use escova macia e mantenha a higiene da boca em dia.

  7. Não se automedique e não espere demais

    Dor forte ou nenhuma melhora depois de algumas semanas são motivos para procurar avaliação especializada.

Vídeo do Dr. Thomas Marcolini

Dormência na língua não passa? Como ter certeza da lesão no nervo lingual

Explico, direto ao ponto, como avaliamos se a lesão do nervo lingual é leve (o nervo só “se assustou” com o inchaço) ou grave, e o que a evolução dos sintomas mostra.

Quando ninguém acredita na sua dor

Muitos pacientes chegam ao consultório depois de ouvir frases como “isso é psicológico”, “é normal, vai passar” ou “você está exagerando”. Às vezes, quem diz isso é o próprio profissional de saúde. Outras vezes, é a família ou os amigos.


Isso acontece porque, por fora, a língua parece normal: não há inchaço visível, corte ou mancha. Mas a dor neuropática é real, tem causa física e pode ser muito intensa.


Ser subestimado faz o paciente perder um tempo precioso, e o tempo importa no tratamento dos nervos. Se você sente que ninguém está levando sua queixa a sério, procure quem tenha experiência com lesões de nervos periféricos.


Como a lesão afeta relacionamentos, trabalho e qualidade de vida

A língua participa de quase tudo o que fazemos: comer, falar, beijar, sorrir. Por isso, a lesão do nervo lingual costuma pesar muito mais do que parece para quem está de fora.

Relacionamentos

Evitar jantares, beijos e encontros. Irritação pela dor constante e a sensação de não ser compreendido por quem está perto.

Trabalho

Dificuldade para falar por muito tempo em reuniões, aulas, atendimentos ou ao telefone. Queda de rendimento e cansaço.

Alimentação

Perda do prazer de comer, medo de morder a língua e mudança do paladar de um lado da boca.

Sono e emoções

Dor que atrapalha o sono, ansiedade, tristeza e vontade de se isolar.

Se você se identificou, saiba: não é frescura e não é “coisa da sua cabeça”. É uma condição real, que tem explicação e tem tratamento.

O papel do dentista: aviso prévio e termo de consentimento

A lesão do nervo lingual é uma complicação conhecida da extração do siso. Ela pode acontecer mesmo quando o dentista faz tudo corretamente. Por isso, ter essa complicação não significa, por si só, que houve erro.


Por outro lado, o paciente tem o direito de ser informado antes do procedimento. O Código de Ética Odontológica determina que o profissional esclareça o paciente sobre os propósitos, os riscos e as alternativas do tratamento. Na prática, isso é feito com uma conversa franca e com o termo de consentimento livre e esclarecido, lido e assinado antes da cirurgia.


Quando o siso está muito próximo dos nervos (o que pode aparecer na radiografia panorâmica ou na tomografia), esse risco precisa ser explicado com ainda mais cuidado. Em alguns casos, o dentista pode indicar uma técnica diferente ou encaminhar o paciente a um cirurgião bucomaxilofacial.

O que o termo de consentimento deve explicar

  • Por que o dente precisa ser retirado.
  • Os riscos, incluindo dormência, formigamento, dor e alteração do paladar na língua, no lábio e no queixo.
  • Que essa alteração pode ser temporária ou, mais raramente, permanente.
  • As alternativas ao procedimento.
  • Os cuidados depois da cirurgia e o que fazer se surgirem sintomas.

Depois da extração, o dentista também tem um papel

  • Acompanhar de perto quem relata dormência, queimação ou dor.
  • Registrar os sintomas e a evolução no prontuário.
  • Encaminhar cedo para avaliação especializada quando não há melhora.

Não foi avisado antes? Você pode pedir uma cópia do seu prontuário e do termo assinado. Guarde exames, receitas e anote as datas dos sintomas. Para questões legais, procure orientação jurídica. Para a sua saúde, o mais importante é não perder tempo no tratamento.

Quais são os tratamentos?

O tratamento depende do tipo de lesão, do tempo desde a extração e, principalmente, dos sintomas que mais incomodam.

  • Acompanhamento: nas lesões leves, o nervo costuma se recuperar sozinho. O acompanhamento serve para confirmar que a melhora está acontecendo.
  • Medicamentos para dor neuropática: controlam a dor, a queimação e os choques e ajudam a evitar que a dor se torne crônica. Devem ser prescritos e ajustados pelo médico.
  • Exame de imagem: a ressonância com neurografia do nervo lingual ajuda no planejamento, sempre junto com a avaliação clínica.
  • Cirurgia do nervo lingual: indicada principalmente para a dor neuropática intensa que não melhora. É uma cirurgia pequena, feita com anestesia geral, de baixo risco e com bons resultados no alívio da dor. A indicação é pela dor, mesmo quando o exame não mostra um neuroma (cicatriz do nervo).


Importante: o objetivo da cirurgia é aliviar a dor. Ela não costuma recuperar o paladar, e nenhum médico sério pode garantir resultado. Por isso, a decisão é tomada em conjunto com o paciente, depois de uma consulta detalhada.

Vídeo curto · 2026

Lesão do nervo lingual pós-siso: por que a demora no tratamento é perigosa?

Neste vídeo curto, explico por que esperar demais para procurar avaliação pode piorar a dor e reduzir as chances de um bom resultado.

Consulta com o Dr. Thomas Marcolini

Sou neurocirurgião e atuo em nervos periféricos, incluindo lesões do nervo lingual após a extração do siso. Na consulta, eu:

  • avalio seus sintomas com calma e examino a sensibilidade da língua;
  • explico, em linguagem simples, o que provavelmente aconteceu com o seu nervo;
  • solicito os exames certos, como a ressonância com neurografia do nervo lingual;
  • discuto com você, de forma honesta, se vale a pena tratar com medicamentos, acompanhar ou operar.


Atendo de forma particular, presencialmente em Curitiba e em São Paulo, e também por teleconsulta, para pacientes de todo o Brasil e do exterior.

Perguntas frequentes

A queimação na língua depois de tirar o siso passa sozinha?

Na maioria dos casos, sim. O nervo costuma se recuperar em semanas ou em poucos meses. Se depois de cerca de 3 meses não houver nenhuma melhora, ou se a dor estiver piorando, procure uma avaliação especializada.

Quanto tempo o nervo lingual leva para se recuperar?

Nas lesões leves, de algumas semanas a poucos meses. Nas lesões mais graves, o nervo pode não se recuperar sozinho. A evolução dos sintomas ao longo do tempo é a melhor pista para saber em qual grupo você está.

Qual médico devo procurar?

Um profissional com experiência em lesões de nervos periféricos, como o neurocirurgião que atua nessa área. Ele avalia os sintomas, pede os exames certos e orienta o tratamento da dor.

A ressonância mostra se o nervo foi cortado?

A ressonância com neurografia do nervo lingual pode ajudar, mas não é 100% confiável para um nervo tão fino. Por isso, o resultado sempre deve ser interpretado junto com os sintomas e o exame clínico.

A cirurgia devolve o paladar?

Em geral, não. O principal objetivo da cirurgia é aliviar a dor neuropática intensa, como queimação e choques. Nenhum resultado pode ser garantido, e a indicação é discutida caso a caso.

É normal morder a língua com frequência depois do siso?

É comum quando a língua está dormente, porque você não sente direito o lado afetado. Coma devagar, mastigue do lado bom e observe se há feridas. Se isso continuar por semanas, vale uma avaliação.

O Dr. Thomas Marcolini atende por teleconsulta?

Sim. Além do atendimento presencial em Curitiba e em São Paulo, há teleconsulta para pacientes de outras cidades e do exterior, em português, inglês ou espanhol.

Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Não há garantia de resultado em nenhum tratamento.

Referências

  1. Systematic review and meta-analysis: incidence of lingual nerve damage following surgical extraction of mandibular third molars. PLoS One, 2023. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9970109
  2. Renton T, Yilmaz Z. Managing iatrogenic trigeminal nerve injury: a case series and review of the literature. Int J Oral Maxillofac Surg, 2012.
  3. Conselho Federal de Odontologia. Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012).

Texto revisado por Dr. Thomas Ribeiro Marcolini, neurocirurgião · CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510 · CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003. Atualizado em outubro de 2026.

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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