Hospital São Camilo: neurocirurgia de nervos periféricos em SP
Médico especialista em Nervos Periféricos no Brasil.

Dr. Thomas Marcolini - Neurocirurgião para Lesões de Nervos

Por Dr. Thomas Marcolini • January 6, 2023

Lesão do plexo braquial em acidente de moto: o que fazer

Motociclista com luvas no guidão e o texto: mais de 80% das lesões do plexo braquial vêm de acidentes de moto

Cair de moto é uma das situações em que mais acontece a lesão do plexo braquial. O plexo braquial é uma "rede" de nervos que sai do pescoço e leva força e sensibilidade para o ombro, o braço, a mão e os dedos. Quando essa rede é muito puxada ou rompida no acidente, o braço pode ficar fraco, sem movimento ou sem sensibilidade.

Um estudo feito em São Paulo com 406 pacientes operados mostrou que 79% das lesões traumáticas do plexo braquial em adultos aconteceram em acidentes de moto. Por isso, conhecer os sinais de alerta e saber o que fazer nos primeiros dias faz diferença.

No vídeo, o Dr. Thomas Marcolini explica o que fazer quando o braço perde força depois de uma queda de moto.

Resumo rápido
  • O plexo braquial é a rede de nervos que dá força e sensibilidade ao ombro, ao braço, à mão e aos dedos.
  • Fraqueza, dormência, choques ou o braço "mole" depois de uma queda de moto são sinais de alerta.
  • Procure um médico que atue com nervos periféricos o quanto antes: o tempo faz diferença nas opções de tratamento.
  • Só um exame completo mostra o tipo e a gravidade da lesão. Não dá para saber apenas olhando o braço.

Por que a moto causa tanta lesão no plexo braquial?

Na moto, o corpo fica sem proteção. Na queda, o ombro costuma bater no chão ou em outro veículo, enquanto a cabeça e o pescoço são jogados para o lado contrário. Esse movimento "estica" os nervos do plexo braquial, como uma corda puxada pelas duas pontas. Dependendo da força, o nervo pode ser apenas esticado, rompido ou até arrancado da medula, o que se chama avulsão.

79%
das lesões traumáticas do plexo braquial em adultos operados em um grande serviço de São Paulo foram causadas por acidentes de moto. Fonte: Faglioni et al., Acta Neurochirurgica, 2013 (PubMed).

Quem sofre esse tipo de acidente quase sempre tem outras lesões ao mesmo tempo. No mesmo estudo, cerca de 4 em cada 10 pacientes também tinham fratura de ossos longos, e 1 em cada 3 teve trauma na cabeça. Por isso, a lesão do nervo às vezes passa despercebida no começo, escondida atrás de outros problemas. Se o braço continuar sem força ou sem sensibilidade com o passar dos dias, peça uma avaliação específica dos nervos.

Motociclista caído na rua ao lado da moto e do capacete logo após um acidente de trânsito
Na queda de moto, o ombro é puxado com força e os nervos do plexo braquial podem ser esticados ou rompidos.

Sinais de alerta: quando procurar um médico

Depois de uma queda de moto, fique atento ao ombro, ao pescoço e ao braço. Procure avaliação médica o quanto antes se notar qualquer um dos sinais abaixo no braço ou na mão. Eles podem aparecer logo após o acidente ou nos dias seguintes.

Fraqueza ou falta de controle dos movimentos

Dificuldade para levantar o braço, dobrar o cotovelo ou segurar objetos.

Ombro, cotovelo, punho ou dedos "moles"

Partes do braço que não respondem ao comando ou ficam flácidas ou paralisadas.

Formigamento, dormência ou perda de sensibilidade

Você toca a pele do braço ou da mão e sente menos, ou sente diferente do outro lado.

Dor em choque ou queimação

Dor forte, em choques ou queimação, que pode vir e voltar ou não passar com remédio comum.

Inchaço ou mudança no suor

Braço ou mão mais inchados, ou com suor aumentado ou diminuído em relação ao outro lado.

Sintomas que não melhoram

Se os sinais continuam ou pioram depois de alguns dias, não espere: faça a avaliação.

O que fazer logo após o acidente

Nas primeiras horas, o mais importante é cuidar da vida e das lesões mais graves, como trauma de cabeça, tórax e coluna. Com a situação estável, é hora de olhar para o braço. Veja as dicas abaixo para proteger o membro e não perder tempo.

Faça

  • Peça atendimento médico e conte que o braço foi puxado ou que o ombro bateu forte no acidente.
  • Apoie o braço numa posição confortável, como em uma tipoia, para tirar o peso do ombro.
  • Anote o que você sente quais dedos formigam, o que não consegue mexer e quando isso começou.
  • Guarde os exames do acidente raio-X, tomografia e o relatório do hospital ajudam muito na consulta.
  • Registre em vídeo o movimento que você não consegue fazer, uma vez por semana, para comparar a evolução.
  • Cuide da mão sem sensibilidade olhe a pele todos os dias e evite queimaduras e cortes sem perceber.
  • Procure quem atua com nervos periféricos uma avaliação específica mostra o tipo e a gravidade da lesão.

Evite

  • Esperar meses "para ver se melhora" sem uma avaliação. O tempo faz diferença nas opções de tratamento.
  • Fazer força ou carregar peso com o braço machucado, nem apoiar o corpo sobre ele.
  • Massagens e manobras fortes no pescoço e no ombro, principalmente feitas por quem não conhece a lesão.
  • Calor, fogo e objetos cortantes em contato com a mão que perdeu a sensibilidade.
  • Tomar remédio para dor por conta própria dor de nervo precisa de tratamento específico, definido pelo médico.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa na consulta. O médico pergunta como foi o acidente e examina o braço com testes simples, para medir a força de cada movimento e a sensibilidade de cada região da pele. Esse exame mostra quais nervos foram atingidos.

Quando necessário, podem ser pedidos exames de imagem, como a ressonância magnética do plexo braquial, e a eletroneuromiografia, que mostra como os nervos e os músculos estão funcionando. Esse último exame costuma dar informações mais claras algumas semanas depois da lesão. Por isso, é comum repetir o exame físico e reavaliar o caso ao longo dos primeiros meses.

A consulta com um médico que atua com nervos periféricos é a forma mais indicada para identificar a lesão e acompanhar a evolução, junto com a fisioterapia específica. Isso ajuda a evitar uma cirurgia desnecessária ou a indicar o procedimento no momento certo, para um melhor resultado.

Equipe médica avaliando um paciente internado após acidente de moto, com o braço apoiado no leito
A avaliação dos nervos deve ser feita assim que as lesões mais graves estiverem controladas.

Quando a cirurgia é considerada?

Nem toda lesão do plexo braquial precisa de cirurgia. Algumas melhoram sozinhas, com acompanhamento e fisioterapia. A cirurgia entra em discussão quando o nervo foi rompido ou arrancado da medula, ou quando a recuperação esperada não aparece nos primeiros meses.

Dependendo do caso, podem ser feitas cirurgias para reparar o nervo, como enxertos e transferências de nervo, ou cirurgias para melhorar a função do braço, como transferências de tendão e de músculo. Quanto mais cedo é feita a avaliação, mais opções existem. Mesmo depois de muito tempo do acidente, ainda pode haver cirurgias que ajudam, por isso vale a pena uma avaliação.

A decisão é sempre individual: depende do tipo de lesão, do tempo desde o acidente, dos seus objetivos e de uma conversa clara sobre benefícios e riscos. Nenhum tratamento garante o resultado, mas um plano feito no momento certo aumenta as chances de recuperar função.

Perguntas frequentes

Quanto tempo posso esperar para procurar um médico?

O ideal é procurar avaliação o quanto antes, ainda nas primeiras semanas depois do acidente. Quanto mais cedo o médico entende o tipo de lesão, mais opções de tratamento existem. Mesmo que já tenha passado muito tempo, vale a pena ser avaliado, porque algumas cirurgias ainda podem ajudar.

Toda lesão do plexo braquial precisa de cirurgia?

Não. Algumas lesões melhoram sozinhas, com acompanhamento e fisioterapia. A cirurgia é considerada quando o nervo foi rompido ou arrancado da medula, ou quando a recuperação esperada não acontece nos primeiros meses.

A lesão do plexo braquial dói?

Pode doer. Muitas pessoas sentem dor em choque ou queimação, chamada de dor neuropática. Ela tem tratamento específico, por isso conte ao médico como é a sua dor.

Como saber se é lesão do plexo braquial ou só uma fratura?

As duas coisas podem acontecer juntas. A fratura aparece no raio-X. Já a lesão do nervo é identificada pelo exame clínico, que testa a força e a sensibilidade, e por exames como a ressonância magnética e a eletroneuromiografia.

A fisioterapia ajuda?

Sim. A fisioterapia específica ajuda a manter as articulações soltas e os músculos ativos enquanto o nervo se recupera. Ela deve ser orientada pelo médico que acompanha o seu caso.

Posso fazer a consulta por vídeo?

Sim. O Dr. Thomas Marcolini atende por teleconsulta e também presencialmente em Curitiba e São Paulo. A teleconsulta ajuda na primeira avaliação e na orientação, mas o exame físico completo costuma ser feito pessoalmente.

Leia também

Separamos outros textos que podem ajudar você a entender melhor a lesão do plexo braquial e as opções de tratamento.

Teve uma lesão no braço depois de um acidente?

Agende uma consulta com o Dr. Thomas Marcolini, neurocirurgião que atua em nervos periféricos. O atendimento é presencial em Curitiba e São Paulo, e também por teleconsulta, em português, inglês ou espanhol.

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Aviso importante: este texto é educativo e não substitui a consulta médica. Cada lesão é diferente e só um exame feito por um médico pode indicar o diagnóstico e o tratamento mais adequados para você. Em caso de acidente recente, procure atendimento de urgência.

Fontes

  1. Faglioni W, et al. The epidemiology of adult traumatic brachial plexus lesions in a large metropolis. Acta Neurochirurgica, 2013. doi.org/10.1007/s00701-013-1948-x
  2. Li G-Y, et al. Traumatic brachial plexus injury: a study of 510 surgical cases from multicenter services in Guangxi, China. Acta Neurochirurgica, 2019. doi.org/10.1007/s00701-019-03871-y
  3. Suroto H, et al. Traumatic brachial plexus injury in Indonesia: an experience from a developing country. Journal of Reconstructive Microsurgery, 2021. doi.org/10.1055/s-0041-1735507
Dr. Thomas Marcolini
Neurocirurgião que atua em nervos periféricos
CRM/PR 33811 · RQE/PR 26510
CRM/SP 241641 · RQE/SP 113003

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Dr. Thomas Marcolini, especialista em nervos periféricos

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